quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

73 anos do Ministério da Aeronáutica: a história da FAB e do Brasil se confundem

Para que uma história não seja jamais esquecida, ela deve ser contada, seus herois devem ser exaltados e (re)lembrados e essa historia de hoje, amigos leitores, vale muito a pena ser contada. Nesse post vamos relatar histórias que marcaram os 73 anos do Ministério da Aeronáutica.
Mas por que Ministério da Aeronáutica?
O Ministério, hoje denominado Comando da Aeronáutica, foi criado em 20 de janeiro de 1941 durante o governo de Getúlio Vargas. Seu primeiro ministro foi Joaquim Pedro Salgado Filho. O contexto político era mais que propício – urgia pela criação de um órgão que unificasse e fortalecesse a aviação civil e militar no país. O próprio presidente Getúlio deixou claro o propósito da nova Força: “A eficiência e o aparelhamento da aviação brasileira são decisivos para o progresso e segurança nacionais.”
                                      Salgado Filho em discurso no Campo dos Afonsos em 1944.
Apoiou Getúlio Vargas na Revolução de 1930, atuando na polícia do Distrito Federal (1930 — 1932), depois foi ministro do Trabalho (1932 — 1934), deputado federal (1935 — 1937), primeiro ministro da Aeronáutica (1941 — 1945) e senador (1947 — 1950).

Uma curiosidade é que, ao contrário do que acontece hoje, a carreira de aviador naquela época ainda não despertava o interesse da juventude.  Por isso, o grande desafio do então ministro era formar mais pilotos, viabilizar aeronaves de treinamento, isso sem contar a especialização de mecânicos, estruturação das pistas e porque não dizer, do próprio poder aéreo brasileiro. Tudo isso num contexto de guerra que, acreditem, serviria para impulsionar a organização e a expansão da nossa Força Aérea.
Bom, o Primeiro Ministro da Aeronáutica cumpriu bem sua missão. Ao final de seu mandato, Salgado Filho contabilizou 1.500 aviões militares em condições de uso, cerca de 3 mil pilotos treinados e 15 bases instaladas. A aviação brasileira nunca mais seria a mesma.
Lembrar o Ministério da Aeronáutica é falar da própria Força Aérea Brasileira. Portanto, esse post vai focar nos fatos mais marcantes desses 73 anos.

Grandes marcos do Ministério da Aeronáutica

CAN

As Aviações da Marinha e do Exército levavam correspondências e transportavam passageiros nas rotas do Correio Aéreo Militar.  Em 1946, o Ministério da Aeronáutica absorveu as aviações das outras Forças Armadas e criou o Correio Aéreo Nacional.  Nesta época, o CAN já totalizava 3.630km de extensão e 14,1 mil pessoas transportadas.
Saiba mais sobre o CAN e Aviação de Transporte nesse post aqui.

Fundação do CTA em São José dos Campos

O meio militar foi o berço para a criação de um importante pólo de desenvolvimento nacional na década de 50.  Assim, em 1946 foi criado o Centro Técnico de Aeronáutica com seus dois institutos científicos: o ITA, escola de ensino superior concebida aos moldes do renomado Massachussetts Institute of Technology (MIT), e o IPD, voltado para pesquisa e desenvolvimento nas áreas de aviação militar.
O fundador e idealizador desse ousado projeto foi o Coronel Aviador Casimiro Montenegro Filho,  que seria mais tarde Ministro da Aeronáutica. Partindo do ponto de que “se o Brasil quisesse fabricar aviões deveria, antes, fabricar engenheiros e técnicos”, Casimiro Montenegro foi um pioneiro. O fruto do seu trabalho e de civis e militares tornou o ITA um dos mais renomados instituto de ensino superior do país.
Curiosidade: Casimiro Montenegro também era professor do ITA e deu aulas àquele que seria o fundador da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER), o engenheiro aeronáutico Ozires Silva.
   Túnel de vento no CTA: aqui são realizados testes de aerodinâmica




 

Fumaça

Os Fumaceiros, como são chamados os integrantes do Esquadrão de Demonstração Aérea, são os embaixadores da aviação militar brasileira. O primeiro show foi realizado em 14 de maio de 1952 na antiga Escola de Aeronáutica no Campo dos Afonsos e, desde então, a Fumaça tem sido a mais pura expressão da valorização da Força Aérea Brasileira e da perícia de talentosos pilotos.
Curiosidade: Em março de 1999, um feito do EDA foi registrado no Guiness, o livro dos recordes: “Em 23 de outubro de 1996, dez aeronaves T-27 Tucano, que equipam o Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira, voaram em formação, todos de dorso, durante 30 (trinta) segundos, percorrendo uma distância de 3000 (três mil) metros”. Essa marca foi quebrada em 2002 e 2006.

A construção do Bandeirante e o início de uma forte indústria aeronáutica nacional

O Bandeirante, o primeiro avião de fabricação 100% nacional, foi concebido no seio do CTA e sua produção seriada e comercialização foram viabilizadas pela criação da EMBRAER. Os esforços que resultaram na criação de um excelente centro educacional e profissional se provaram certeiros: o CTA já dava os seus primeiros passos para consolidar a tecnologia aeronáutica no país.

