sábado, 18 de fevereiro de 2012

Acidente em obra de expansão do aeroporto, fere dois trabalhadores

O acidente (desabamento) de uma obra de construção civil do aeroporto de guarulhos, remete os analistas sempre às mesmas questões como prováveis causas do acidente: baixa qualificação e rotatividade da mão de obra, necessidade de contingenciamento de prazos para entrega da obra, falta de fiscalização do Ministério do Trabalho, falta de elaboração e cumprimento do PCMAT, falta dos EPIs ou EPCs, etc.

PRECARIZAÇÃO DE MATERIAIS
Entretanto, uma linha de investigação de acidentes na construção civil seria verificar a qualidade dos materiais utilizados. Sabe-se que uma das práticas mais comuns na construção civil muitas vezes é a utilização de materiais de baixa qualidade que acabam fragilizando estruturas e contribuindo para os desastres, ameaçando não somente trabalhadores mas também usuários que frequentam essas instalações.

Um desabamento em uma obra de expansão do terminal de passageiros do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), deixou dois feridos, por volta das 14h desta sexta-feira.
Segundo a Delta Construção, uma parte da estrutura auxiliar de sustentação dos dutos de ar condicionado cedeu na obra do novo terminal. Dois operários sofreram escoriações leves e foram atendidos pela equipe médica do aeroporto. A situação na obra foi normalizada.

O acidente deixou dois operários feridos e aconteceu no mesmo momento e local em que foi anunciada a data de inauguração do terminal: 20 de dezembro

O acidente levou em cheque a credibilidade da construtora que fora contratada sem licitação sendo este mais um de inúmeros acidentes que vem acontecendo pelo país, nesta grande maratona da corrida contra o tempo para entrega de obras para os grandes eventos que estão por vir. Nesta obra, devido à demanda de final de ano para atender os passageiros houve uma aceleração do ritmo das atividades, o que possivelmente contribuiu para o acidente. Ressalte-se que sem dúvida houve falha na observância de determinações importantes da NR-18 (18.10 estruturas Metálicas) entre outros.

Diante deste cenário as empresas precisam tomar medidas urgentes para melhorar seus níveis de treinamento e gerenciamento de segurança, bem como fiscalizar os materiais que estão sendo utilizados na obra, senão o cenário tende a piorar, e a principal vitima como sempre, serão os trabalhadores.

PROPOSTA PARA A NR DO SETOR AEROPORTUÁRIO
Embora o acidente tenha ocorrido dentro do sitio aeroportuário, não tem relação com as atividades dos profissionais que trabalham no setor aeroportuário, para o qual cogitou-se a criação de uma nova NR especifica para este setor.
Veja abordagem do Blog NRFACIL sobre o assunto: http://nrfacil.com.br/blog/?p=1491

Cerca de 30 mil trabalhadores (aeroviários e aeroportuários) compõem 90% da força de trabalho no transporte aéreo brasileiro, numa atividade que associa riscos diversos, em uma dinâmica semelhante ao do trabalho portuário (NR-29): atividades simultâneas, intensivas e complexas, executadas sob uma pressão de tempo e de riscos, sendo aqui os principais o ruído e o stress.

O tempo para atendimento das aeronaves no solo é cada vez menor; para liberar uma aeronave é necessário o embarque e desembarque de cargas e bagagens, abastecimento de combustível e água potável, limpeza interna, drenagem de dejetos e comissária (refeições). Diante de um tempo exíguo, equipes diferenciadas muitas vezes em um espaço de trabalho restrito, com escassez de pessoal e sob pressão de turnos alternantes, aumentam os riscos para todos (trabalhadores e usuários).

Jean Carlos é TST, graduado pela UNAMA-PA é Gestor Operacional do NRFACIL


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