quinta-feira, 31 de outubro de 2013

(NR-6 - EPI) Analisando 6 desculpas para não usar proteção auditiva


O artigo abaixo é tradução de texto publicado no site OHS on line mostrando não só como abordar as desculpas para não se utilizar epi auditivo mas tambem trazer alguns exemplos de como essas proteções estão evoluindo até aos chamados EPIs  eletrônicos inteligentes.

DESCARTANDO MITOS SOBRE PROTEÇÃO AUDITIVA
  • By Brad Witt,
    Mestre em Audiologia, Presidente da Associação Nacional para Conserv Auditiva (EUA)
    • Tradução: Prof. Samuel Gueiros, Med Trab, Auditor Fiscal, Auditor OHSAS

Você já teve ter ouvido essas desculpas dezenas de vezes … as razões porque um trabalhador não quer usar o EPI em áreas de risco com altos níveis de ruído. Algumas das desculpas (“eles me incomodam”; “causa desconforto”) são insignificantes quando comparadas ao risco de perda auditiva para sempre.
Entretanto, outras desculpas tem alguma credibilidade que soam quase plausíveis. E se um trabalhador justificar que não usa o EPI auditivo porque ele atrapalha a sua produtividade e que ele se sente melhor sem a proteção auditiva?
Vamos dar um giro através de algumas das mais comuns desculpas que os trabalhadores colocam para não usar seu EPI auditivo e assim derrubar alguns mitos nessa história.

“EU NÃO USO PROTEÇÃO AUDITIVA PORQUE…”



DESCULPA No 1:
A PROTEÇÃO CAUSA INFECÇÃO
Pesquisas mostram nenhum aumento de incidencia de novas infecções no ouvido entre os portadores de epi comparado com a população em geral. É mais provável alguem pegar uma infecção devido a nadar em uma água contaminada do que utilizando EPI auditivo. Entretanto, se o trabalhador já tem uma infecção (ou algum ferimento não infectado no canal auditivo) é melhor substituir o plug de inserção por um de concha. O objetivo aqui é sempre utilizar algum tipo de proteção quando exposto a ruído de risco – mesmo pequenos intervalos de exposição não protegida pode causar dano permanente à audição. Manter alguns protetores em concha à mão como uma reposição temporária para trabalhadores com infecção aguda do ouvido pode ser considerada uma boa prática de higene no trabalho. O importante é tirar o medo do epi achando que vai contrair uma infecção pois trata-se de prática sem fundamento e perigosa. 
DESCULPA No. 2:
O PLUG PODE CAUSAR UM DANO AO TIMPANO
O canal auditivo tem cerca de 35mm até alcançar o tímpano. Mesmo o mais longo plug de inserção disponível no mercado é sempre mais curto que o canal quando totalmente inserido no ouvido. De fato, poucas pessoas sequer conseguiram tocar o seu tímpano – e seria muito doloroso se mesmo qualquer um chegasse perto da membrana timpânica. A estrutura cartilaginosa da abertura do canal auditivo poderia causar uma resposta de alarme antes mesmo de  se conseguir tocar o tímpano. Aliás, é normal quando um plug de inserção  quando é bem colocado cause apenas uma sensação de cócegas. A forma do canal auditivo é como uma ampulheta com um estreitamento no meio. Um plug de inserção  precisa passar através dessa constrição no meio (uma espécie de curva no canal auditivo) a fim de obter o melhor ajuste. Como essa curva é parte do ouvido que é raramente tocada, pode se tornar sensível quando se insere  um plug mas não é possível danificar o timpano, nem que estivesse muito perto.
DESCULPA No. 3:
NÃO CONSIGO OUVIR MEUS COLEGAS QUANDO ESTOU COM O EPI
Em um estudo do Ministério do Trabalho dos Estados Unidos, analisando porque trabalhadores expostos a ruído não utilizam seu EPI auditivo, a primeira razão que aparece é que os trabalhadores temem que o EPI poderia interferir na comunicação e na performance do trabalho. Para trabalhadores com audição normal, a relação sinal/ruído melhora quando se utiliza o plug de inserção sob ruído elevado de tal forma que a conversação é muito mais facil. Mas isto não é o caso de trabalhadores que já tem perda auditiva. Para esses, o EPI produz uma perda dupla da audição – a atenuação do plug se sobrepõe à perda auditiva já existente. Felizmente, os fabricantes tem respondido com a fabricação de epi que facilita a conversação. Alguns tem uma atenuação uniforme em todas as frequências de tal forma que o plug auditivo reduz volume sem distorcer a conversa com um colega de trabalho – a fala soa mais natural. Alguns protetores de concha são fabricados com circuitos de amplificação para tornar a conversa fácil de entender mesmo sob ruído intermitente, mas  que pode mediatamente reverter para um bloqueio de ruído passivo quando um som acima dos níveis de risco for detectado. Algumas tecnologias inteligentes são oriundas de aplicações militares. Por exemplo, quando um som que vem de um rádio de comunicação é aumentado para tornar a conversa mais audível, um ruído de fundo é eletronicamente suprimido. Essas soluções são, entretanto, muito caras, custando milhares de dólares para desenvolver proteção eletrônica inteligente.
DESCULPA No. 4:
EU PRECISO OUVIR O SOM E OS ALARMES DA MÁQUINA
Assim como se costuma dizer “eu estou seguro sem meu cinto de segurança”, a desculpa de que a proteção auditiva  pode bloquear a audição de sinais de aviso e de alarme das máquinas é outro erro. A resposta simples para essa reclamação é simplesmente avançar alguns anos à frente: o trabalhador não protegido não vai ouvir mesmo nenhum alarme ou sinais de aviso se ele de repente for acometido de perda auditiva induzida pelo ruido.  De qualquer forma é preciso estar atento para as preocupações de trabalhadores com excesso de proteção.  O ideal é que um trabalhador deve utilizar uma proteção auditiva  que  permita um nível de ruído ambiental abaixo de 80 (dBA) no nível  do tímpano e ainda que permita ao trabalhador ouvir  o que ele precisa ouvir.  Uma ferramenta agora disponível para gestores de segurança  é  o chamado teste  local de adaptação dos EPIs auditivos. Mais do que se basear em publicações sobre médias e números  muitas vezes fora da realidade nos locais de trabalho, este teste permite medir de forma detalhada quanto de ruído realmente está chegando no tímpano do trabalhador. Um trabalhador sob 95 dB (A) precisa, por exemplo, de não mais do que 15dB de proteção real  e ainda que esteja em condições de poder ouvir sinais de aviso e de alarme. Testes de adaptação real permitem a seleção da proteção mais adequada, e evitar excesso de proteção.