A defesa aérea e a entrada da FAB na era dos caças supersônicos

Até a década de 60, os conceitos de defesa aérea eram baseados nos ensinamentos da Segunda Guerra. Em 1969 foi criado o Sistema Integrado de Controle do Espaço Aéreo, responsável pelos equipamentos de detecção, telecomunicações e atividades de defesa e controle do tráfego aéreo.
Os anos que se seguiram na década de 70 também seriam marcantes na história do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira. Em 1970, a EMBRAER obteve licença da empresa italiana Aeronáutica Macchi para fabricar o AT-26 Xavante.  O primeiro jato levantou voo em 1971, e desde então fez parte da Aviação de Caça brasileira. O EMB 326GB Xavante operou por 39 anos na formação de mais de 800 pilotos militares, tendo sido aposentado em 2010.
                                           AT-26 Xavante exposto na Academia da Força Aérea
 
Os Mirage III, por sua vez, chegaram ao Brasil em 1972, formando a primeira unidade aérea de interceptação da FAB, hoje o 1° GDA.
Já em 1975, o primeiro lote de F-5 chegou ao Brasil. Os F-5E se tornariam famosos durante a Guerra das Malvinas, ao interceptar um bombardeiro inglês Vulcan que entrara no espaço aéreo brasileiro sem autorização.

Super Tucano T-27, AMX e o Programa Espacial

Foi na década de 1980 que o treinador da EMBRAER T-27 chegou para AFA. Você deve estar se perguntando quanto ao nome Tucano, não é? Ele foi escolhido por meio de um concurso na Academia, sabiam? Essa aeronave também foi adotada pela Fumaça para substituir o T-25, em 1983.
Mais curiosidades: O T-27 entrou para história em 1985, quando foi escolhido pela Real Força Aérea do Reino Unido como treinador básico.
Em 2013, os T-27 da Fumaça foram substituídos pelos modernos A-29, também da EMBRAER, mas continuam parte do treinamento avançado dos novos pilotos da Força Aérea.

Quanto ao AMX: criado para missões de ataque, esse caça se destaca pelo raio de alcance, robustez e confiabilidade nos sistemas eletrônicos. Também projetado pela EMBRAER, a Força Aérea Brasileira recebeu seu primeiro A-1 em 1990. Hoje os A-1 estão baseados no 1°/16°GAV, Rio de Janeiro (RJ), no 1°/10°GAV e 3°/10° GAV, de Santa Maria (RS).
É bom lembrar que ele está em processo de modernização. Ao todo 43 caças serão modernizados. A primeira unidade foi entregue no ano passado pela EMBRAER.
A-1 modernizado: a primeira unidade foi entregue em setembro de 2013.
 
Programa Espacial Brasileiro: o Centro de Lançamento de Alcântara foi criado  em meados dos anos 80 pelo Ministério da Aeronáutica para assumir a principal base da então Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).  O Brasil, que já vinha tocando o Programa Espacial Brasileiro por meio do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE) nos anos 60, iria deslanchar de vez com a criação do CLA. Na Operação Pioneira de 1989, os primeiros foguetes 15 SBAT-70 e 2 SBAT-152 chegariam ao espaço.
Hoje, o Comando da Aeronáutica, em parceria com a Agência Espacial Brasileira e a indústria nacional, dão continuidade ao Programa Espacial Brasileiro.

Transição do Ministério para Comando da Aeronáutica
Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Aeronáutica foi transformado em Comando da Aeronáutica (COMAER), passando a ser subordinado ao Ministério da Defesa. Entretanto, comemoramos o “Aniversário do Ministério da Aeronáutica” ao invés de “Comando da Aeronáutica” por esse peso histórico que o nome tem. Talvez algum de vocês questione o dia da Força Aérea Brasileira, que é o dia 23 de outubro. Mas este,  por sua vez, remete ao dia do aviador, quando Santos Dumont realizou o voo com o saudoso 14-Bis, em 1906.


Bom, pessoal, esperamos que tenham gostado do post. Ainda há muito o que se falar sobre o que foi feito durante o Ministério da Aeronáutica. Na última década tivemos várias novidades no Comando da Aeronáutica:  a chegada do primeiro brasileiro ao espaço, missões humanitárias históricas (como a do Haiti), a participação e criação de operações complexas e muito importantes, como a Cruzex. A última novidade, o anúncio da compra do caça sueco Gripen NG já é, com certeza, mais uma página a preencher a rica história do Comando e da própria FAB.
“É com enternecido contentamento que eu acompanho o domínio dos ares pelo homem: é meu sonho que se realiza.”, disse Santos Dumont em 1918. Para nós, partes que compõe o atual Comando da Aeronáutica essa frase se tornou verdade há 73 anos. Parabéns, Ministério da Aeronáutica! Parabéns, Brasil!
Que outros grandes feitos vocês se recordam nesses 73 anos? Deixem seus comentários! :)
FONTE DE CONSULTA: AEROVISÃO – EDIÇÃO HISTÓRICA

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