sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Manobras Golpistas da Esquerda Populista.


Na onda esquerdista, animada com a campanha pela legalidade e pela posse de João Goulart, despontaram três lideranças de esquerda que não estavam vinculadas às organizações comunistas, embora com elas mantivessem as mais convenientes ligações.
O primeiro movimento, de natureza nacionalista populista, foi criado por Leonel Brizola, quando ainda governador pelo Rio Grande do Sul. Continha vagos conceitos socialistas e sua bandeira nacionalista era de caráter meramente anti-imperialista e de oposição ao processo de espoliação do capital estrangeiro e das multinacionais no Brasil. O Presidente Goulart tinha semelhante posição, rivalizando-se com seu cunhado.

O segundo movimento de esquerda foi de Miguel Arraes, então Governador de Pernambuco. Era uma liderança local que se preocupava em se manter em evidência para garantir condições de uma candidatura à Presidência da República nas eleições de 1965, pelo mesmo partido do Presidente (que Presidente? – parece referir-se ao Presidente de então, Goulart) e de Brizola.
O terceiro movimento foi o das Ligas Camponesas. Fundadas em Pernambuco, nos anos 50, visava à mobilização dos trabalhadores rurais em defesa da reforma agrária e da extensão dos direitos trabalhistas ao campo. Seu líder era Francisco Julião.

Os cubanos viram nas Ligas camponesas a possibilidade de implantar a guerrilha no Brasil.
O esquema guerrilheiro das Ligas durou cerca de um ano. Em 1962, na área em que estava sendo implantado em Dianópolis/Go, foi desbaratado por tropas fderais, por determinação do próprio Governo Goulart, que tinha posição coincidente com a do PCB, que opunha à via campesina do movimento.

Em resumo, desde a renuncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, até a eclosão do movimento cívico militar de 31 de março de 1964, estavam em andamento dois projetos contra a democracia brasileira: um golpe nacionalista popular e uma revolução comunista. O primeiro, liderado pelo próprio Presidente e pelo seu cunhado, ex- governador do Rio Grande do Sul. O segundo, conduzido pelo Partido Comunista e seu secretário Luiz Carlos Prestes. Em torno destes projetos, toda a esquerda restante agitava, apostando na tendência que melhor coincidisse com os seus pontos de vista e objetivos.
No movimento nacionalista populista, tanto o Presidente da República quanto o ex-governador do Rio Grande do Sul “queriam o poder para si; cada qual a seu modo procurou utilizar o movimento (...)”. O Presidente tentou o seu projeto antes de se comprometer mais a fundo com os comunistas. Propôs o estado de sítio, a pretexto de uma suposta radicalização da direita, porém  sofrei oposição de todos os setores, inclusive da própria esquerda que também se sentiu ameaçada. A medida não foi aprovada.

Por sua vez, Leonel Brizola exigiu o Ministério da fazenda para si, posição que lhe garantia condições para realizar o seu projeto pessoal de conquista do poder. Também nesse episódio, a oposição foi tão grande que o Presidente não teve condições de nomeá-lo. Esse fracasso levou Brizola a nova postura, agora nitidamente insurrecional. Para ele a concretização das reformas só seria “possível, com a tomada do poder pelas armas, e com apoio do povo” O aliciamento de militares (oficiais nacionalistas, sargentos e marinheiros) seria na direção da articulação de um golpe nacionalista; e muitos se deixaram seduzir pelo discurso do ex-governador.
Em 1963, foram criados os chamados Grupos dos onze, que seriam as bases de massa e o braço armado de um futuro partido revolucionário, cujo objetivo seria a implantação de um governo nacionalista popular, conhecido como República Sindicalista.

Elementos de estrita confiança do comando nacionalista “ajudariam os sargentos a tomarem os quartéis e preservarem a legalidade. Cada sargento comandaria três grupos dos onze” (Denis de Moraes, A Esquerda e o Golpe de 64).
As reformas de base eram a grande bandeira do movimento nacionalista populista tanto como instrumento de mudanças institucionais, como de conquista do poder. As reformas eram mal explicadas, nunca se revelando exatamente o que seriam. Eram citadas: a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma educacional, a reforma tributária, a reforma universitária, a reforma bancária, a reforma das relações com as empresas estrangeiras. Serviam para tudo, até para justificar um golpe popular.

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