quarta-feira, 27 de março de 2013

CRIME CONTINUADO. SRS. PROFESSORE​S - SEGUE PARA O MUNDO

CRIME CONTINUADO

Os petistas transformaram o Enem num crime continuado. As entidades de
professores se calam porque não existem para representar uma
categoria. São meros aparelhos de um partido. As que não são petistas
estão à esquerda do próprio PT e têm, então, o juízo ainda mais
perturbado. As entidades estudantis silenciam porque são extensões do
PCdoB, este exotismo nativo que consegue juntar a adoração a Stálin
com um amor ainda mais dedicado por cargos públicos. Quem não se
lembra das ONGs laranjas fazendo caixa para os comunistas no
Ministério dos Esportes? É o “comunismo de resultados” — no caso,
resultados para o próprio PCdoB. As oposições não se manifestam porque
estão — ih, vou citar Caetano, que também estava citando — pisando nos
astros desastradas. E a educação brasileira continua no buraco, cada
vez mais fundo, mas com uma quantidade de diplomas como nunca antes na
história destepaiz, o que serve ao proselitismo político, seduzindo
alguns tolos.

As barbaridades que vieram a público nas provas de redação são apenas
um sintoma. A doença é mais grave do que parece e ficará entre nós por
muitos anos, por décadas. O PT está queimando o cérebro de gerações.

Há dias, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante — aquele cuja tese
de doutorado está para o mundo acadêmico como o miojo está para a
culinária — anunciou uma grande reforma no currículo do ensino médio.
Segundo afirmou, ela vai seguir a divisão de disciplinas no Enem. Essa
faixa escolar, hoje moribunda, será condenada à morte. Podem escrever.

Vamos com calma, que a coisa é complicada.
O Enem foi criado no governo FHC para ser um instrumento para avaliar
o ensino médio e propor, então, medidas de correção de rumos.
Transformou-se no maior vestibular do país pelas mãos de Fernando
Haddad, sob o aplauso quase unânime e cúmplice, inclusive da imprensa.

Pouco se atentava e se atenta para os absurdos lá contidos. A prova de
redação, por exemplo, vale 50% da nota final, o que é injustificável
sob qualquer critério que se queira. Quando olhamos os itens de
avaliação, a indignação precisa se conter para não se transformar em
revolta. Transcrevo-os (em vermelho):
Competências avaliadas no texto
Número 1 – Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.
Número 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das
várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos
limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Número 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar
informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de
vista.
Número 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos
necessários para a construção da argumentação.
Número 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado,
respeitando os direitos humanos.
Cada um desses quesitos vale 200 pontos. Todos eles plenamente
satisfeitos, chega-se a mil. Os corretores que atribuíram mil pontos
aos alunos que escreveram “enchergar”, “trousse” e “rasoavel”

entenderam que eles alcançaram pontuação máxima no quesito 1: “domínio
da língua”. Assim, deve-se entender que o MEC do ministro-miojo acaba
de incorporar essa ortografia à língua portuguesa.


O Enem estabelece também os critérios que podem levar um aluno a tirar
zero. Prestem atenção:
Razão 1 – Não atender à proposta solicitada ou apresentar outra
estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo.
Razão 2 – Deixar a folha de redação em branco.
Razão 3 – Escrever menos de sete linhas na folha de redação, o que
configura “texto insuficiente”. Linhas com cópias do texto de apoio
fornecido no caderno de questões não são consideradas na contagem do
número mínimo de linhas.
Razão 4 – Escrever impropérios, fazer desenhos e outras formas
propositais de anulação
Razão 5 – Desrespeitar os direitos humanos
Assim, os corretores que não zeraram as provas que trazem a dica para
preparar miojo ou o hino do Palmeiras entenderam — e o MEC os endossou
— que os estudantes estavam atendendo à “proposta solicitada”.
Atenção: o hino do Palmeiras, como quase todos, é narrativo, não
dissertativo.

É evidente que essas provas todas nem sequer foram lidas direito. A
prova do exame que vale 50% está submetida, portanto, ao mais
escancarado arbítrio — arbítrio que se dá também no terreno
ideológico.


Voltem lá às competências avaliadas. Exige-se do estudante do ensino
médio que apresente “soluções” para os problemas — e elas devem,
necessariamente, respeitar os direitos humanos, ou ele pode receber um
zero. Ficamos sabendo, e o MEC mesmo o disse, que receita de miojo e o
“alviverde imponente”, ao menos, respeitam os direitos universais do
homem…

Pantomima
Estamos diante de uma soma de pantomimas de naturezas distintas Há a
técnica: é visível que o MEC não dispõe de mão de obra treinada para
fazer um vestibular de milhões de alunos. As evidências estão aí,
saltam aos olhos. Há a pantomima ideológica: é certo que todos devem
respeitar os direitos humanos. Ocorre que esse é o conceito. Com que
conteúdo será preenchido? Vamos ao exemplo prático.
No dia 5 de novembro do ano passado, escrevi um post esculhambando a
proposta de redação do Enem 2012. Tema: “O movimento migratório para o
Brasil no século XXI”. Já digo por que é uma vigarice ideológica e
política. Antes, quero me fixar nessa história de “direitos humanos”.

