segunda-feira, 18 de julho de 2011

A História do Puma DKW e o nascimento do Puma VW - 1966

Por Ricardo Prado, Anisio Campos e Jorge Lettry


No V Salão do Automóvel, em 1966, a Lumimari apresentou uma versão redesenhada por Anísio Campos, com requintado acabamento, denominado PUMA GT, passando mais tarde a ser conhecido como PUMA DKW.


O PUMA DKW recebeu o Prêmio Quatro Rodas, destinado ao melhor projeto de auto brasileiro, cujo júri era integrado, entre outros, pelo indiscutível designer Nuccio Bertone, do Stile Bertone, da Itália.
De frente, o diretor de Redação de Quatro Rodas, Leszek Bilyk e na direita, de perfil, o designer italiano Nuccio Bertone, convidado para julgar o melhor projeto brasileiro de 1966.

 O PUMA DKW passou então para a história do automobilismo brasileiro como a mais bela carroceria concebida neste país, chamando a atenção até hoje pelas linhas agradáveis e ao mesmo tempo agressivas de um verdadeiro puro-sangue.


Neste mesmo ano, a Lumimari teve sua razão social alterada para Puma Veículos e Motores Ltda. Novamente, consta, sem documento para comprovação, que foram construídos entre 1966 e 1967, ano do encerramento da sua produção, 125 Pumas GT ou, segundo outras fontes, 135 unidades.
                                      Uma colagem feita por Anisio Campos com o GT Malzoni

A segunda versão me parece mais coerente, pois já vi em diversas publicações o número total de 171 Pumas + Malzonis, igual a 35 + 135 , fazendo 170 unidades mais uma, que é a minha, montada após o término oficial da produção e numerada via Detran de São Paulo, não seguindo a numeração da fábrica. Porém tudo não passa de muita divagação, já que não existem registros de fábrica.


Com o término da fabricação do DKW pela Vemag, a Puma se viu sem uma mecânica para o seu carro, sendo forçada a um novo desenvolvimento, desta vez sobre a plataforma do Karmann-Ghia 1500, que teve sua apresentação em 1968.


Veja abaixo um "exercício de prototipagem" de projeto de Anisio para Rino, com a técnica de "wire-frame" -- utilizando arames de tungstênio -- com esignbaseado no Porsche 904 - para o perfeito e harmonioso design do Puma VW, na Fazenda Chimbó, de Rino Malzoni, em Matão, interior de São Paulo. Quando Rino decidiu partir para a plataforma VW ampliou-se a criação de novos modelos até chegar ao defnitivo.

José Roberto Santamaria - filho de José Barros Santamaria que, como o Rino e o Oscar Malzone, foi o proprietário de um dos 3 primeiros DKW Malzoni, produzidos em Matão - testa o modêlo de arame .


Tanto os Malzonis como os Puma GT, tinham mecânica DKW, com motor de dois tempos e 50 cv desenvolvendo velocidade máxima de 145 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em aproximadamente 19 segundos. Eram marcas muito expressivas para a época, especialmente se considerado o pequeno motor DKW.

                  Anisio Campos correndo de Puma DKW na Rodovia do Café, Paraná - 1965

Nas pistas, os motores preparados pela Equipe Vemag, liderada pelo Jorge Lettry, faziam do Malzoni um competidor muito respeitado, mesmo entre as grandes carreteiras com motor Corvette de 7 litros. Os tempos feitos pelos Malzonis na pista de Interlagos, giravam ao redor de 3min53 s, no traçado completo de 7,96 km, coisa difícil de acreditar se consideramos o motor de 1.000 cm3 projetado na década de 1950 e um peso ainda alto para um carro de corrida.


Hoje, pouquíssimas unidades de GT Malzoni e Puma DKW em condição de marcha são conhecidas, fazendo destes carros um item de muito interesse para os colecionadores.


Comparações do GT Malzoni com o Puma DKW

                               Anisio Campos em 2003 com o Puma GT-4R e o Puma DKW

O Puma DKW e o Puma VW na Classic and Sports Car -- julho de 2002
Por José Rodrigo Otávio

A revista C&SC de julho de 2002 tem uma surpresa para nós brasileiros.

Eles escreveram sobre o Puma VW e o Malzoni numa reportagem que foi planejada ao longo do rali Inca Trail no ano passado.
O autor da reportagem foi o Malcolm McKay, jornalista inglês que participou do Inca Trail com seu pequeno grande Triumph TR2 vermelho, que completou incólume aquela volta de 25.000 km pela América do Sul.

O Malcolm começou a se interessar por estes carros em função das conversas que mantinha com dois brasileiros que participaram do Inca Trail, o Robertinho Rodrigo Octávio Filho e o Nélson Cintra, o Robertinho trabalhando junto à organização do rali e o Nélson fazendo parte da equipe de televisão portuguesa que fazia a cobertura do evento.


Logo após a chegada do rali ao Rio, organizei este encontro do Malcolm com nossos brinquedinhos para o sábado, 01/12/2001, que era o mesmo dia em que ele e a grande maioria dos participantes do Inca Trail retornavam para seus países de origem.


O dono dos carros, que é o Paulo Lomba, já tinha programado junto à administração do Autódromo do Rio a utilização da pista para aquele teste, que iria envolver também o famoso Karmann-Ghia-Porsche da Dacon que o Paulo tinha restaurado.
O interesse do Malcolm pelos carros foi tanto que ele resolveu fazer um artigo especifico sobre o Puma e o Malzoni, e outro só sobre o KG-Porsche da Dacon, que será publicado em uma próxima edição da revista.Em seu artigo o Malcolm se refere ao Puma e ao Malzoni como uma boa receita criada num país do Terceiro Mundo e, de fato, estes carros encantaram o jornalista inglês.





O Clay Regazzoni, que entrou no Inca Trail em Bariloche após fazer a 1000 Milhas Argentinas, foi convidado por mim para passar aquele sábado no autódromo, local que ele havia pisado pela última vez há mais de 20 anos.

Ele ficou paraplégico após um acidente de Fórmula 1 na temporada de 1980 em Long Beach, mas apesar desta realidade nunca abandonou o automobilismo.

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