segunda-feira, 27 de junho de 2011

História dos Bombeiros no Mundo

O serviço de bombeiros nasceu, como quase tudo o que o homem criou, por necessidade. O fogo sempre foi uma séria ameaça a humanidade. Quando os homens ainda eram nômades, fugiam das chamas, não sendo necessário enfrentá-las. Mas a partir do momento que fixou-se na terra, obrigou-o a combatê-la quando este a ameaçava pessoas ou o patrimônio. Certamente a preocupação com incêndios é tão antiga como a própria vida social, nas diferentes culturas, porém, nossas pesquisas apontam que ao logo da história, grandes incêndios marcaram povos ao redor do mundo. E a partir dessas grandes tragédias, surgiu a necessidade de se criar um serviço para fazer frente a esse tipo de sinistro. Assim nasceram as primeiras corporações de bombeiros.



Há aproximadamente quinhentos mil anos atrás, nossos antepassados humanos habitavam uma terra inóspita repleta de calamidades naturais, entre elas o fogo era a mais temível e freqüente. Os incêndios florestais destruíam grandes áreas, e o homem fugia, como os outros animais, ou se abrigava no fundo de suas cavernas. Tempos depois, sua curiosidade e inteligência o levou a observar e controlar as chamas, produzidas naturalmente, mantendo-a acesa, dominando-a e utilizando-a para seu aquecimento e segurança, sendo inclusive um fator de poder, sobre as tribos que não detinham tal conhecimento. Este domínio ficou mais evidente ainda quando os primeiros seres humanos conseguiram produzir fogo a partir da fricção (atrito) entre duas pedras de sílex, sendo esta a primeira grande descoberta da humanidade. No mesmo tempo em que o homem descobriu o segredo de acender o fogo, mudou o curso de sua sobrevivência. O fogo cada vez mais serviu para proteger e melhorar a qualidade de vida da humanidade. Passaram muitos séculos e milênios. O homem começou a agrupar-se com seus semelhantes, dando passo a um novo processo; a vida comunitária. Se praticava a caça e o pastoreio e depois se descobriu a agricultura. Com o domínio cada vez maior do fogo, o homem começou a produzir uma série de artefatos domésticos e de guerra, até que se aprendeu a fundir metais, outro grandioso passo evolutivo. Nessa época, o homem já não habitava mais em cavernas e o fogo estava totalmente dominado, porém as vezes se voltava contra ele, obrigando-os a criarem regras para o seu uso, a fim de defender suas casas da destruição. Assim começou quase nos albores da humanidade, a luta organizada contra o incêndio.

Entre os povos antigos, os gregos tinham organizado sentinelas noturnos para vigilância de suas cidades e faziam soar um alarme em caso de incêndio. Em todas as cidades do Império Romano também estavam regulados estes serviços, mas como abordamos no início deste capítulo, os bombeiros surgiram por necessidade, quase sempre depois de um grande incêndio, e foi assim, que surgiu o primeiro bombeiro, segundo registros históricos, quando a capital do império Romano, foi devastada por um grande incêndio no ano 22 a.C., e por esta razão, o Imperador César Augusto, preocupado por este acontecimento, decidiu na criação do que se pode considerar como o primeiro corpo de Bombeiros, cujos integrantes se chamavam “vigiles”, responsáveis pela segurança de Roma. Este corpo serviu até a queda do Império Romano (476 d.C.). Este, é o primeiro corpo organizado que se conhece na historia, dedicado exclusivamente a função de bombeiro.

