terça-feira, 15 de abril de 2014

A Contra-revolução de 64 e a Mitologia


*Agnaldo Del Nero Augusto
“Não se deve... não se deve remexer no passado! Aquele que recorda o passado perde um olho. Aquele que o esquece perde dois!”

Alexandre Soljenitsin
Este provérbio russo foi citado na abertura do livro “Arquipélago Gulag” de autoria de Alexandre Soljenitsin. O autor relata nesse livro os episódios vividos entre 1918 e 1956, na imensa rede de campos de trabalho soviéticos por onde passaram cerca de 66 milhões de pessoas e de onde poucos milhares, como ele saíram com vida. Na sua tese central sustenta que as prisões em massa, os julgamentos iníquos e as execuções secretas fizeram parte do estado soviético desde a sua consolidação em 1918, não sendo apenas uma criação posterior e arbitrária de Stálin. Acrescentamos, esta última é apenas a fase mais tenebrosa.

Apesar desses 38 anos de quase indescritível sofrimento nos longínquos campos da Sibéria, Soljentsin disse, também, que o “pior do comunismo não é a opressão, mas a mentira”. Entendemos, porque embora não submetidos a trabalho escravo, sofrimentos físicos ou psíquicos, a mentira, para nós, , dói, machuca. Dói a história revista ou inventada que se fabricou, em relação a um período crucial da vida de nosso país, sendo transmitida a nossos jovens. Pois foi cm a mentira e valendo-se de técnicas psicológicas de indução, que as esquerdas criaram uma verdadeira Mitologia Histórica para nosso País.
Escreveu o celebrado historiador marxista e militante comunista Eric J. Hobsbawm: “Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos. Estamos hoje na grande época da Mitologia Histórica”. Uma história revista ou inventada para atender as conveniências de pessoas, grupos ou ideologias, e os termos empregados nesse conceito dizem tudo – é, na verdade, uma Grande Mentira.

Pois pasmem, se quiserem e puderem, este grande historiador, como bom comunista que é, em passagem de seu livro “tempos Interessantes” (P 234), não só admite a mentira em beneficio da “causa”, como expressa admiração eterna pelo mentiroso.
Estamos trabalhando esse tema da Mitologia inteira, hoje, porém, queremos remexer um ponto específico do passado. Parece que, fruto dessa Motologia, há gente que ainda acredita que as esquerdas pretendiam defender a Democracia. Vamos recordar ou remexer apenas duas das várias idas de Prestes a Moscou.

Em novembro de 1961, Prestes vai a Moscou. Encontra-se com Kruschev, nome mais importante do partido e da própria URSS. Discutem a nova estratégia do PCB para a tomada do Poder. Mikhail Suslov, ideólogo do PCUS, participa da reunião. Doutrina sobre as táticas. Em síntese, fala sobre as ações de massa e da necessidade de saber preparar-se para a luta armada (...)
Kruschev interfere para dizer que concorda, todavia aduz recomendações quanto ao imperialismo e o latifúndio e conclui “falais em reforma agrária. (...) Numa situação revolucionária devemos saber lutar pela revolução agrária (...)”. Certamente conhecedor do fracasso de 1935. (...) adverte: “quando falamos em luta armada, falamos de luta de grandes massas e não de ações sectárias de alguns comunistas. Porque isso será uma aventura. Realizar o trabalho de massa é a melhor forma de preparar a insurreição.”

Após a aula de recuperação sobre ação revolucionária, Prestes retorna e coloca o PCB em intenso trabalho de massa. Diga-se de passagem, bem sucedido.
Convencido de que a estratégia que traçara levá-lo-ia, brevemente, ao poder, parte para Moscou em janeiro de 1964, onde vai prestar contas do resultado obtidos nos dois últimos anos de trabalho e obter o aval da Rússia para desencadear seu plano de tomada do poder.

A história fabulosa que conta em Moscou para receber o sinal verde dos soviéticos é muito interessante, mas temos que respeitar o espaço (Consta à P 121/2 de “A Grande Mentira”, Bibliex – 2001). Para fazer sentido transcrevemos apenas o final de seu relatório onde afirma: “uma vez a cavaleiro do aparelho do Estado, converter rapidamente, a exemplo da Cuba de Fidel, ou o Egito de Nasser, a revolução nacional democrática em socialista”.
Retorna, coloca em execução o plano acertado, cuja primeira ação é o comício do dia 13 de março na Praça da República/RJ, seguido do motim dos fuzileiros navais, em clara quebra da hierarquia e da disciplina e da reunião no Automóvel Clube/RJ.

Estava tudo acertado, mas a essa situação contrapõem-se mais uma das Marchas da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo, no dia 19, com uma multidão nunca vista de pessoas apelando e impelindo as Forças Armadas à ação. O povo dissera não e aconteceu a Contra Revolução de 31 de março de 1964.
Como escreveu Clarence W. Hall em Seleções do Reader’s Digest no artigo “A Nação que se salvou de si mesma”: A história inspiradora de como um povo se rebelou e impediu os comunistas de tomarem conta de seu país. Raramente uma grande nação esteve mais perto do desastre e se recuperou do que o Brasil em seu triunfo sobre a subversão vermelha. Os elementos da campanha comunista para a dominação-propaganda, infiltração, terror-estavam em plena ação.

A rendição total parecia iminente... e então o povo disse: NÃO!
Só não se orgulha de suas Forças Armadas quem não conhece a HISTÓRIA.

À mentira só há um antídoto: A VERDADE. Vamos remexer o passado com ela, ainda que fiquemos com apenas um olho.
* O autor, falecido, era general de Divisão

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