DESCULPA No. 5:
MEUS OUVIDOS FORAM SE ACOSTUMANDO AO RUÍDO
Essa desculpa é particularmente tentadora. Ela se origina em um machismo que despreza equipamento de proteção. Alguns trabalhadores de fato reclamam que seus ouvidos ficaram mais resistentes desde sua primeira semana no trabalho e que a sua repetida exposição ao ruído acabou criando uma espécie de “imunidade” para o dano do ruído. De fato, esses trabalhadores foram dessensibilizados para o ruído – mas não pelas razões que eles pensam; Isso não é devido a imunidade. O que ocorreu é que eles perderam um pouco de sua audição. Detectar sons é uma função de nossos ouvidos que trabalham com nosso cérebro. O cérebro pode de fato desprezar certos sons repetitivos que não requerem nossa atenção imediata, como um sistema de ventilação no escritório, ruído do tráfego, ou um ruído contínuo de um relógio de parede. Mas seus ouvidos sozinhos não tem essa habilidade seletiva de “desligar”. Os ouvidos nunca desligam, mesmo quando estamos dormindo. Um trabalhador afirma que seus ouvidos foram se acostumando com o ruído e porisso não precisa de protetor auditivo, mas o que houve de fato é que ele perdeu audição. Porisso que as audiometrias anuais são essenciais como parte de um Programa de Conservação Auditiva. A perda auditiva é insidiosa na sua lenta progressão, sendo portanto difícil para o trabalhador detectar qualquer redução na audição mês a mês e muito menos ano a ano. Testes audiométricos detectam essas mudanças na audição que são indetectáveis para o trabalhador. Não é incomum para um trabalhador com uma mudança significativa na audição (comparado com um teste padrão) dizer “minha audição tá legal, eu não senti nenhuma mudança”. Mas o teste audiométrico diz uma história diferente e confirma a perda progressiva.

DESCULPA No. 6:
SE EU PERDER A AUDIÇÃO EU VOU CONSEGUIR AJUDA MÉDICA
Com essa  história  “ou eu pago agora ou pago depois” algumas desculpas de trabalhadores pela sua complacência em proteger sua audição é dizer que se perder a audição mais cedo ou mais tarde vai acabar conseguindo alguma cura, mesmo uma prótese. O que acontece é que esses trabalhadores não reconhecem que nenhuma ajuda médica vai restaurar sua audição normal assim como lentes podem corrigir a visão. A perda auditiva induzida pelo ruído não apenas reduz a percepção dos sons, mas muito mais, vai distorcê-los. A queixa mais comum daqueles que sofrem perda auditiva induzida pelo ruído é: “Eu posso ouvir, mas não entendo”. A clareza da mensagem ouvida se foi. Enquanto que ajuda para os ouvidos podem até fazer um bom trabalho amplificando o som eles não conseguem mais trazer a capacidade auditiva para os níveis normais. Enquanto muitas próteses auditivas trazem ótimos benefícios mas não conseguem restaurar a audição ao que ela era quando normal. E mais um aviso: Não há cura pra a perda auditiva induzida pelo ruído. Não existe cirurgia, rehabilitação, medicação, nada que consiga retornar a audição ao nível normal. 

Finalmente, conhecendo esses mitos e enganos, o trabalhador poderá tomar a atitude correta para salvar a sua audição, dentro e fora do trabalho.
No próximo post, algumas recomendações das NRs sobre o assunto.
Boa leitura!
Tradução:


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