segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Bolsa Família mascara os números do desemprego no Brasil

Consultor diz que beneficiados pelo programa do governo Lula optam por ficar sem trabalho e distorcem os dados das pesquisas.

Embora níveis de emprego sejam elevados, ineficiência da mão-de-obra brasileira preocupa, de acordo com Gilberto Guimarães

EXAME - 25/11/2010
São Paulo - O IBGE divulgou nesta quinta-feira (25/11) que a taxa de desemprego no Brasil chegou a 6,1% em outubro, o menor nível em oito anos. Entretanto, para o consultor especialista em empregos Gilberto Guimarães, os dados não representam a realidade do país. Existe uma distorção provocada por programas de assistência do governo. "O Bolsa Família mascara os números sobre desemprego no Brasil."
Guimarães, que é presidente da consultoria BPI no Brasil, explica que os beneficiados pelo programa criado pelo presidente Lula se enquadram em uma categoria que o IBGE chama de "trabalhadores desalentados". Este grupo é formado por pessoas que estão sem emprego e desistiram de procurar uma nova oportunidade.
"Para não perder a verba recebida, muitos preferem continuar sem trabalho. Isto os exclui da População Economicamente Ativa, e também dos números no cálculo do desemprego", explica o consultor. 
Procurei várias publicações a respeito do assunto para condensar num texto,mas, não foi necessário. O texto abaixo, do Economista de Mato Grosso Waldir Serafim muito bem explana a questão. Não estamos bem na questão emprego, podendo ser comparado a países em crise econômica.
Porque uma calça pra uma jovem de 16 anos custa mais de 300 reais.
A taxa de desemprego: uma falsa medida
Autor: Waldir Serafim
Diante de uma Europa que atravessa uma fase de altíssimas taxas de desemprego, com quase 25% de sua população desempregada, pode parecer, à primeira vista, que o Brasil, cuja taxa de desemprego, medida pelo IBGE, foi de 5,4% em janeiro de 2013, está voando em céu de brigadeiro. Não é bem assim. Essas estatísticas, embora venham de fontes fidedignas, falseiam a realidade. É preciso uma análise mais acurada, para entender o fenômeno.
A taxa de desemprego é uma porcentagem da População Economicamente Ativa (PEA) que está desempregada e, no Brasil é calculada por diversas instituições, que utilizam metodologias diferentes. Além do IBGE, nós temos também a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (DIEESE), que também calculam a taxa de desemprego.

O IBGE, com base em dados de seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Salvador, utiliza como metodologia o critério de desemprego aberto, no qual somente as pessoas que no período de referência estavam disponíveis para trabalhar e realmente procuraram trabalho são consideradas desempregadas. O Seade e o Dieese - que realizam a pesquisa no Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife - adotam o critério de desemprego total, que engloba também o desemprego oculto e nesse estão inseridos o empregado em trabalho precário e o desempregado pelo desalento.

Os cálculos apresentam resultados bem diferentes. Por exemplo, em janeiro de 2013, enquanto o IBGE aponta uma taxa de 5,4%, o DIEESE calcula a mesma taxa em 10,0%, ou seja, quase o dobro. E isso não é tudo, o IBGE considera como empregada mesmo uma pessoa que tenha trabalhado apenas uma hora durante a semana, a qualquer soldo. Assim, mesmo aquelas pessoas que jogam malabares nas esquinas do país, são consideradas empregadas.
Além disso, as metodologias utilizadas apresentam diversos vieses que distorcem os resultados e precisam de uma melhor reflexão.

O primeiro viés é quanto à abrangência da amostra. Como se pode ver acima, ambos os institutos pesquisam apenas as regiões metropolitanas que, por serem capitais políticas, têm a economia mais dinâmica, principalmente o setor de serviços governamentais e não governamentais que, a rigor, é o único setor que está em crescimento no país. Os empregos na indústria e no comércio em geral estão minguando enquanto crescem no setor de serviços. Logo, essas regiões são as menos afetadas pela queda no emprego. Abrangesse a pesquisa o interior do país e o resultado seria bem diferente.

