terça-feira, 19 de julho de 2011

Casal gay já era.

Agora é oficial.

Casal gay da novela Insensato Coração, Eduardo [Rodrigo Andrade] e Hugo [Marcos Damigo], foram para o armário.

E o esperado primeiro beijo gay da GLOBO não vai rolar.

Cenas já gravadas não vão mais pro ar.

E fim de papo.

De nada adiantou a militância dos autores da novela, Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que fizeram de Insensato um palaque em defesa da causa, denunciando a homofobia e ironizando o seu discurso, inclusive mostrando a violência contra gays.

Os atores em torno do núcleo do quiosque com arco-íris e cata-ventos estão inconformados.

Ordens para encerrar o assunto veio de cúpula.

Para quem não sabe: desde que foi anunciada a novela, falava-se de 1 forte romance protagonizado por 1 jovem, Eduardo, que se descobriria homossexual após as investidas de um professor de direito, Hugo.

Os personagens fugiriam dos estereótipos “gay Zorra Total”.

A “bichinha” de outrora.

E assim foi.

Não são afetados, afeminados.

Não desmunhecam, nem rebolam.

Hugo joga futevoley na praia.

O outro até há pouco namorava uma mina.

Enfim, bofes gays como conhecemos [e não macaquizados por programas humorísticos].

Durante a novela, o jovem Eduardo se viu completamente surpreso quando descobriu atraído por outro homem.

Viveu muita angústia diante do dilema.

Conflito bom.

A trama caminhou a passos de tartaruga.

Até enfim ele se deixar levar e abraçar a nova opção sexual

Abraçar, numas.

O casal começou a “namorar” sem namorar.

Não se encostavam, nada de carinhos.

Beijo então…

Esquisito.

Um dizia “eu te amo” para o outro do lado oposto da sala.

Sorriam e…

Cortavam para os comerciais.

Agora imaginamos a pressão que rolava nos estúdios do Projac.

O que levou a emissora a tesourar a trama?

1. Conquistar o público evangélico, que migra para outras emissoras mais dedicadas a ele?

2. Acatar pressões da Igreja?

3. Aceitar que na ex-camada D, que virou C e para a qual os meios de comunicação se dedicam, o tema ainda gera desconforto?

Só a cúpula deve saber.

Outro paradoxo entre tantos que pesará nas costas da GLOBO.

Cuja teledramaturgia sempre esteve na vanguarda ao mexer com temas e tabus que incomodam o Estado semi laico, o verdadeiro dono da concessão.

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