segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Mais sobre os caças Suecos, com a palavra os especialistas

1 - Acho que o melhor seria dizer que  a Suécia vence e o Brasil perde…

Não tenho conhecimento técnico para julgar essa decisão, mas certamente posso dizer que estrategicamente não me parece uma escolha muito inteligente.

De acordo com o artigo a escolha foi baseada em performance, transferência de tecnologia e custo. O próprio artigo menciona que muitos componentes do avião são americanos. Qualquer pessoa que trabalhe na indústria aeronáutica sabe que através do ITAR os Estados Unidos controlam qualquer tecnologia que possa ser considerada uma ameaça para eles, portanto, achar que haverá transferência de tecnologia que ameace o poderio militar americano é ridiculamente simplório. Alguém realmente acha que esses 36 caças poderiam deter uma investida militar americana?

O que a SAAB pode ofecer ao Brasil em termos estratégicos para o desenvolvimento da nossa indústria aeronáutica? Uma parceria com a Boeing, como a maior indústria aeronáutica do mundo, poderia nos dar avanços na área militar e comercial. Espero que a parceria que a Embraer tem com a Boeing para o KC-390 não seja afetada por essa escolha.
                                                              Cargueiro KC-390

Na verdade, essa escolha me parece uma idéia do PT de "dar o troco" no caso de espionagem e criar o "polo aeronáutico" de São Bernardo. Quanto ao caso de espionagem, antes de culpar o Obama, é importante entender o contexto americano, no qual houve um avanço no uso de coleta de informações de inteligência desde o atentado de Nova Iorque, promovido pela aprovação do Patriot Act pelo congresso americano. Existe no momento uma forte discussão para limitar as ações do NSA. Certamente a Dilma deve se sentir aviltada por ter sido espionada, já que nunca fez nada contra os EUA e o Putin deve estar indignado porque nunca aprovou esse tipo de procedimento. O Brasil nunca espionou, apenas usou procedimentos de contra-inteligência. A verdade é que todos os países têm formas mais ou menos sofisticadas de espionagem, o que não elimina a necessidade de uma discussão sobre o que o governo pode espionar.

2 - Fui instigado a contribuir com o tema, pois estive envolvido no processo, do outro lado, ao ter sido contratado como consultor para elaborar o pacote de offset da SAAB/BA, há muitos anos atrás.

Essa licitação, em suas duas vertentes (FX1 e FX-2) levou um tempo absurdamente longo para ter o desfecho que ora foi divulgado pela imprensa.Como observador, creio que o país demorou mas acertou em cheio nesta escolha. Parabenizo a FAB.

Sem analisar profundamente o conteúdo da transferência de tecnologia na industria aeronáutica oferecido e negociado, gostaria apenas de contrapor que meus estudos, por mais de 20 anos, demonstram que a maioria das negociações desse calibre são vencidas pelos fornecedores que oferecem compensações indiretas (tecnologias), ou seja, que beneficiam outras indústrias, tais como: telecomunicações, energia, transporte, alem de outras forças como Exercito e Marinha. Dessa forma, pode-se inferir que o peso maior no processo decisório envolve questões estratégicas de alto nível, muito alem dos interesses particulares da Aeronáutica.

Acredito que os benefícios a serem obtidos com essa negociação terão um efeito positivo em nossa economia, a exemplo de outras negociações semelhantes em que o GRIPEN foi vencedor na Africa do Sul e Hungria, por exemplo.Cumpre ainda destacar que o valor dos benefícios estarão intrinsecamente relacionados a capacidade de absorção das industrias brasileiras beneficiadas por essa colaboração.

um abraço a todos

3 - O comentário que fiz sem dúvida é tendencioso, afinal já são quase 30 anos que trabalho na Embraer.
Espero que realmente o Brasil tenha conseguido um bom offset com a Suécia, embora a Dilma talvez tenha perdido a oportunidade de ser mais transparente nessa área. O que foi publicado na imprensa pareceu mais uma resposta política ao incidente da espionagem americana através da NSA.

