sábado, 26 de abril de 2014

A Manobra Revolucionária Comunista


 
Sergio A. de A. Coutinho
O Partido Comunista Brasileiro, por sua vez, tinha uma concepção consistente para a tomada do poder. Seu primeiro objetivo seria a conquista do governo pela via pacifica para implantar transitoriamente um governo popular democrático. As circunstâncias favoreciam a tentativa de realizar esta meta pelo domínio do governo, antecipando a alternativa da via eleitoral já que estava na ilegalidade. Para tanto, teria que aprofundar os compromissos com o Presidente Goulart e fazê-lo parte do empreendimento. Por esta razão, apoiou decisivamente a sua posse quando contestada pelos ministros militares e a campanha do NÂO no plebiscito que repudiaria o parlamentarismo, apenas seis meses depois de implantado, restabelecendo o presidencialismo e restituindo os plenos poderes ao Presidente.

Na própria narrativa do Secretário geral do PCB, Luiz Carlos Prestes, a manobra do partido seria a seguinte:
“Um poderoso movimento de massas sustentado pelo poder central e tendo em seu núcleo um dos partidos – (PCB) – mais sólidos do continente, instalado no seio do aparato estatal (...) Um exército penetrado dos pés à cabeça por um forte movimento democrático e nacionalista (...) A tomada do estado burguês do seu interior para fora”. “Finalmente, uma vez a cavaleiro do aparelho do estado, converter rapidamente, a exemplo de Cuba de Fidel ou do Egito de Nasser, a revolução nacional e democrática em socialista” (Apontamentos do líder comunista, citados por Luiz Mir, op. Cit).
Para alcançar esse objetivo, os comunistas se infiltraram no governo e nas Forças Armadas, a partir de onde tomariam, por dentro, o poder.

As reformas de base também eram bandeira do PCB, porém vistas por uma ótica revolucionária e não meramente populista. Concepção do secretário Geral do Partido em seus apontamentos e entrevistas:

“A luta pelas Reformas de Base constitui um meio de acelerar a acumulação de forças e aproximar os objetivos revolucionários”.
“Não lutamos (ainda) por uma revolução socialista. Lutamos por um governo revolucionário anti imperialista que, dentro do regime democrático, dê inicio às reformas indispensáveis ao país. Essas reformas sendo cada vez mais profundas, provocando elas próprias a abertura do caminho para a socialização” (citado por Luiz Mir, op cit).

As reformas de base, como ideologia intermediária, simulavam o jogo democrático e assim mascaravam as verdadeiras intenções do Partido.
O Presidente da República tentou fortalecer sua oposição com alguns expedientes políticos. Inicialmente, em conluio com o seu cunhado. Todas as iniciativas, porém, fracassaram, rejeitadas até pelas esquerdas.



O Presidente não teve outra alternativa: negociou com o PCB. Ele “apresentaria a plataforma de um governo nacional e democrático, anti imperialista e reformista”; O Partido “lançaria oficialmente a candidatura (do Presidente) à elição de 1965”. O lider comunista “pregava publicamente a continuidade do Presidente, com golpe” (Luiz Mir, op cit). O continuísmo permitiria o prosseguimento do trabalho de domínio do governo em curso e a consolidação das posições já alcançadas pelo Partido.

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