Com os séculos, estas organizações evoluíram muito pouco. Durante a Idade Média se tinha no incêndio um conceito relativo, consideravam um dano inevitável. A partir do século XVI os artesãos se espalham por toda Europa numa modesta industrialização. Os incêndios são mais freqüentes e se tem necessidade de combatê-los de forma prática. Mais tarde, na metade do século XVII o material disponível para combate a incêndio se reduzia a machados, enxadões, bales, e outras ferramentas. Os países mais avançados contavam com rudimentares máquinas hidráulicas, que eram conectadas a poços de vizinhos que enchiam baldes que por sua vez eram passados de mão em mão, até a linha do fogo. No século XVIII Van Der Heyden inventa “a bomba de incêndio”, abrindo uma nova era na luta contra o fogo. O mesmo Van Der Heyden também ganha notoriedade ao inventar a “mangueira” de combate a incêndios. Estas primeiras mangueiras foram fabricadas em couro, e tinham quinze metros de comprimento com uniões de bronze nas extremidades. O novo sistema põe fim a época dos baldes e marca o começo de uma nova era no “ataque” aos incêndios, com o lançamento de jatos de água em várias direções, o que não era possível no sistema antigo.

A aparição destas bombas de incêndio fez com que se organizasse em París (França) uma companhia de “sessenta guarda bombas”, uniformizados e pagos que estavam sujeitos à disciplina militar.

Este foi um dos primeiros Corpos de Bombeiros organizados, nos moldes do sistemas atuais, que se tem notícias. Em pouco tempo todas as grandes cidades do mundo ocidental já possuíam, seja por disposição legal ou por iniciativa das companhias de seguro, (como por exemplo na Escócia e Inglaterra) serviços de bombeiros pagos.
Os Corpos de Bombeiros que eram criados, foram organizados militarmente e dotados de equipamentos podendo ser pagos ou voluntários.

Os bombeiros pagos, eram os Corpos Oficiais recrutados por conta do Estado, e que cumpriam um serviço permanente, seus quartéis estavam distribuídos de forma estratégica nas cidades. Estes constituíam um Corpo organizado, sujeito a Regulamentos nos moldes militar que os mantinham sempre em serviço. Recebiam um salário pelo serviço que estavam obrigados a prestar. Já os Corpos de Bombeiros Voluntários recebiam este nome por que seus integrantes queriam prestar serviço de forma “Voluntária”, sem receber salário algum, apenas trabalhar no combate às chamas, quando ocorria um incêndio. Os componentes destes modelos estavam motivados por uma “vocação” para prestar um serviço para a comunidade, ou simplesmente por que trabalhavam em indústrias que apoiavam à comunidade na extinção de incêndios. Assim, nas grandes cidades, organizadas e ricas, criavam seus serviços de bombeiros profissionais, de plantão vinte e quatro horas por dia, com sistemas de alarme, geralmente através de sinos espalhados pela cidade. Nas cidades menores, pela falta de recursos e pela menor freqüência de incêndios, os serviços foram criados no sistema de voluntários, onde as próprias pessoas da comunidade, no momento de um incêndio, fariam o trabalho de combate às chamas, aliás como sempre havia sido feito antes da criação de bombeiros oficiais (com uso de baldes). Assim, podemos afirmar que os bombeiros oficiais foram criados a partir do acréscimo de riscos, devido a grande urbanização das cidades, e sobretudo da industrialização, onde o capital teve que ser protegido, não só dos pensadores comunistas, mas também do fogo, que tinha e como tem hoje, a capacidade de reduzir à cinzas verdadeiros impérios econômicos, e logicamente muitos empregos.

Os dois modelos de bombeiros, ou seja, oficial e voluntário, subsistem até hoje em quase todos os países do mundo, na mesma idéia da Europa, citada no parágrafo anterior, com uma tendência a profissionalização desta atividade, na medida em que a evolução tecnológica nos apresenta novos riscos, com conseqüências cada vez mais amplas e perigosas, sendo necessário uma especialização dos bombeiros muito mais eclética e adequada a essa nova realidade. Aliado a isso, como é sabido, já foi o tempo em que o bombeiro só atendia incêndio. Atualmente os serviços destes profissionais transcenderam a este marco que os criou. Acompanhando a evolução da sociedade e tecnológica, os bombeiros evoluíram no sentido de procurar prevenir incêndios, bem como dar assistência a outros tipos de emergências que não fossem apenas os incêndios, o que provocou um incremento incalculável na sua rotina, sendo então necessário, além de um plantão permanente, uma capacitação especial desses profissionais.

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