sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O OBJETIVO DE SALVE JORGE



Prezados amigos militares
Como oficial R1 do Exército queria parabenizar o Cel Marcelo Antonio Neves pelo excelente e-mail enviado para muitos oficiais da ativa e da reserva. Estas verdadeiras e corretas observações deveriam ser objeto de intervenção do Ministro da Defesa ou do Comandante do Exército. Concordo com o Cel Marcelo Antonio Neves em gênero, número e grau sobre seu posicionamento no que diz respeito a sua indignação sobre esta novela. Há uma gama de artistas, intelectualóides, produtores de TV da esquerda que são “intelectuais orgânicos”, formadores de opinião, e exercem uma grande influência sobre o pobre povo. Como ensinava Gramsci :
“A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população”.

É lamentável que os Clubes Militares, Clube do Exército e Circulos Militares em todo o Brasil não lancem um manifesto assinado por todos os sócios que são “OFICIAIS DA RESERVA” com nossa indignação pela omissão do Ministro da Defesa e do Comandante do Exército que nada fizeram para impedir esta imagem negativa dos oficiais e do ambiente saudável e leal dos nossos quarteis. No mínimo, poderiam proibir a utilização do Regimento Andrade Neves ou de qualquer outra unidade do Exército para cenário da novela.
 
Prezados senhores

Sou Coronel de Artilharia da turma de 1978 e estou na reserva desde 31 Dez 2009, desde então trabalhando no mundo corporativo.
Estou longe de ser mais um membro da reserva enfurecida, que vê sombras onde não existem, mas não poderia deixar de expressar minha indignação com a imagem que estão delineando da nossa Força, com episódios cada vez mais estarrecedores envolvendo personagens que representam a oficialidade do Exército Brasileiro, num posto que se pressupõe maturidade, equilíbrio e comprometimento com nossos valores mais caros, cultuados desde os bancos acadêmicos (capitães de cavalaria, no nosso exército, só saem da AMAN). 
          
As demonstrações de deslealdade, desequilíbrio, petulância e falta de ação de comando, dão aos expectadores a ideia que o nosso Exército é aquele saco de gatos, a que ficou reduzido o brioso e tradicional Regimento Andrade Neves.
Uniforme histórico do Regimento Andrade Neves
 
Vivo sendo questionado por civis de minhas relações, a perguntar se isso acontece dentro dos quarteis e sistematicamente tenho que explicar que essa não é a expressão da verdade (penso que esse passivo deva cair no colo de inúmeros militares da reserva e da ativa).
De qualquer maneira, nem sempre teremos um Coronel R1 disponível para explicar ao público externo que aqueles capitães e aquele Coronel Comandante, que não conhece sua oficialidade, são obra de uma orquestração muito sutil para reduzir o EB a expressão mais simples e nos nivelar por baixo, como se os valores que cultuamos e fazemos questão de apregoar fossem mero embuste.
Francamente... a ideia de fazer propaganda da Força Terrestre na novela das 21:00 Hs, da Rede Globo, foi no mínimo ingênua e a concordância em utilização de instalações de uma unidade tradicional de Cavalaria para aquela patifaria, beira a irresponsabilidade. Um exército que se preza (e é o nosso caso), não necessita andar na mídia fazendo parte de historietas, a troco de migalhas, de luzes ou da simpatia da mídia.
Decisões como esta atingem a todos nós, da ativa e da reserva e põe em dúvida a credibilidade de uma instituição secular, que desde o nascimento da nacionalidade está presente nos momentos mais críticos da história do Brasil, preservando, defendendo e cultuando valores que nem de longe são mostrados naquela novelinha de quinta categoria.

Marcelo Antonio Neves Cel Art R1

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