Outro viés relaciona-se à metodologia aplicada. Ambos os institutos usam na base de cálculo a PEA - População Economicamente Ativa - que englobam as pessoas em idade adulta, que estão empregadas ou procurando emprego - ao invés da PIA - População em Idade Ativa, que compreende o conjunto de todas as pessoas teoricamente aptas a exercer uma atividade econômica.

A diferença entre a PEA e a PIA não é pequena. O DIEESE calculou que para as regiões pesquisadas, em janeiro de 2013, a PIA montava 37,3 milhões e a PEA 22,5 milhões de pessoas. Portanto, somente nessas regiões existe um contingente 14,8 milhões de pessoas que poderiam estar no mercado de trabalho, mas que não estão nem empregadas nem procurando emprego e, portanto, fora da estatística.

E quem são essas pessoas? São basicamente os incapacitados, os estudantes e as pessoas que cuidam de afazeres domésticos as donas de casa, além de outras categorias não remuneradas. Também fazem parte desse contingente os beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família que, em sua maioria, acomodam-se numa determinada zona de conforto e não participam mais do mercado de trabalho. Seriam classificados como desalentados, que o IBGE considera todo aquele que está desempregado e há mais de um mês não busca emprego.
O leitor pode ficar surpreso, mas há de concordar que se o país não tivesse desemprego, como afirmam as estatísticas, não precisava ter o programa Bolsa família, não é mesmo?
Agora vamos fazer as contas. Segundo informações do governo, existem hoje 13,8 milhões de famílias inseridas no Bolsa Família. Considerando apenas duas pessoas em idade adulta, o pai e a mãe, nós teremos um contingente de 27,6 milhões de pessoas desempregadas e não procurando emprego, e que estão fora das estatísticas, somente por conta desse programa.
Como se pode ver, nossa situação é bem assemelhada à europeia, que está passando por uma crise sem precedentes, mas, enquanto lá os resultados são apresentados sem disfarce, os nossos resultados representam uma falsa medida.
Waldir Serafim é economista em Mato Grosso
A real taxa de desemprego no Brasil
por , sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Desde que comecei a prestar mais atenção no assunto — e, principalmente, desde que me inteirei melhor da metodologia —, perdi completamente o interesse pelo indicador.  Ele não indica nada.  A metodologia do IBGE é totalmente ridícula.  Um malabarista de semáforo é considerado empregado.  Um sujeito que vende bala no semáforo também está empregadíssimo.  Um sujeito que lavou o carro do vizinho na semana passada em troca de um favor é considerado empregado (ele entra na rubrica de 'trabalhador não remunerado').  Se um sujeito estava procurando emprego há 6 meses, não encontrou nada e desistiu temporariamente da procura, ele não está empregado mas também não é considerado desempregado.  Ele é um "desalentado".  Como não entra na conta dos desempregados, ele não eleva o índice de desemprego.

Além disso, o índice também coloca na rubrica 'empregado' todas aquelas pessoas que exercem trabalhos considerados precários, como o sujeito que trabalha poucas horas por semana e gostaria de trabalhar mais, mas não consegue (muito provavelmente por causa das regulamentações trabalhistas), e o sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo.  Ou seja, você substitui seu vizinho na barraca de pipoca dele por três dias.  Em troca, ele lha dá R$250.  Você foi considerado pelo IBGE como estando empregado — tendo efetivamente trabalhado 3 dias no mês.
Com todos esses truques, não é de se estranhar que o Brasil esteja com "pleno emprego", mesmo com sua arcaica legislação trabalhista, sua escandinava carga tributária e seus espoliadores encargos sociais e trabalhistas.

4 comentários:

  1. É simples o índice de desemprego pode ser avaliado pela quantidade de bolsa família, se bem, que nem todos desempregados se sujeitam a humilhação de receber esta mixaria!

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  2. Bolsa família e desemprego? Não entendi essa relação.

