terça-feira, 19 de novembro de 2013

Trote não é tortura

Iniciei minha vida militar bem jovem, com 15 anos, e o trote me foi apresentado bem cedo. Foi encarado como uma brincadeira saudável, praticada nas horas ociosas do Corpo de Alunos, nunca em período laboral.

Consistia em sacanear o mais moderno, onde o aluno mais antigo impunha tarefas para que o mais moderno executasse. Lembro-me decerta vez, o terceiranista de mesmo número que o meu (cologue), determinou que pegasse a cobertura do segundoanista e sumisse, o que foi feito. Foi uma desabalada correria pelos pátios da EPCAr.

Esta pratica nunca extrapolava os limites e sempre foi, como é, comum, principalmente nas Escolas Militares.
Na PMERJ, nunca vi nem vivi isto com requinte abusivo. Em 1982, ano de meu ingresso, alunos primeiroanistas da “EsFO”, sem ter mais modernos que eles na escola, vinham nos intervalos ao CFAP aplicar trotes nos alunos do CFSd, mas nada que se aproximasse a tortura. Eram jovens, e tudo lhes era novidade. Naquela época o ingresso no CFSd PMERJ e na EsFO tinha idade máxima de24 anos, hoje pode chegar aos 36 anos e na APM aos 45 anos, portanto, homens maduros.

É certo que os exames médicos e físicos avaliaram todos os inclusos em cursos de formação da PMERJ, estando aptos para a formação deum policial militar, de um policial militar, não de um membro de forças especial com alto desempenho.
O acontecido nesta semana em curso de formação de soldados da PMERJ indica que algo está errado, currículo precisa ser cumprido.

*“A aula foi das 5h às 23h. Fizemos exercícios pesados sob sol forte. De meio-dia às 13h, fomos obrigados a ficar sentados no asfalto quente. Muitos tiveram queimaduras nas nádegas, assim como eu. Por conta de flexões, alguns queimaram as mãos e os pés. Outros, receberam baldes de água gelada e tiveram choque térmico”

Ora, existem dezenas de salas de aula naquele Centro, por qual motivo que não seja a maldade foram submetidos a este tratamento? Tempo ocioso? Falta de instrutores capacitados?

“Segundo o aluno, naquela tarde, na última terça-feira, a sensação térmica era de cerca de 50 graus, quando, por volta de 13h, o recruta Paulo Aparecido Santos de Lima, de 27 anos, desmaiou durante uma corrida. Desde então, Paulo está internado no Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio. Segundo a corporação, seu estado de saúde “é grave, porém estável”.”

Corrida às 13 horas? Depois de refeição realizada as pressas? Onde estava o profissional em educação física? Estado de saúde grave, porém, “estável”. Ele está morto!

O mais estranho é ver comentários, inclusive de policiais militares, adjetivando as vitimas de “frouxos”, “amamãezados”,  que no BOPE a coisa é diferente. Ora, que lástima.
Para ingressar no BOPE exames médicos e físicos são refeitos para comprovar a capacitação em formação extrema, coisa que para o policial militar no policiamento de rotina não é exigido.


*“PRECISA QUEIMAR O PÉ PARA ENFRENTAR BANDIDO ,PRECISA DAR TIRO E CONHECER A LEI PARA PRENDER CERTO E NÃO FICAR FAZENDO LAMBANÇA”

*“
POLICIAIS MILITARES, somos fortes porque temos treinamentos fortes, nôs leva a ter um combate forte, não estou aqui para defender o excesso, mais um treinamento sério, encima da hierarquia e disciplinar;estão formando Policias Militares para as UPP's, policias sem nenhuma disciplina, chorões e fracos..POLICIAS MILITARES tem que ser acima de tudo FORTES”

Creio que a PMERJ está perdida e sem comando, isso não é admissível, é falta de profissionalismo e responsabilidade. E onde não há responsabilidade é preciso supervisão, supervisão externa, já que a interna é conivente ou incompetente.

2 comentários:

  1. SERÁ QUE VAI TER PUNIÇÃO SEVERA!!!!
    O MP VAI ENTRAR NO CASO!!!!
    COMO FICA A FAMILIA DESSE JOVEM,GOVERNADOR!!!

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  2. Obrigado pelo texto, Ricardo, muito esclarecedor. Abraços,

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