sábado, 28 de julho de 2012

SOU AQUELA QUE PROMOVE A PAZ


Sem razão, represento aquela profissão que as pessoas têm mais receio de se deparar, mas que nem por isso agem para evitar esse encontro.
Sem razão, na maior parte das vezes sou vista como uma “máquina”, e não como um ser humano que tem os mesmos sentimentos das pessoas e que também chora.
Sem razão, grande parte das minhas decisões é criticada por uma ou outra parte que não entende que não sou eu quem cria as leis, mas sim, aquela que as aplica ao caso concreto.

Sem razão, imaginam que posso resolver todos os problemas do mundo, mas se esquecem que também tenho os meus problemas para resolver e que não raro, sempre ficam por último.

O que as pessoas nem imaginam, é que dentre todas as profissões o meu ofício é o que mais sofre controle de órgãos superiores, e em tudo o que faço, tenho por dever fundamentar. Que bom seria se todas as profissões tivessem tal controle e obrigatoriedade...
Enquanto grande parte das famílias sai para se divertir ou mesmo exercitar-se ao ar livre, para mim, um simples caminhar à beira de um laguinho ou sentar-se em uma praça pública com meu filho pode representar um perigo de vida iminente.

Na verdade, a minha profissão em última instância representa abrir mão daquilo que a maioria das pessoas pode desfrutar: a liberdade. Mas quem se importa com isso?
Sim, por amor e em nome do Direito e da Justiça tornei-me refém da sociedade. Muito prazer sou Juíza de Direito.

Obs. Texto em homenagem a uma jovem Juíza de Direito da Vara Criminal Da Comarca de Bom Jesus do Itabapoana - RJ que tenho tido a honra de acompanhar por ocasião do estágio como Conciliador no Juizado Especial Adjunto Civil naquela comarca, mas que certamente se aplica a todas às Juízas e Juízes de Direito do nosso País.

A luta continua

Bom Jesus do Norte, 25 de julho de 2012

Marcelo Adriano Nunes de Jesus

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