sábado, 31 de agosto de 2013

Alerj pede intervenção da Polícia Federal no caso Amarildo

Ofício emitido ao Ministério da Justiça alega que Governo do Rio está em crise.

Jornal do Brasil
Cláudia Freitas
Líderes de bancadas partidárias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), os deputados estaduais Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) e Clarissa Garotinho (PR) e os deputados Paulo Ramos (PDT) e Geraldo Pudim (PR) solicitaram ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a intervenção da Polícia Federal nas investigações sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza da comunidade da Rocinha. O conteúdo do ofício encaminhado pela Alerj nesta quinta-feira (29/08), justifica o pedido de mudanças nos rumos das investigações, pela crise instalada no Governo do Estado na área de segurança pública, geradas pelos fortes indícios de envolvimento de policiais da UPP em crimes de tortura e mortes na comunidade e pelas divergências entre delegados responsáveis pelos casos.

O documento enviado ao ministro da Justiça pelos deputados foi fundamentado no artigo 144 da Constituição e no seu complemento na lei 10.446/2002, que trata da competência da Polícia Federal em infrações com repercussão internacional. “Acredito que nosso pedido irá surtir o efeito para que a família do pedreiro Amarildo e a sociedade tenham uma resposta mais célere, o que o Governo do Estado foi incapaz de dar”, destacou o deputado Geraldo Pudim, autor da ação. O ofício cita também que o responsável pelas investigações da Operação Paz Armada, o delegado da 15ª DP (Gávea), Ruchester Marreiros, concluiu que a família de Amarildo estava envolvida com tráfico de drogas e chegou a pedir a prisão da mulher do pedreiro, Elisabeth Gomes, mas a promotora do caso, Marisa Paiva, desconsiderou a ordem. Já o atual titular do delegacia, Orlando Zaccone, contradiz a conclusão do seu antecessor de que a residência do casal servia para guardar drogas ou para a fuga de traficantes. As diferenças de opinião e as acusações que pesam contra policiais militares responsáveis pelo policiamento da comunidade justificam o pedido dos parlamentares.

                                Deputado Estadual Geraldo Pudim, autor da ação, e a ministra Maria do Rosário
O caminho apontado no ofício, da Policia Federal assumir as investigações do caso, surgiu após a audiência que o deputado Geraldo Pudim teve com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, na semana passada. Na ocasião, o parlamentar apresentou denúncias de casos que violam os direitos humanos no estado do Rio de Janeiro, entre eles o caso Amarildo. “A Ministra relatou um precedente de intervenção federal que está em curso no estado de Goiás. A partir daí analisamos a possibilidade e vimos que há fundamento jurídico para um pedido de intervenção desta natureza”, disse Pudim.

Na semana passada, o Ministério Público Estadual (MPE) do Rio instaurou um procedimento criminal para investigar as denúncias de moradores e testemunhas de supostos crimes de tortura praticados por policiais das Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) instalada na comunidade contra a própria comunidade. Um dos investigados é o soldado Douglas Vital, conhecido na região como Cara de Macaco. Foi ele quem conduziu Amarildo até o posto da UPP na noite de 14 de julho, durante a operação Paz Armada. Depois disso, o pedreiro desapareceu.

O líder comunitário da Rocinha, Carlos Eduardo Barbosa, afirmou ao Jornal do Brasil, logo após ao sumiço de Amarildo, que o pedreiro e sua família estava sofrendo perseguição e ameaças por policiais da UPP desde o início do ano. Carlos Eduardo registrou em março uma denúncia na coordenadoria da Comissão de Segurança Pública e Privação de Liberdade, órgão ligado à Secretaria Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Rio, relatando as constantes ameaças feitas pelos PMs e citou a família de Amarildo, além da identificação dos policiais. “Nada foi feito, nenhuma providência foi tomada e agora o Amarildo sumiu”, disse o líder comunitário. O descaso com que a denúncia foi tratada pelo Governo do Estado também se transformou em ação e está sendo investigada pelo MPE.

Amigos da família da Amarildo lançaram, na semana passada, uma campanha para ajuda financeira. O cidadão que quiser contribuir com a família de Amarildo, já pode fazer a sua doação através de depósito em conta corrente aberta por parentes. A conta no Banco do Brasil está em nome de Anderson Gomes Dias.

Já que a morte presumida foi negada pela Justiça, o que retarda uma indenização do Estado, a família, aproveitando a oportunidade midiática do caso, apela para "doações" da sociedade para que a mulher de Amarildo continue a beber suas cervejas "lata grande".

 
As "mariposas em busca de holofote" da ALERJ continuam se aproveitando da situação para tirar proveito político, esquecendo que trabalhadores de fato estão também desaparecidos, ente eles o Tenente do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro Rodrigo Groetaers; sem que nenhuma reposta ou atenção seja dada à família ou a sociedade.
 

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