quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Operação contra jogo do bicho prende ex-prefeito, PMs e contraventores

Pelo menos 44 foram presas. Acusados de serem líderes de grupos que exploram o jogo do bicho são ligados a escolas de samba

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro 15/12/2011

Já são 44 pessoas presas na operação realizada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil para desarticular uma quadrilha ligada ao jogo do bicho em seis cidades do Estado do Rio de Janeiro. Entre os presos está o ex-prefeito de Teresópolis, Mario de Oliveira Tricano, além de dois policiais militares e um guarda municipal.

39 mandados de prisão foram cumpridos; outros cinco suspeitos foram presos em flagrante. Dos 44 presos, 36 foram localizados no Rio de Janeiro, um na Bahia, outro no Maranhão e mais um em Pernambuco, informou a Polícia Civil.

Material apreendido na operação batizada de "Dedo de Deus" é apresentado na Academia de Polícia no centro do Rio de Janeiro

De acordo com os policiais, as investigações da operação batizada de "Dedo de Deus” tiveram início há um ano. Na ocasião, a Polícia Civil recebeu denúncias de que comerciantes da região serrana do Estado Rio eram coagidos para a implantação de pontos de jogos de bicho.

Ao checar as denúncias, a polícia identificou a ligação de células responsáveis pela contravenção em Teresópolis, Petrópolis, Nilópolis, Duque de Caxias, São João de Meriti e Rio de Janeiro. Segundo a investigação, essas células trocavam favores e cada uma possuía um chefe.

Entre esses líderes estão Anísio Abraão David, presidente de honra e patrono da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis; Luiz Drumond, presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense; Hélio Ribeiro, presidente-administrativo da escola de samba Grande Rio, Yuri Soares; e Mario de Oliveira Trincano.

Foram expedidos mandados de prisão preventiva contra todos eles. Até o momento, apenas o ex-prefeito e de Teresópolis foi detido. Eles vão responder pelos crimes de contravenção, formação de quadrilha armada e corrupção ativa e passiva. As penas somadas podem chegar a 45 anos de reclusão.

Contraventores usavam “bicho eletrônico”
Agentes desceram de rapel do helicóptero da polícia na cobertura do prédio de Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor

As investigações da Polícia Civil também identificaram ramificações da quadrilha em outros três Estados: Bahia, Pernambuco e Maranhão. Em Salvador foi localizada uma empresa que fornecia máquinas de cartão de crédito adaptadas para o jogo do bicho, chamados popularmente de “bicho eletrônico”.

Segundo a polícia, cada equipamento custava R$ 1.200 e substituía os antigos talonários para o apontamento das apostas. Além disso, burlavam os resultados.
“Se um número sorteado tivesse sido apostado por muitas pessoas, eles alteravam os resultados para não quebrar a banca”, afirmou o delegado da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Felipe Bittencourt.
A empresa baiana também fornecia para o grupo criminoso chips e serviços de manutenção, além de um call center.

No Recife foi localizada uma gráfica que fornecia os talonários e dados dos apostadores mais antigos, não acostumados com o “bicho eletrônico”. Cerca de 90% do material encontrado nessa gráfica servia à contravenção.
“A empresa da Bahia não fornecia equipamentos apenas para o Rio, como para outras quadrilhas para outros Estados do Brasil também”, disse Bittencourt.

Um dos funcionários dessa empresa vinha com frequência ao município de Duque de Caxias e era convidado do camarote da Grande Rio.

A Polícia Civil também explicou, durante coletiva na sede da Acadepol, a necessidade do uso da técnica de rapel para a chegada dos agentes da Core na casa do contraventor Abraão David.
“Havia a informação de que a residência possuía portas blindadas. Precisávamos de agilidade porque as provas poderiam ser destruídas caso os agentes entrassem normalmente”, afirmou Bittencourt.

A polícia também realizou buscas nos barracões das escolas de sambas que seriam vinculadas à quadrilha. No barracão da Beija-Flor foram encontrados R$ 115 mil em dinheiro. Durante a operação, também foram apreendidas R$ 517 mil, joias, obras de arte, além de documentos que coloboram com a investigação.

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