quinta-feira, 29 de agosto de 2013

MAÇONARIA SOBRE RODAS



Um grupo de maçons com uma dose extra de aventura.
Texto: Melissa Sayki e Melanie Retz
Entrevista: Melanie Retz

Eles são polêmicos, atiçam a curiosidade das pessoas e causam furor por onde passam. Adeptos do motociclismo, decidiram abraçar suas paixões: moto, estrada e liberdade.
Mas o que os difere de outros motociclistas? À primeira vista, nada: são motos estilosas, capacetes, cabelos ao vento, jaquetas de couro e uma boa “dose” de adrenalina nas veias. Mas, quando se vê mais de perto, uma espécie de farol de neblina esclarece qualquer duvida: a característica marcante do moto-clube “Bodes do Asfalto” é que todos os seus integrantes são maçons.

Dando nome aos bodes
Certamente você deve estar se perguntando: e esse nome curioso, como surgiu? De acordo com o fundador do grupo, Edson Fernando Sobrinho, essa foi uma forma bem humorada de identificá-los com a Maçonaria. “O nome tem origem antiga, quando os supersticiosos, por desconhecimento, associavam as seitas secretas aos “Adoradores do Bode”. Então usamos a expressão para brincar um com o outro, além do fato de4 que o animal vive livre e não se adapta a limites cercados”, explica. No brasão do grupo, um bode pilota uma motocicleta. Estampado nas costas, o desenho facilita a identificação nas estradas.

Caprinos no retrovisor
Segundo Sobrinho, o motoclube é uma face diferenciada da Maçonaria: mais alegre, ativa e, assim como a dos outros maçons, fraterna e solidaria. Olhando para os “Bodes do Asfalto”, vê-se o reflexo da Maçonaria, mais com uma pitada a mais de aventura: “de certa forma, somos a imagem publica de uma entidade secreta e secular que, para muitos, é sisuda e rigorosa, mas nós queremos mostrar o contrário: somos iguais a sociedade em que vivemos”, afirma.

A ideia do motoclube – fundado em 1º de agosto de 2003, na Cidade de feira de Santana na Bahia – surgiu entre conversa de maçons na Internet, sendo que o plano in inicial era apoiar os “irmãos” motociclistas em viagens, em caso de necessidade. Dessa forma, aproximaria maçons de diferentes cidades, criando uma rede de fraternidade motociclista.
“Barbichas” ao vento

O que os “bodes” não esperavam é que em tão pouco tempo, o motoclube se tornaria um dos maiores do Pais, totalizando mais de 3.200 integrantes, com facções na Bélgica, nos Estados Unidos, na Guiana Francesa, no Japão, no Uruguai, no Chile e no Paraguai. Eles continuam se multiplicando: no Brasil, aceitam novas filiais em qualquer cidade, desde que haja mais de três participantes no local. Sendo assim, cada representação tem seu “point” regional, onde organizam os encontros.

E mesmo com o grande crescimento, o grupo continua mantendo seu principal objetivo: unir os maçons sob o lema “Nós fazemos poeira”. Os integrantes acreditam que andam sempre na frente, deixando poe4ira para aqueles que não acompanham seu ritmo: “Estamos em constante movimento. Quem fica para traz ou parado, acumula pó”, brinca Sobrinho.
Sem pisca alerta

Quem pensa que os “irmãos” motociclistas se reúnem apenas para curtir a estrada se engana. Eles também promovem atividades esportivas e filantrópicas. “A Maçonaria tem por pratica fazer suas ações sociais sem torna-las públicas, os ‘bodes’ também”.  Os membros do grupo ainda participam de eventos, promovidos por eles ou por outros motociclistas, com o objetivo de aproximar pessoas e compartilhar conhecimentos, histórias e experiências.

Para esses aventureiros não importa a quantidade de cilindradas ou o modelo da moto, o que os move é o espírito de liberdade e fraternidade que corre em suas veias e no asfalto das estradas do Brasil e do mundo.


Vida sem fronteiras


Andar de moto é um estilo de vida, quem conhece se apaixona. O movimento que ganha novos adeptos a cada ano, já foi mostrado em vários clássicos do cinema, como O Selvagem, Sem Destino e Diário de Motocicleta. A receita de felicidade desses aventureiros é viver com liberdade e emoção, mas isso não significa que são malucos, arruaceiros e irresponsáveis. Pelo contrário, muitos moto clubes, como o “Bode do Asfalto”, são organizados, seguem um Estatuto próprio e sentem prazer em pilotar uma motocicleta, respeitando a natureza, as regras de trânsito e os companheiros estradeiros.

Para quem conhece, o motociclismo é um universo que envolve um leque de atividades paralelas, como o mototurismo e o motoclubismo, vertentes consideradas apaixonantes por seus adeptos. Quanto aos tombos e as cicatrizes, não importa, pois todos nós estamos sujeitos a quedas. Paea eles, a grande satisfação e sentir que tudo valeu a pena.

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