segunda-feira, 28 de abril de 2014

A Ruptura da Disciplina nas Forças Armadas


Sergio  A. de A. Coutinho
O Governo por influência e sugestão dos populistas e comunistas, montou o que se denominou Esquema Militar para sua sustentação e para garantia contra os militares golpistas e reacionários. Este esquema se fazia, basicamente, pela colocação de oficiais generais nacionalistas e progressistas em certos pontos chave e pela mobilização e politização de sargentos e marinheiros em torno da legalidade, do nacionalismo e das reformas.

Também o Partido Comunista Brasileiro tinha o setor militar, o mais secreto da organização. Segundo um ex-oficial comunista, era inexpressivo em número, nas muito ligado a Prestes. Estima ele que, em 1964, havia cerca de mil militares (oficiais, sargentos e outras praças) reformistas (nacionalistas de esquerda) e cerca de 150 comunistas ativistas em todo o Exército.
O movimento nacionalista popular do ex governador Leonel Brizola foi a principal linha de aliciamento de militares, exercendo grande influência sobre sargentos e praças desde sua Campanha da legalidade em 1961.

O ativismo no meio dos sargentos e praças acabou por provocar sérias manifestações de indisciplina e rebeldia. Em setembro de 1963, os sargentos de Brasília, a maioria da marinha e da Aeronáutica, se rebelaram contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral que considerou inelegíveis os sargentos que concorreram às eleições parlamentares de 1962. Os amotinados ocuparam vários pontos da Capital Federal. Esperavam a adesão em outros locais do País, o que não aconteceu. A rebeldia foi dominada por tropas do Exército em menos de 24 horas, sem resistência dos amotinados.
 
Em março de 1964, se deu uma demonstração de indisciplina mais grave: em assembleia no Sindicato dos Metalúrgicos no Rio de Janeiro, cerca de mil marinheiros exigiram a suspensão das punições aplicadas aos dirigentes da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Presentes lá, também estavam, solidários e insufladores, dirigentes do CGT e militantes de várias organizações de esquerda. Além do mais, contaram com o apoio de dois almirantes, um dos quais, Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais. O Ministro da Marinha solicitou tropas do Exército que cercaram e evacuaram o Sindicato. O Pre4sidente, para contornar a crise e cedendo às pressões das esquerdas, exonerou o Ministro da marinha e nomeou um novo titular, almirante da reserva, nacionalista, concordando ainda em anistiar os insubordinados. O ultimo acontecimento, demonstrando a qu7ebra da hierarquia e disciplina, se deu na noite de 30 de março de 64, na sede do Automóvel Clube do Brasil, no Rio de Janeiro: comemoração do aniversário da Associação de Sub-Oficiais e sargentos da Guanabara. Se reuniram cerca de 2.000 pessoas, tendo como convidado especial o próprio Presidente da república. Na Assistência, dois ministros militares, o Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, o líder da rebelião dos marinheiros e representantes de toda a esquerda, populistas e comunistas. Os discursos foram inflamados e revolucionários, inclusive a fala do Presidente da República. Mas, naquele momento, já estava em movimento a revolução de 31 de março de 1964.

A crescente agitação política e social, o desgoverno e a evidência de um movimento comunista em marcha acabaram por gerar uma sensação de insegurança geral. Embora o centro de inquietações e de crescente oposição estivesse principalmente na classe média, também os trabalhadores em geral se sentiam insatisfeitos e inseguros. A desorganização geral, a inflação, o desabastecimento, a corrupção e a ameaça da ruptura da ordem política e social atingiam toda a sociedade.
 
O anseio de reversão do quadro era generalizado e a esperança se voltou naturalmente para as únicas instituições que ainda guardavam os princípios de autoridade, a coesão interna e a capacidade de agir com firmeza e serenidade: a Igreja Católica e as Forças Armadas.

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