quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

PT prepara desagravo aos colegas ‘injustiçados’


Apoio a Genoino, Dirceu e Delúbio em evento da sigla ocorre após debate interno

05 de dezembro de 2013
Eduardo Bresciani e Vera Rosa - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O PT fará um ato de desagravo aos correligionários presos no processo do mensalão - José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino - durante o 5.º Congresso do partido que acontecerá na próxima semana, de 12 a 14 de dezembro, em Brasília. O assunto fez parte de debates internos ao longo das últimas semanas e a Executiva da legenda escolheu fazer um evento isolado para evitar que o tema dominasse a abertura do congresso e constrangesse a presidente Dilma Rousseff, que estará presente. Apenas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou aos petistas que tratará do mensalão na abertura do encontro.
O ato já consta da programação oficial do evento. Na sexta-feira, 13 de dezembro, às 10 horas, o tema será tratado com o seguinte título: "Solidariedade aos companheiros injustiçados". A ideia dos organizadores é demonstrar o apoio do partido aos condenados, que mesmo presos não passaram por qualquer processo disciplinar na legenda. São esperadas também fortes críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, especialmente, ao presidente da Corte, o ministro Joaquim Barbosa.
A decisão de fazer a homenagem surgiu após Dirceu, já preso na Papuda, em Brasília, ter reclamado de que o ex-presidente não tinha se manifestado sobre as prisões, como revelou o Estado. Lula, então, discutiu com a cúpula petista a fórmula mais adequada para a homenagem.
Participarão do congresso 800 delegados de todo o País. Na abertura, será dada posse ao presidente da legenda, Rui Falcão, reeleito com ampla maioria no mês passado. A composição da nova Executiva só deve ser acertada na véspera, no dia 11, quando o partido reunirá seu diretório nacional.
Conteúdo. A reunião da sigla quase foi cancelada devido à falta de conteúdo para os debates. Como, porém, o hotel em que será realizado o evento já estava reservado, inclusive com a hospedagem dos delegados paga, optou-se por manter o evento mesmo após a prisão da antiga cúpula do partido. Serão realizadas apenas duas mesas temáticas: Perspectivas do 5.º Congresso e Legado e Futuro do Projeto Democrático Popular.
No texto-base do documento que será discutido no congresso, elaborado pelo assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia e pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), o PT vai criticar o sistema político-eleitoral, que, na avaliação da legenda, "favorece a corrupção e corrói o conteúdo programático da ação governamental".
O texto também critica o Judiciário, definido como "lento, elitista, pouco transparente e permeado por interesses privados". Há ainda uma autocrítica sobre a "burocratização" do PT e a definição de um mote para a campanha de 2014 na defesa dos anos no governo: "Nunca menos".

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