Se um candidato achar que os bolivianos e nigerianos que entram
clandestinamente em São Paulo ou os haitianos em situação idêntica no
Acre devem ser repatriados, pergunto: independentemente do mérito da
opinião, isso caracteriza “desrespeito aos direitos humanos”? É
evidente que não. Ou todas as leis de imigração, inclusive as nossas,
seriam desumanas. Pois é… Mas o corretor pode estar com a cabeça
cheia de John Lennon naquela hora e punir o candidato, ainda que ele
seja um exímio redator.
Se não zerar, há o risco de puni-lo com uma
nota baixa nesse quesito. O “respeito aos direitos humanos” é só uma
senha para um filtro que é de natureza ideológica.


O tema da redação, observei então, é uma estupidez em si. Ainda que
houvesse efetivamente um fenômeno de dimensão tal que permitisse essa
afirmação — não há —, cumpria lembrar que estávamos apenas nos 12
primeiros anos do referido século. “Século”, em ciências humanas, não
é só uma referência temporal. É também um tempo histórico. Mais 30
anos podem se passar, sem que tenhamos chegado à metade do século 21,
e podem diminuir drasticamente as correntes — que nem são fluxo nem
são movimento — de migração para o Brasil. Tratar esse evento como
característica de século é burrice. Provo: “O PT é o partido que mais
elegeu presidentes no século XXI”. O que lhes parece? Ou ainda: “O
PSDB é o maior partido de oposição do século XXI no Brasil”. Ou isto:
“O PMDB, no século 21, participa de todos os governos”.

Nas escolas e nos cursinhos, as aulas de redação têm-se convertido —
sem prejuízo de o bom professor ensinar as técnicas da argumentação e
texto — numa coleção de dicas politicamente corretas para o aluno
seduzir o examinador. Com mais um pouco de especialização, o
pensamento será transformado numa fórmula ou numa variante do
“emplastro anti-hipocondríaco”, de Brás Cubas (o de Machado de Assis),
destinado “a aliviar a nossa pobre humanidade da melancolia”. É o que
têm feito os professores: um emplastro antipoliticamente incorreto,
destinado a “aliviar os nossos pobres alunos da tentação de dizer o
que eventualmente pensam”.

A redação, que vale metade do exame, converteu-se num maneirismo
ideologicamente direcionado. Cobra-se dos alunos que repitam as
verdades eternas do petismo e do politicamente correto.
Pensar sem
amarras, numa prova de redação do Enem, pode custar zero ao candidato.
Como se vê, ele corre menos risco com uma receita de miojo e com o
hino de um time de futebol.

Macumbarias
As provas do Enem já são ruins de doer, com suas divisões de nomes tão
pomposos quanto estúpidos:
– Ciências Humanas e suas Tecnologias;
– Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
– Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
– Redação;
– Matemática e suas Tecnologias.
A expressão “suas tecnologias” é mera feitiçaria modernosa. Sabem o
que quer dizer? Nada! Já escrevi aqui um monte de textos sobre a
patrulha ideológica nas provas, seu viés esquerdizante e suas
empulhações. No dia 18 de novembro de 2010, publiquei um post com este
título: ”A prova criminosa do Enem: anatomia de uma empulhação a
serviço da ignorância”.

Muito bem! Mercadante agora diz que vai mudar o currículo do segundo
grau para adaptá-lo às divisões do Enem. Certo! O estudante terá,
então, suponho, aula de “Ciências Humanas e suas Tecnologias”. Nesse
arco, incluem-se disciplinas como história, geografia e sociologia.
Pergunto: os professores de cada uma delas terão de ministrar aulas
também das outras? As “Ciências da Natureza” abrigam física, química e
biologia. Um professor ensina, num dia, o que são platelmintos; no
outro, o Movimento Retilíneo Uniforme e, no terceiro, fala sobre
orbitais? O de Linguagens, Código e suas Tecnologias pode ensinar
qualquer coisa… O ensino de língua portuguesa foi extinto faz tempo.
Os professores deveriam ser substituídos por especialistas em história
em quadrinhos. Exames do Enem e vestibulares em geral são fascinados
por isso.


Mercadante estuda a sua revolução no ensino médio com base em
informações colhidas em provas elaboradas com o rigor que se conhece e
em redações corrigidas com a seriedade que estamos vendo.
Analfabetismo de terceiro grau galopante.

É claro que o Brasil não passaria incólume pelo PT. Entre os
estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de
leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional
(Inaf), divulgado em julho do ano passado pelo Instituto Paulo
Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. Vejam quadro.

Reinaldo Azevedo

http://andradejrjor.blogspot.com.br/2013/03/crime-continuado.html

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