sábado, 5 de outubro de 2013

5 de outubro: Dia Mundial do Professor

                                                                Este é o Professor
 
 
Ivanete Conceição, coordenadora do Sepe
 
Para além do lugar comum - e verdadeiro- de que todos os governantes passaram pelas mãos de um professor, é preciso discutir a situação dos profissionais da educação à luz dos projetos sociais e dos direitos.
 
Dos projetos sociais porque são eles que orientam as políticas públicas para a educação. Assim, se se projeta uma sociedade educada, igualitária, civilizada, precisar-se-á de um sistema educacional que forme homens e mulheres com capacidade de pensar autonomamente, de projetar e elaborar soluções para o avanço social e que consigam interagir uns com os outros com pleno domínio dos códigos culturais do seu tempo. Nesse contexto, o profissional da educação tem papel central no processo educacional que vai requerer do mesmo autonomia pedagógica para elaboração cotidiana de atividades, com tempo para planejar e executar projetos.

Dos direitos porque chegamos ao século XXI tendo conquistado – com sangue e suor – garantias de livre organização sindical e partidária e  expressão de opiniões e visões de mundo.  O direito a uma escola pública de qualidade também é negado a milhões de estudantes quando a escola vira objeto de negócios, em muitos casos, grandes negócios.

Em nosso país, e em particular no Estado do Rio de Janeiro, o que estamos assistindo é a implementação de políticas públicas para a educação que são expressão de projeto de sociedade onde uns tem dinheiro para colocar seus filhos em escolas de excelência particulares- caso do Prefeito do Rio de Janeiro e tantos outros governantes, enquanto à maioria resta a escola pública- sucateada, vilipendiada, rasa. O projeto supõe a formação de poucos para comandar e muitos para serem comandados. Desta forma, o professor para essa escola pública pode ser mero repassador de conteúdos mínimos, de forma precária e mal pago.

No campo dos direitos, assistimos atônitos, a negação da livre associação, com perseguição ao sindicato e suas lideranças, difamações, repressão, terrorismo. Criminalizam a greve, as opiniões e vandalizam as ruas promovendo verdadeiros massacres aos educadores quando  estes não abrem mão da luta em defesa de uma escola pública e da possibilidade dos nossos jovens poderem sonhar.

Em tantos outros países sabemos que não é diferente. No México, Chile, Grécia, Portugal, Espanha, etc. educadores também travam brava luta pela educação pública. E a resposta combinada dos governos tem sido o autoritarismo e a truculência.

Será diferente em algum lugar do mundo??? Talvez na Finlândia. Mas aí, é outra história.
*IVANETE CONCEIÇÃO é coordenadora Geral do Sindicato Estadual dos Professores de Educação do Rio de Janeiro (SEPE-RJ)

                                                            Este não é meu professor

Nenhum comentário:

Postar um comentário