sábado, 26 de outubro de 2013

Vinte réis, ou seriam vinte centavos?


A Revolta do Vintém, em 1880, mostra que desde o século XIX a população já protestava pelo preço das passagens do transporte público.
 
Por Claudia Bojunga
O Brasil era uma monarquia e o transporte público dependia da tração animal, mas o preço das passagens já dava dor de cabeça para a população carioca. Em dezembro de 1879, a Coroa decidiu cobrar uma taxa de 20 réis (um vintém) nas passagens dos bondes que circulavam pelo Rio de Janeiro. Essa era apenas uma das medidas que estavam sendo tomadas para contenção do déficit orçamentário do Império, que convivia com uma base tributável pequena e uma estrutura de coleta de impostos pouco eficiente. Próximo ao Natal, a imprensa já relatava a impopularidade do aumento e mencionava a articulação dos protestos.

Em 28 de dezembro de 1879, uma multidão de cerca de 5 mil pessoas se reuniu no Campo de São Cristovão. Da janela de um sobrado, o médico e jornalista republicano Lopes Trovão discursou para a população ressaltando a importância de levar uma petição ao imperador para que revogasse o novo imposto. No fim de sua fala, trovão convocou todos a se dirigir ao Paço da Boa Vista, para entregar diretamente ao a D. Pedro II uma petição contra o reajuste.

Quando os manifestantes chegaram ao portão do palácio, depararam com um pelotão da cavalaria, armado de cassetetes e sob o comando do chefe de polícia municipal Felix José da Costa e Silva, que impediu a entrega da petição e obrigou a multidão a recuar. Algumas horas depois, um mensageiro avisaria que o monarca aceitaria receber uma comissão para discutir o assunto. No entanto, o grupo liderado por Lopes Trovão e outros militantes, de tendências republicanas, decidiu recusar a proposta, talvez com o intuito de usar a situação em beneficio de sua causa.
Naquele dia tudo transcorrera  pacificamente, mas seria diferente a 1º de janeiro de 1880. Essa era a data marcada para o inicio da cobrança da taxa pelas companhias de bonde, principal transporte urbano à época. Uma manifestação fora marcada na Praça XV (então chamado Largo do Paço), diante do chafariz de mestre Valentim. Tudo começou com vaias para o governo e aplausos para os jornais de oposição, enquanto Trovão propunha o boicote ao imposto que temerosos condutores já não faziam questão de cobrar. No de correr do dia, os manifestantes se dividiram em dois grupos e os protestos tornaram-se violentos, com ataques a lojas, como a Casa Lapport, de armas, na Ouvidor, a rua de comercio mais sofisticada da cidade. Bondes foram depredados, trilhos arrancados e condutores espancados. Os animais que puxavam bondes acabaram sendo alvos da multidão rebelada: foram esfaqueados.



VÂNDALOS A repressão da polícia foi violenta, com tiros disparados em direção à multidão. O Exército foi convocado e também abriu fogo contra a população. As armas dos revoltosos eram os paralelepípedos, que eles arrancavam das ruas e jogavam nos soldados, garrafas e pedaços de pau.
Alguns grupos chegaram a montar barricadas, fechando ruas como a Sete de Setembro e a Uruguaiana. Esta ultima testemunhou o enfrentamento de manifestantes contra um grupo de 400 soldados da cavalaria do Exercito. “Como nos dias de hoje, a indignação contra a violência policial serviu como fermento para a revolta”, observa o professor de História da PUC-Rio Leonardo Pereira. (esse professor é esquerdista, só pode. No texto, manifestantes estavam com paralelepípedos, atacaram lojas de armas, depredaram, espancaram , feriram e mataram animais com facadas, mas o discurso é sempre o mesmo, violência policial).


A chuva ajudou a dispersar os manifestantes, mas, durante os três dias seguintes, mais distúrbios e depredações aconteceram. Três vitimas – do lado dos manifestantes – foram enterradas no cemitério São Francisco Xavier. Em meio a tudo isso, até políticos conservadores, em estado de perplexidade, passaram a apoiar o cancelamento da medida que taxava a passagem de bonde. Na imprensa, artigos e cartas também defendiam o cancelamento da cobrança de 20 réis.

Os conflitos foram aos poucos diminuindo e a Revolta do Vintém acabou. O episódio obrigou as autoridades a cancelar o reajuste da passagem de bonde.
Pereira ressalta a semelhança da revolta do Vintém com o movimento que ganhou as ruas em junho em várias cidades, que vai desde a coincidência dos aumentos de 20 centavos dos ônibus de São Paulo e dos 20 réis dos bondes cariocas de 1878 até a resposta violenta das forças do Estado. “A repressão policial das manifestações hoje aconteceu com balas de borracha, mas balas de verdade foram usadas na Maré”. O historiador se refere à violenta incursão do BOPE no Complexo da Maré, na noite de 24 de junho, que matou nove civis. (Esse historiador é mesmo esquerdista. O BOPE agiu em confronto com bandidos que promoveram arrastão em toda área, sendo um policial morto na ocasião).

Link: noticianua

A polícia teria entrado na Favela Nova Holanda, na Maré, em busca de assaltantes, após uma manifestação na Av. Brasil.


QUEM FORAM OS VÂNDALOS – Em junho, o Brasil presenciou cenas que ficarão marcadas na memória. Mas, no meio do movimento, vândalos agiram, depredando patrimônios, realizando saques e causando destruição. Mas qual é a origem da palavra “vândalo”?
O termo remete à Europa no século III e a uma tribo germânica, procedente da Escandinávia, chamada “wandeln”, ou, em latim, “vandali”. Os vândalos invadiram o Império Romano entre 400 e 401 e se instalaram, criando um Estado ao norte do continente africano, centralizado na cidade de Cartago – hoje, região de Túnis, na Tunísia.

Já no ano 455, os vândalos invadiriam a própria capital do Império de Roma, onde realizaram saques por duas semanas e destruíram obras de arte. A resposta veio em 468, quando os vândalos re4sistiram a um ataque do Império Romano do Oriente. Em 534, porém, após uma batalha contra o mesmo império, travada no território da atual Argélia, o reino dos vândalos se rendeu. (Vinicius Palermo)
 
Obs: Os comentários em azul e as fotos atuais não fazem parte do original.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário