segunda-feira, 20 de junho de 2011

Até a sensação de duvida foi roubada

Sempre tivemos com nossos governantes uma pulga atrás da orelha, aquela duvida que eles não permitiam que acabasse. Seja no asfaltamento de nossa rua, seja numa concessão de serviços públicos. A sensação percorria nossa mente sempre nos perguntando se houve lisura no ato público.

Mas não passava de duvida, eles não deixavam rastros para que se afirmasse uma fraude ou um desvio de verbas, e assim caminhávamos, a vida continuava e a sensação de duvida também. Tínhamos algo com que nos preocupar e tornava-se um jogo de gato e rato. Quando vinham as eleições, elas ressuscitavam relembradas pelos adversários políticos, que na ânsia de eleição, atiravam para todos os lados, fazendo a duvida continuar.


Mas os políticos, se desonestos, tinham certa ética. Se preservavam ao máximo. Só eram descobertos quando deixavam de recompensar seus aliados, fazendo com que dessem com a língua nos dentes, desmascarando a corrupção.

A coisa foi se tornando tão corriqueira que hoje eles não fazem questão de esconder suas ligações. Se expõem em passeios, constantes idas e vindas ao exterior e fins de semana em resorts bancados por empreiteiros de obras públicas. Agora não fazem questão de manter a duvida, nos apontam para a certeza.


Se antes tínhamos indícios de que algo errado ocorria, mas não conseguíamos provar, hoje os indícios apontam para o maior golpe aplicado contra os cofres do Estado do Rio de Janeiro. Mas ainda persiste uma duvida. Porque os indícios não são apurados? Estão o Legislativo e o Judiciário se beneficiando também? Será preciso deixar de recompensá-los para que saiam da inércia?
Nos roubaram também o direito a duvida quanto ao gestor do estado, que agora, na certeza da impunidade e na ignorância do povo se expõe acintosamente, apontando para algo de errado na administração. Mas não fiquem iludidos, ainda podem manter a duvida, a duvida na eficiência dos Poderes Legislativo e judiciário, que se não agem, provoca o agir da sociedade, e é o que ocorre agora.

Calcado em teimosia e vaidade, acobertado por asseclas que cumprem fielmente seus ditames, sem se preocupar com futuras implicações de responsabilidades, seguem para o abismo sem se dar conta do que está por vir, a derrota definitiva. Mas nos deram a certeza, a sociedade ao contrário de que pensam, raciocina e silenciosamente toma posição para o ataque final.


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