    Os governos e as oposições adoram números. Em um ano eleitoral, números negativos ou positivos fazem parte da guerra nojenta pelo poder. Um dos índices favoritos de quem está e de quem quer chegar ao poder é a taxa de desemprego. O que ninguém se pergunta é o que é, afinal, um emprego. Emprego é trabalhar em troca de renda fixa? É possuir assiduamente a carteira assinada? É ter patrão? É ser operário de uma fábrica? É não receber o amado e odiado bolsa família? Existe emprego informal? Alguém que trabalha em bicos cotidianos e recebe bolsa família como complemento de renda é um desempregado? O patrão, pequeno, médio ou grande burguês, que cuida do seu próprio negócio, é um desempregado? Os associados de uma cooperativa estão desempregados, estão ali por que não conseguiram empregos formais? A costureira que tira suados cinquenta reais por dia precisa de um emprego?

    Diante de todas essas dúvidas, o que os números do sagrado índice de desemprego informam, no final das contas?

    Muitas famílias pobres no Brasil garantem a “renda” com várias pequenas atividades produtivas, algumas fixas, outras temporárias, recebem bolsa família, pensões e aposentadorias, e conseguem ir “levando a vida do jeito que dá”. Estão distantes da sonhada e suposta vagabundagem que o bolsa família deveria provocar, para a tristeza dos cegos críticos ao Programa do PT nacional. Os críticos, cegos, exigem que caia do céu, de repente, a batida geração de emprego e renda em cada rincão do país. Querem (será que querem mesmo?) a formalidade trabalhista para o povo. Bem, dizem que querem para desprestigiar o atual governo, mas fazem cara feia para as novas leis trabalhistas que procuram proteger a labuta do segmento das empregadas e dos empregados domésticos. Aí já seria formalidade demais para o nosso jeitinho brasileiro de explorar os outros. Lavar a louça dos outros não pode ser considerado um emprego, ora!

    Gerar empregos e rendas formais é muito difícil em qualquer contexto, mas no Brasil, que até bem pouco gente morria de fome, é mais complicado ainda. Para que uma Fiat, por exemplo, se instale no interior do Ceará e, quem sabe, gere empregos locais, é uma batalha entre governo brasileiro e Fiat. A Fiat, como qualquer grande empresa, não quer se instalar em nome de justiça social ou desenvolvimento local. Ela não quer expor sua planta industrial em um lugar onde não terá certeza absoluta de lucros astronômicos. Então o governo, obcecado por “geração de emprego e renda” e mais votos, oferece incentivos para a Fiat, a “pobrezinha”, por meio de vários descontos e financia com baixos juros o empreendimento. A “coitadinha” também passa a receber isenção de alguns impostos, se ela, enfim, decidir se instalar em zona de semiárido. Mesmo assim a Fiat, ou outra grande empresa, geralmente, não quer, ou bota muito boneco para se instalar. Botar boneco é pôr entraves. Ela põe entraves porque prefere o conforto de outras zonas de instalação. Quer dizer, se uma Fiat da vida precisa tanto do governo, de recursos públicos, para ampliar suas plantas industriais, precisa tanto de “bolsa-empresa”, por que o povão não pode receber um complemento de renda, que é o bolsa família?
    (Emanuel Oliveira Braga)

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  3. Não sou contra o 'Bolsa', mas sejamos honestos.
    Se o governo quer ajudar realmente, que se acenda a luz, cartas na mesa.
    Ora, se faz parte de programa social que envolve QUANTIAS EM DINHEIRO, esse sugeito não pode ser considerado 'empregado'. E tb não deveria ter o direito a voto por motivo óbvio. Se não está instaurada a compra oficial de votos no país.

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  4. Esse artigo do Waldir Serafim é ignorante ou mal intencionado porque calcula TODOS os beneficiários do bolsa família como sendo desempregados. Sabemos que isso não é verdade, o que é suficiente pro artigo perder toda a credibilidade. Mas creio sim que os beneficiários que não trabalham deveriam ser considerados desempregados. Levando em conta que esse artigo não me passou credibilidade nenhuma, preciso pesquisar fontes confiáveis para saber se estão ou não estão sendo considerados.

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