sexta-feira, 20 de setembro de 2013

SÓ POR DEUS (Opus Dei)



Saiba o que está por trás da organização mais polêmica da Igreja Católica.
TEXTO: Fábio Marinari

Homens e mulheres espalhados pelo mundo, realizando a “Obra de Deus” e mudando os rumos da história. É assim que o sacerdote espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer descreveu a visão que teve em 28 de outubro de 1928 quando decidiu fundar a Opus Dei. Hoje, ela é uma das instituições mais poderosas da Igreja Católica.
 
Após receber o que seria uma mensagem divina, Escrivá iniciou sua busaca por seguidores, pregando que não apenas padres, monges, cardeais e bispos deveriam levar uma vida santa, mas também cristãos comuns. Para tanto, resolveu infiltrar membros de seu grupo na sociedade, mostrando que seria possível levar uma vida regrada. O plano funcionou e, hoje, a instituição possui cerca de 85 mil integrantes em mais de 62 países, recebe tratamento especial por parte da Igreja Católica, mantém importantes conexões políticas dentro dos governos de várias nações, acumula uma fortuna estimada em US$ 2,8 bilhões e se tornou um dos grupos religiosos mais comentados dos últimos tempos.

Das trevas aos holofotes
 
A Opus Dei, que semprte fez questão de viver no anonimato, ganhou notoriedade com o Best-seller O Código da Vinci, de Dan Brown (Ed. Sextante). O livro retrata a organização como um grupo de fanáticos religiosos que orquestra um sanguinário complô para impedir a revelação de segredos sobre a vida de Cristo. Embora a ficção possa ter exagerado ao descrever esse intrigante braço da Igreja, ela contribuiu para trazer à tona o lado oculto da Opus Dei, que é acusada por seus críticos de ser totalitarista, ultraconservadora e agir dentro dos bastidores para promover seus próprios interesses, exigindo cega obediência por parte de seus integrantes, além do controverso auto flagelo.

Disciplina
Uma das praticas mais polêmicas realizadas pelos membros da ordem é o ritual da mortificação da carne, que, na visão de Escrivá, serve para afastar o corpo do pecado e das tentações do dia a dia. Ao menos uma vez por semana, alguns dos membros celibatários do grupo, chicoteiam as próprias costas e nádegas com uma corda de nós chamada “disciplina”. Além disso, usam o “cilício” por cerca de duas horas por dia, uma corrente de metal com pontas, que fica presa à coxa. De acordo com Michael Barret, sacerdote da Opus Dei, as penitências físicas apenas causam desconforto e não provocam feridas como se imagina. “O silício é incômodo, sim, por que do contrário, não teria razão de ser. Mas de modo algum atrapalha as atividades normais de uma pessoa, e muito menos causa sangramentos”.

A postura de motivar pessoas comuns a dedicar sua vida a Deus e fazer parte de sua Obra pode ser considerada louvável, até revolucionária. Já quanto a auto flagelação, o assunto é mais polêmico: Será que dá para falar que ela é por Deus?

A fortuna da Obra
 
Uma sede avaliada em US$ 60 milhões em Nova Iorque, um escritório onde se concentram lobistas do Congresso norte-americano, escolas, hospitais e faculdades com nomes que mascaram o vinculo dessas instituições com o grupo, como a Universidade de Navarra na Espanha, por exemplo. Isso é apenas uma parte do patrimônio de US$ 2,8 bilhões da organização, avaliado por John Allen Jr., um dos maiores especialistas em catolicismo, em sua obra Opus Dei: os mitos e a realidade (Ed. Elsevier).


Um comentário: