sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Agrotóxicos banidos da Comunidade Europeia podem sofrer o mesmo no Brasil

                                                                Samuel Gueiros, Med Trab, Coord NRFACIL

 Baseada em estudos científicos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou consultas públicas com o objetivo de banir dois agrotóxicos registrados no país: a parationa metílica e o forato.

Campeão mundial de uso de agrotóxicos, o Brasil se tornou nos últimos anos o principal destino de produtos banidos em outros países. Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai.
Apesar de prevista na legislação, o governo não leva adiante com rapidez a reavaliação desses produtos, etapa indispensável para restringir o uso ou retirá-los do mercado. Desde que, em 2000, foi criado na Anvisa o sistema de avaliação, quatro substâncias foram banidas. Em 2008, nova lista de reavaliação foi feita, mas, por divergências no governo, pressões políticas e ações na Justiça, pouco se avançou.
Até agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão: a cihexatina, empregada na citrocultura, será banida a partir de 2011. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de São Paulo.
Da lista de 2008, três produtos aguardam análise de comissão tripartite - formada pelo Istituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Ministério da Agricultura (Mapa) e Anvisa - para serem proibidos: acefato, metamidofós e endossulfam. Um item, o triclorfom, teve o pedido de cancelamento feito pelo produtor. Outro produto, o fosmete, terá o registro mantido, mas mediante restrições e cuidados adicionais.
Enquanto as decisões são proteladas, o uso de agrotóxicos sob suspeita de afetar a saúde aumenta. Um exemplo é o endossulfam, associado a problemas endócrinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t. (do Estado de S. Paulo)
AGROTÓXICOS SERÃO BANIDOS DO PAÍS
Baseada em estudos científicos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou consultas públicas com o objetivo de banir dois agrotóxicos registrados no país: a parationa metílica e o forato.
A primeira substância tem uso autorizado em culturas de algodão, alho, arroz, batata, cebola, feijão, milho, soja e trigo, segundo a agência. Estão ligados a problemas neurotóxicos, imunotóxicos, mutagênicos e provocam toxicidade para os sistemas endócrino e reprodutor e para o desenvolvimento de embriões e fetos, além de gerar desordens psiquiátricas, informa a Anvisa.
Já o forato --usado no cultivo do algodão, amendoim, batata, café, feijão, milho, tomate e trigo-- "pode provocar letalidade em doses baixas, por diferentes vias de exposição, e está associado com diabetesmellitus na gravidez, toxicidade reprodutiva e para o sistema respiratório, nefrotoxicidade e neurotoxicidade", relata a agência.
Segundo o Ministério da Agricultura, as duas substâncias estão em descontinuidade natural há muitos anos no Brasil, e o forato, especificamente, não é mais comercializado no país, segundo estatísticas do Ministério.
Os dois agrotóxicos já foram banidos da Comunidade Europeia, diz a Anvisa.
O forato e a parationa metílica constam de uma lista de 14 agrotóxicos em reavaliação pela agência desde 2008.
As consultas ficam no ar por 60 dias no site da Anvisa.
Veja uma apresentação em Power Point sobre o assunto:
http://www.nrfacil.com.br/midias.php?tipo=textos&id_galeria=68a08c4bedc98c2dfd965c4bde5dd2bf

Prof. Samuel Gueiros, Med Trab

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