domingo, 23 de outubro de 2011

OBRAS PARA COPA 2014: COMEÇARAM OS ACIDENTES DE TRABALHO


Operário da Arena do Grêmio morre, colegas protestam e obra para.

Folha de São Paulo
As obras de construção da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, estão paralisadas desde a noite deste domingo em função da morte do operário José Elias Machado, 40, que fazia a travessia entre o alojamento dos funcionários e o canteiro do futuro estádio, às margens da BR-290.
Apesar de o Beira-Rio, do Internacional, ser o estádio indicado pelo Rio Grande do Sul para a Copa de 2014, a diretoria do Grêmio não esconde a tentativa de aproveitar qualquer eventual dificuldade da arena rival para emplacar a praça esportiva no Mundial.
ACIDENTES SE REPETM
Jean Carlos, TST
A construção civil é uma das campeãs em acidentes de trabalho e ocorrência de doenças ocupacionais em todo mundo. No Brasil diante da crescente expansão do setor com obras como as da Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 e o programa de Acelaração de Crescimento (PAC) torna o setor mais vulnerável, o cronograma acelerado por conta das obras e do aquecimento da economia tem mobilizado intensamente o mercado da construção civil. A contratação em massa para seguir os cronogramas da Copa e de outras obras estão aceleradas, se não forem seguidas as condições de segurança, podem levar a muitos acidentes, o que já vem ocorrendo.
Veja alguns dos acidentes que aconteceram nesse período de construção e preparação dos estádios e outros empreendimentos:
- Explosão no Maracanã fere operário e paralisa obra (fonte: R7)
- Trabalhadores morrem em queda de andaime (Novo centro de eventos Fortaleza)…
- Trabalhador Morre ao cair de um prédio em construção no PR. (Fonte G1 PR)
- Trabalhador morre ao cair de 12 metros em obra no ES. (Fonte G1 ES)
- Trabalhador morre depois de cair de viga em obra no MS. (Fonte Correio do Estado)
- Pedreiro morre após cair de 2 andar de prédio na PB. (Fonte G1 PB)
- Pedreiro morre ao cair do 9 andar de prédio em Natal. (Fonte Tribuna Norte)
- Trabalhador morre após cair de altura de 20 metros em obra no RS (Fonte UOL)
                                           PRINCIPAL RISCO: QUEDA DE ALTURA

TECNOLOGIA E ACIDENTES
Outro fator para o aumento considerável dos acidentes com queda na construção civil, já estudado por especialistas, são as inovações tecnológicas e o descompasso com trabalhadores desqualificados, que ainda não sabem lidar de forma adequada com essas inovações.

Foi constatado que algumas das evoluções tecnológicas atenuaram os riscos em alguns processos, mas em outros casos podem também ser responsáveis por parte dos acidentes gerados nos canteiros de obras. Ou seja, inovação sem treinamento é investir em acidente.

Alguns casos estão relacionados à competitividade do mercado e a necessidade de aumento da produtividade e de redução de custos através do cumprimento dos cronogramas previstos. Para atender a essas exigências, as empresas utilizam-se “da contratação de subempreiteiras, do recurso às horas-extras, do trabalho noturno e do pagamento por produção”.

Outras causas estão relacionadas à grande quantidade de trabalhadores em uma área restrita e à co-produtividade de diferentes profissionais, sobrepondo os riscos em um mesmo local. Além disso, observa-se que as duplas jornadas de trabalho dos operários contribuem também para diminuir a atenção e os reflexos.

                                               ACIDENTES, NRs E FISCALIZAÇÃO
Não basta apenas a criação de mais uma NR, a 36, pois se as normas estabelecidas dentro do Programa de Condiçõe e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT) simplesmente é ignorado por 50% das empresas que atuam na construção civil. O PCMAT um plano que estabelece condições e diretrizes de Segurança do Trabalho para obras e atividades relativas à construção civil, bem como, garantir, por ações preventivas, a integridade física e a saúde do trabalhador da construção, funcionários terceirizados, fornecedores, contratantes, visitantes, etc. Enfim, as pessoas que atuam direta ou indiretamente na realização de uma obra ou serviço.

O que deveria de fato ser feito, seria cobrar uma atuação mais eficiente do Ministério do Trabalho, mais fiscais dentro das obras, mais aplicação de multas para quem descumprisse o programa. Ações punitivas, por exemplo, evitaria o alto número de acidentes. Vejam só, a Copa ainda nem começou, mas os acidentes fatais estão a todo o vapor. Até o fim de todas as obras quantas vidas já não foram perdidas e quantos acidentes poderiam ter sido evitados?

Somado a entrada de novos trabalhadores no setor, sem experiência e com grau menor de instrução, surge como um desafio a mais para as empresas no desenvolvimento de seus programas de segurança. “Normalmente, a construção trabalha com funcionários com baixa escolaridade, assim necessitando de treinamentos, orientação e ambientação para iniciar as atividades dentro de um canteiro de obra, mostrando aos trabalhadores os riscos do processo de trabalho a que estão expostos e de como deve se proteger é uma medida básica” destaca Nascimento.

Nas principais sedes para os jogos de 2014 são inúmeros os canteiros espalhados pelas cidades, as obras estão sendo feitas em ritmo acelerado, cronograma apertados para cumprimento do prazo, justamente por causa da copa e essa aceleração sem dúvida será um dos motivos para aumentar os índices de acidentes; Diante deste cenário as empresas precisam tomar medidas urgentes para melhorar seus níveis de treinamento e gerenciamento de segurança, senão o cenário tende a piorar de maneira explosiva, e a principal vitima como sempre são nossos trabalhadores e sociedade como um todo.

Jean Carlos, TST, Consultor NRFACIL

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