sexta-feira, 18 de abril de 2014

“Derrotados escreveram a história”


Em 31/03/2004, o jornal O Estado de São Paulo publicou a entrevista com o jornalista Ruy Mesquita, da qual é transcrita um trecho:
Estado – O que levou os militares ao movimento de 1964?

Ruy Mesquita – Acho fundamental, para que se possa fazer uma análise objetiva e fria, sobre a chamada revolução de 64 – que na realidade não foi uma revolução, foi uma CONTRA REVOLUÇÃO; não foi um golpe, foi um CONTRA GOLPE -, situá-la no tempo político internacional. No começo dos anos 60, com a vitória de Fidel Castro e com sua entrada no jogo do bloco soviético, o foco principal da guerra fria passou a ser a América Central, o centro geográfico das Américas. A tal ponto que ali nasceu a primeira e talvez única ameaça concreta e iminente de uma guerra nuclear, quando em 62 houve a crise dos mísseis nucleares que os russos instalaram clandestinamente no território cubano. O risco era real. Diz-se que a história é sempre escrita pelos vencedores.
A história do golpe de 64 foi escrita pelos derrotados.
Tais manifestações e pronunciamentos falam por si. Não há qualquer sustentação na história ou nos documentos da esquerda que comprove ter havido um “golpe da direita” ou um “golpe militar”. Tais conceitos fazem parte da mesma orquestração em que inclui a falácia de que a esquerda revolucionária lutava contra a “ditadura”. Houve, realmente, uma Contra Revolução: um duro golpe contra as pretensões de comunização do Brasil.
“... A chamada Revolução de 1964 foi um movimento popular. Quer dizer, a Nação ocupava as ruas exigindo uma intervenção. Queria que o Governo mudasse, que não se embrenhasse naquele caminho de demagogia. Havia uma desorganização completa. Não existia liberdade coisa alguma. O que acontecia era uma grande desorganização e o País estava sendo conduzido, realmente, por um caminho muito perigoso.
A idéia de que o Movimento de 1964 levou a uma ocupação do Governo é falsa. O Jango fugiu. O Jango abandonou o Brasil. Esses canalhas estão ai dizendo que iam salvar o Brasil e nós, hoje, temos uma prova concreta do que eles produziriam: uma nova Cuba, grande, e com muito mais esculhambação do que Cuba, porque, em matéria de esculhambação, somos muito melhores do que eles. Na minha opinião, essa é uma visão que se instalou, porque continuaram falando. Quem assistiu a tudo aquilo, quem viu o povo na rua e quem viu as conseqüências finais do Jango tomar o avião e ir embora e deixar o País abandonado, sabe que foi um movimento popular. Depois, perdeu-se em alguns aspectos, mas na sua origem ocorreu uma reação nacional. Uma reação de quem não conseguia mais viver com a desorganização que o Governo estava introduzindo, chamando de reformas de base. As proposições não tinham nenhuma consistência e eram incapazes de produzir um Brasil crescente.” (Antonio Delfim Neto – em  depoimento ao Projeto Oral do Exército)

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