terça-feira, 1 de outubro de 2013

MÁFIA


Está no sangue.........
.......e o sangue está nas ruas, na violência e em toda a rede que comanda a organização mafiosa.

TEXTO: Érica de Moraes e Adriana Serrano

No cinema, os mafiosos são pessoas duronas por fora e sensíveis por dentro. Protegem suas famílias e fazem justiça com as próprias nãos, como verdadeiros heróis frente às mazelas da sociedade. Tanto que o maior sonho de seus filhos e netos (sim, as famílias são grandes e unidas) é aproveitar o “sangue azul” e dar continuidade à carreira do patriarca que, fica todo orgulhoso. O que há de realidade e ficção nessas histórias – e o quanto a ação da máfia é certa ou errada – são questões bastante discutíveis. O que se pode dizer com certeza é que se trata de uma organização secreta tão entranhada em nossa sociedade quanto as veias em nosso corpo. Um grupo capaz de circular até nas mais distantes extremidades do mundo. E, claro, atuar bombeado por um poderoso e gelado coração.
Sangue quente ou sangue frio?
Mais do que mocinhos ou vilões, que nosso maniqueísmo insiste em rotular, os mafiosos são profissionais. E, embora lidem com o crime, todo mundo sabe que, na profissão, o ideal mesmo é agir com sangue de barata. Nas origens da máfia, isso fica bem claro. A organização surgiu a Itália do século XIX, quando os grandes latifundiários compravam a proteção de “seguranças particulares” para se proteger de assaltos e saques, já que não havia Estado para fazer esse trabalho. A atividade deu tanto lucro que continuou funcionando mesmo com o desenvolvimento das nações (e das polícias). Na década de 1970, a máfia italiana já funcionava como uma grande empresa, com hierarquias e territórios dominados pelas famílias tradicionais. É nesse momento que surge a mais famosa rede: a Cosa Nostra, da Sicília, que realiza todo tipo de serviço sujo: tráfico de drogas, de armas, sequestros, jogo, lavagem de dinheiro, fraudes......

Coração, veias e artérias
A Cosa Nostra tinha uma hierarquia bem definida: os chefões e seus conselheiros no topo, seguidos por um grupo de subchefes e, na base, os soldados, que literalmente sujavam as mãos de sangue. Acredita-se, no entanto, que essa estrutura tenha caído por terra e que, hoje, a máfia atue de forma globalizada, operando em rede, o que tornaria muito mais difícil a desarticulação de seu centro.
Dando o sangue
Provar fidelidade é algo que está no sangue de uma sociedade secreta criminosa. Para convencer os chefes de que realmente tinha “sangue nas veias”, o candidato a mafioso tinha que fazer um furo no dedo e pingar algumas gotas de sangue sobre uma imagem sagrada: geralmente de uma santa. Ateava-se fogo a esta imagem e o candidato deveria segurá-la em suas mãos e aguentar a dor, passando-a de mão em mão até que ela se queimasse era uma prova de valentia. Ao mesmo tempo, o iniciado tinha que jurar lealdade: “se eu trair a máfia, que minha carne queime como queima essa imagem”, dizia. A frase não tem nenhum exagero: quem traia o código de honra da organização era punido com as mais diversas torturas e até a morte. Na japonesa Yakuza, quem cometesse um erro tinha que arrancar um de seus próprios dedos. Assim, para que seu arrependimento fosse simbolizado pela dor.

A defesa e a proteção dos direitos privados são argumentos dos mafiosos para justificar a “nobreza” de suas ações. Cá entre nós, uma forma estranha de tentar resolver os problemas do mundo. Até porque se todos pensassem assim, estaríamos todos condenados a chorar lágrimas de sangue.
Os dez mandamentos
Quando prendeu Salvatore Lo Piccolo, o chefão da Cosa Nostra, em 2007, a polícia da Sicília divulgou o código de conduta da ordem, veja só:

1 – Jamais vá sozinho a um encontro.
2 – Nunca olhe para mulheres de amigos.
3 – Nunca seja visto com policiais.

4 – Não frequente bares nem boates.
5 – Esteja sempre à disposição da Cosa Nostra, mesmo se sua mulher estiver prestes a dar a luz.

6 – Honre seus compromissos sempre.
7 – Trate sua esposa com respeito.

8 – Quando lhe for solicitada uma informação, responda com a verdade.

9 – Nunca se aproprie de dinheiro de outras famílias ou de outros mafiosos.
10 – Quem se comporta mal, não tem valores morais, tem um parente próximo na polícia ou um parente infiel na família não pode fazer parte da Cosa Nostra.

Embora tenha estreita semelhança, a política brasileira não vai sobreviver como a máfia por dois séculos, não tem os mesmos requisitos de fidelidade e moral, só o criminoso.

Não respeita nem a própria família, quanto mais a família brasileira.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário