quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

“PRÁ QUEM VÊ A LUZ, MAS NÃO ILUMINA SUAS MINI-CERTEZAS” (Cazuza)

Ele é Professor por vocação, está nas redes sociais, e como não poderia deixar de ser, aprendo com ele. Merece atenção seus textos.

Há mais ou menos uns oito ou nove anos assisti a uma defesa de tese de doutoramento no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais IFCS/UFRJ de um grande amigo do curso de Filosofia daquela instituição o qual lhe dera o intrigante título “Deus está morto,” (em homenagem a Nietzsche); Na verdade, foi a primeira vez que participei de um ato solene dessa natureza, afinal, mal tinha terminado meu lato sensu e esse evento à época me marcou bastante, principalmente por ainda estar muito longe de viver aquela situação vivida pelo meu amigo e pelas coisas que naquele dia aprendi e seguem ainda vivas em minha memória. O fato, é que agora a pouco antes de dormir li um comentário na rede social que me desagradou; não que tal opinião a mim tenha se dirigido, mas de certa forma por ela fui tocado, haja vista ter criticado o que ele motivou, o que me conduziu à lembrança da tese do meu amigo, principalmente pelo comentário se referir a dinheiro e estudo, tema também abordado na pesquisa em comento. Tenho muito orgulho em dizer que sou de origem humilde e continuo pobre; não tenho a menor pretensão de enriquecer nem tampouco ostentar qualquer tipo de luxo que o dinheiro possa adquirir. Meu carro não é meu, minha casa não é minha, não tenho dinheiro em banco e o único bem que possuo é a minha família e meus amigos, o que nessa vida tão breve me basta. Para os padrões brasileiros e latino-americanos considero meus anos de estudos muito acima da média, o que não me trás nenhum orgulho, ao contrário, entristeço-me quando comparo, pois gostaria que estivéssemos todos na mesma ou em condições próximas de formação acadêmica uns dos outros, o que é utópico nesse padrão de sociedade. Meu 13º salário, apesar de pouco, foi todo ele gasto em livros, tanto para meu acervo pessoal, quanto para presentear pessoas que me são queridas, como o são minhas filhas, doutor Adir Amado (grande amigo e padrinho de casamento), doutor Ricarte Freitas (grande amigo), Cláudio Gualande (grande amigo), Sgt PM Joelson (grande amigo), Fátima Tardin (querida amiga) e tantos outros. Sei que poderia ter escolhido qualquer profissão que quisesse, e sei também, que com a minha disciplina e dedicação com os estudos estaria ocupando o cargo que eu almejasse mediante aprovação em qualquer concurso público que fizesse, mas optei pelo magistério, apesar de muito mal remunerado e com titulação invejável para nossa realidade. Hoje, aos 46 anos sigo estudando, mas dessa vez outra graduação: Direito. Não optei em fazer esse curso preocupado em prestar concurso público de olho em uma remuneração melhor do que a que eu tenho hoje – diga-se de passagem, um gari na capital fluminense ganha mais que eu -, e meus pares na faculdade sabem bem disso, faço direito por ser um livre pensador e que tem consciência de que para desconstruir o sistema precisa da capacidade postulatória, o que in casu será obtida após aprovação na Ordem dos Advogados do Brasil –OAB. Algumas pessoas próximas dizem que vou ganhar muito dinheiro após a conclusão desse curso, mas sinceramente, é uma preocupação secundária nas minhas prioridades; aliás, não considero sequer isso uma prioridade ou preocupação, mas caso as previsões nesse sentido se confirmem gasto tudo o que ganhar com a minha família e nesta vida. Não deixarei bens nenhum para a posteridade e seguirei criticando as aberrações salariais entre as classes trabalhadoras, sejam elas meritórias ou não. Por derradeiro, a tese que há pouco mencionei e que me inspirou a escrever esse texto aborda a forma como o homem “matou” o Deus representado pela cruz criando em seu lugar um novo deus, mas dessa vez representado pelo cifrão, ou seja, mostra como o amor ao dinheiro substituiu o amor à Deus. Nesse sentido e na forma como compreendo Deus sinto-me bastante confortável em afirmar que não “O matei”, pois, ainda que reafirme seja mal remunerado ante a enorme responsabilidade que tenho e dos anos de estudo que possuo, não persigo obstinadamente o dinheiro, não me preocupo com ele, e jamais passaria por cima dos meus valores por ele, logo, meus valores estão bem mais próximos daquilo que a Cruz representa do que o cifrão, além disso, na sociedade ocupo a posição que quero ocupar, nada mais, nada menos, e ad eternum seguirei contrário e criticando às disparidades salariais em um país chamado Brasil. 

A luta continua Bom Jesus do Norte (ES), 17 de janeiro de 2014 Marcelo Adriano Nunes de Jesus

Dinheiro e posses não são cultura. Cultura sim é o grande valor que contabilizamos na vida.

Um comentário:

  1. Se todos fossem iguais não haveria sociedade, se todos pensassem desta forma não haveria patrão e não haveria empregado e hoje não estaríamos escrevendo aqui dando esta opinião. Quanto a falar de Deus!!!, primeiro é preciso conhece-lo, e se não conhecemos, mas ouvimos falar podemos falar alguma coisa a respeito se estudarmos com profundidade o que escreveram sobre ele, e o que vejo??? são pessoas que não querem estudar, nem fazer força, nem dividir seu trabalho, mas querem que os outros o façam por ele.

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