sábado, 5 de abril de 2014

Manifesto do Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, de 20 de março de 1964


Este é um pronunciamento do povo de Minas Gerais.

De Minas Gerais parte esta conclamação ao País.

O Governador do Estado cumpre o dever de interpretar as aspirações, as angustias e a atitude da gente mineira.
Faz, com todo o povo, uma só frente na preservação do regime democrático, no aprimoramento e dinamização das instituições livres para a mudança social, que não se deve deter, seja um avanço, não um recuo, uma consolidação de conquistas, não um retrocesso a técnicas políticas de opressão.
A razão de nossa atitude é clara. Claros são os objetivos de nossa união. Clara, tranquila e determinada há de ser a ação que empreendemos.
Reconhecemos ter-se acelerado o processo de transformação econômica, social e política, em todos os setores da vida nacional. Por isso mesmo, somos a favor das reformas de base.
Assinalamos a tomada de consciência do povo brasileiro, que se quer independente, dono de si mesmo e seguro de seu destino.
Cremos na ascensão de camadas, cada vez mais extensas, do povo ao plano das grandes decisões deste momento.
O povo já sabe4 que a Constituição lhe dá direito à "justa distribuição de terra com igual oportunidade para todos", à participação efetiva no processo eleitoral, sem submissão às cúpulas, aos benefícios da renda nacional, da cultura, de saúde e do trabalho.
Sabe, também, hoje mais do que nunca, que ele, povo, é o único proprietário das reformas.
Não reconhece, assim, autenticidade nos que, apresentando-se donos da reforma, delas se utilizam como pretexto para agitação, visando a perpetuar grupos ou pessoas no poder.
Paciente, amante da paz e da liberdade, o povo repele o golpe e o continuísmo, como repele também a exploração interessada dos radicalismos políticos.
Sustentamos que as reformas, para corresponderem à aspiração do povo, devem resultar do consenso de todas as forças empenhadas no processo de mudança. Não nos conformamos em que elas se reduzam a bandeira agitada por uns poucos ou a troféu de vitória a ser colhido por lideranças pessoais.
Os últimos acontecimentos demonstraram uma duplicidade de processo, que é nosso dever denunciar à nação. Ao mesmo tempo em que, de forma regular, se apela ao Congresso, a fim de votar emendas constitucionais consideradas imprescindíveis às reformas, efetuam-se manobras publicitárias e promocionais. O que, então, se revela não é só desesperança na capacidade da representação política. É também descrença no regime democrático ou incapacidade de adaptar-se a ele.
Ao apelo ao Congresso, dizemos sim.
O sistema democrático não impede, também, os estímulos do povo à fixação de problemas e à sugestão de fórmulas que os solucionem.
Consideramos, todavia, insuportável o desprezo pela instituições representativas.
Esperamos uma atitude franca e clara do Pre4sidente da República. Sem desconhecermos a existência de transformações revolucionárias em curso, resultantes da tomada de consciência do nosso povo e exacerbadas pelo processo inflacionário, afirmamos que a revolução comandada de cima não é outra coisa senão o golpe de Estado.
Estamos dispostos a lutar contra o golpe.
Já não há lugar para sistemas ditatoriais arquivados em nossa História.
A aventura de suprimir qualquer dos mandatos nos levará, fatalmente, à guerra Fratricida , cuja consequência não será a renovação que desejamos, mas a ruína da Pátria e o retardamento da libertação econômica, social e política, a que aspira todo o povo brasileiro.
Esperamos uma atitude clara e coerente do Congresso Nacional. Nas mãos de deputados e senadores está o poder de equacionar as reformas e de efetuá-las, sem o sacrifício das instituições democráticas.
O povo condenará seus legisladores, se ficarem insensíveis e inertes.
Esperamos uma atitude clara e consequente das Forças Armadas. A Lei Maior fez delas, não defensoras de parcialidades do País, mas de toda a Pátria; não garantidoras de um, mas dos poderes constitucionais; servidoras, não de situações e eventualidades, mas da lei e da ordem.
Este pronunciamento é também uma convocação. A todos os mineiros. Ao trabalhador, ao homem de empresa, ao jovem, a mulher, ao soldado, ao intelectual, ao funcionário público, à imprensa, às escolas, às oficinas.
Juntos, digamos ao Brasil que Minas está determinada a preservar a democracia e a tradição cristã; a lutar pela justiça social, contra o desespero; contra o ódio entre irmãos; contra fanatismos, contra a irresponsabilidade.
Minas quer impedir o caos a que estamos sendo arrastados.

Brasileiros! Juntos, lutemos pela paz.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. A fonte está a disposição de quem se proponha a pesquisar e estudar a verdade sobre o Contra Golpe de 1964 e não fique só nas falsas palavras dos que perderam.

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  2. não se iluda, caro policial, este homem foi um tirano assassino - defensor dos interesses econômicos de uma elite mineira racista e absolutamente elitista ( jamais permitiria q um comerciante ou agricultor frequentasse o mesmo restaurante q ele - e junto com o governador do rio (carlos lacerda), patrocinado pelos "compadres" donos das empresas norte-americanas sediadas em minas - não é atoa q ele representava os interesses do segmento minerários brasileiro - financiou o golpe de 64 - para o azar dele e de sua quadrilha, foram traídos pelos generais - costa e silva e gaisel, que deram um chute na bundo dos dosi governadores. Caso o sr. queria mesmo ter a alcunha de Policial, jamais deveria endeusar tal figura e muito menos defender as ideias reacionárias e fascista dele. Aproveite o cinquentanario do golpe q nos deseumanizou de vez, e portanto as inumeras obras literárias recém-lançadas -atualizadíssimas, e se informe - urgentemente!

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