domingo, 6 de abril de 2014

Manifesto de advertência do Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, de 30 de março de 1964.


O apelo dirigido a Nação pela Marinha de Guerra do Brasil não pode deixar de repercutir no espírito dos responsáveis pela sobrevivência da ordem democrática em nosso País.
Não se trata, agora, de simples episódio interno de disciplina que precisa ser mantida naquele setor das forças Armadas. Muito mais que isso, estão em causa os próprios fundamentos do regime democrático, que têm nelas os elementos específicos de sua segurança.
Traduzindo princípios geralmente consagrados e enraizados nas tradições da nossa organização política, a Constituição Brasileira caracterizou as Forças Armadas como instituições nacionais , na base da disciplina e hierarquia, para a finalidade de defenderem a Pátria e garantirem os Poderes Constituídos, a ordem e a lei. Se, por influencia de inspirações estranhas e propósitos subversivos, são comprometidas a hierarquia e a disciplina sem as quais elas não sobrevivem, têm as Fo0rças Armadas não só o direito como também o dever de pugnar pela sua própria integridade, pois de outra maneira não cumprirão o pesado e glorioso destino que a Constituição lhes assinala.
Por isso, atendemos ao apelo da Marinha Brasileira e lhe damos, neste momento delicado, a nossa solidariedade que sobretudo exprime, estamos certos, a solidariedade do povo mineiro nos seus anseios de ordem, de progresso e paz.
Não apoiaríamos nunca qualquer movimento que viesse apenas agravar a intranquilidade dos brasileiros, já tão angustiados de aflições; que embaraçasse a marcha acelerada em que deve caminhar o nosso desenvolvimento social, econômico e político; que perturbasse o clima de paz que que o povo necessita para realizar os trabalhos de cada um e as tarefas do bem comum. A nossa posição continua a ser pelas reformas, sem as quais o povo não conhecerá o bem estar e não conseguirá superar a estagnação e o atraso.
Não podemos permitir, entretanto, que as reformas sejam usadas como pretexto para ameaças à paz pública, e, através da inquietação e da desordem, um processo de erosão do regime democrático. Reformas, sim, e urgentes, mas dentro da democracia, porque fora da democracia perecerão as inspirações cristãs e populares que as devem orientar. As radicalizações ideológicas, sobretudo quando a ideologia inspiradora é compatível com o que há de mais estranho na formação do povo brasileiro, só podem contribuir para embaraçar ou retardar as reformas democráticas. Porque as desejamos sinceramente, não as queremos ver substituídas, afinal, pela simples e sinistra implantação de sistemas despóticos.
Contra isso brada a formação do povo mineiro, que tem como seu ponto mais alto o amor à liberdade. Nossa atitude, nesse momento histórico, não representa senão o dever de nos inclinar aos imperativos dessa vocação. E Minas se empenhará com todas as suas forças e todas as energias de seu povo para a restauração da ordem constitucional comprometida nessa hora.

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