Acredito que para a Embraer foi a pior decisão porque mais importante que a montagem desses caças é o desenvolvimento do KC-390.  A Embraer já tem uma capacitação tecnológica e produtiva respeitável, fazendo parte de um seleto grupo de países que realmente sabe projetar e construir aviões sofisticados. O desafio tecnológico de projetar e produzir um avião como o KC-390 é o fronte onde a Embraer está apostando e onde realmente pode haver uma grande evolução para nós. Uma parceria mais próxima com a Boeing, através dos F-18, poderia se aprofundar no desenvolvimento do KC-390 e nos colocaria numa posição de mercado mais favorável, quando tivermos que competir com o gigante americano no mercado de transporte militar, a Lockheed, fabricante do C-130. Eu acredito que transferência de tecnologia só realmente existe quando há uma aplicação sustentável da tecnologia e a Embraer/FAB sempre entenderam bem essa questão e tiveram estratégias coerentes de desenvolvimento da capacitação aeronáutica brasileira. Por isso custa-me acreditar que o Gripen foi a decisão unânime da FAB. Na minha opinião, foi a pior decisão, mas pelo menos foi uma decisão…
Eu não atuo na área militar, mas dando uma sapeada na web vejo que o Gripen é um avião com modesto volume de vendas (cerca de 250 produzidos) usado por 4 forças aéreas no mundo (Africa do Sul, República Checa, Hungria e obviamente Suécia). A Africa do Sul, país com uma modesta força aérea, comprou o Gripen JAS 39, que atualmente está numa situação delicada nesse país (veja notícia abaixo, publicada alguns meses atrás, em 31Jul2013). O Brasil comprou o Gripen NG, que ainda está em desenvolvimento.

Four months after admitting that 12 of its 26 Gripen jet fighters had been placed in storage because they were too expensive to operate and there were not enough qualified pilots to fly them, South African officials admitted that the maintenance contracts for all the Gripens had expired in April. That made long term use of the Gripens dangerous. This contract was with a reliable, and expensive, South African firm (Denel). The maintenance contracts pay for ongoing support for the aircraft to include updates and warnings on problems other users have encountered as well as access to manufacturer engineers and maintenance experts. Aircraft become more dangerous to operate (if they operate at all) without regular maintenance and these maintenance contracts are a critical part of that. Some South African politicians are now calling for the Gripens to be sold, as there is not likely to be sufficient money to operate them and retain qualified pilots.

Quatro meses depois de admitir que 12 de seus 26 caças Gripen tinha sido colocado em armazenamento, porque eles eram muito caros para operar e não havia pilotos qualificados o suficiente para voar eles, autoridades sul-Africano admitiu que os contratos de manutenção para todos os Gripens tinha expirado em abril. Esse uso a longo prazo feito dos Gripens perigosos. O contrato foi com uma empresa sul-Africano de confiança, e caro (Denel). Os contratos de manutenção de pagar por apoio contínuo para a aeronave para incluir atualizações e alertas sobre os problemas de outros usuários não encontrados, bem como o acesso a engenheiros fabricante e especialistas de manutenção. Avião se tornar mais perigoso para operar (se operam em tudo) sem manutenção regular e estes contratos de manutenção são uma parte crítica do que isso. Alguns políticos do Sul Africano estão chamando agora para os Gripens para serem vendidos, já que não é provável que seja o dinheiro suficiente para operá-los e reter pilotos qualificados.

Os comentários foram feitos por profissionais experientes e altamente capacitados no que tange a aviação militar. Dá para se ter uma ideia se a compra tem respaldo técnico ou foi decisão política, já que um prefeito do PT foi à Suécia visitar a empresa fabricante do Gripen em 2010.
Marinho, que foi à Suécia visitar a empresa fabricante do Gripen em 2010, disse que a escolha pela Saab garante investimento e transferência da tecnologia dos caças para São Bernardo Foto: Divulgação
Modelo defendido pelo prefeito de São Bernardo é o que permite maior transferência de tecnologia.

http://rvchudo.blogspot.com.br/2013/12/o-que-demorou-17-foi-resolvido-por-aval.html

Nota: Não identifico o nome dos comentaristas de jeito nenhum.



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