sábado, 12 de abril de 2014

Não foi golpe, foi CONTRA GOLPE. Transcrições da imprensa sobre o 31 de março de 1964.


 
Durante o governo Jango, a imprensa foi uma das principais motivadoras da deposição do Presidente. Propalou, constantemente, a existência do caos administrativo, da corrupção e do desgoverno. Participou, ativamente, da divulgação de que era imperiosa a necessidade do restabelecimento da ordem.
A sociedade e a imprensa escrita e falada da época, alinhadas e irmanadas, clamavam, com manifestos editoriais, por medidas que evitassem a derrocada do País, levando-o à anarquia.

Abaixo estão transcritos alguns desses trechos.
“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade [...] Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado aos comunistas.” (Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de abril de 1964)

“multidões em jubilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem duvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali ocorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas [...], formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade.” (O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964)
CARNAVAL NAS RUAS

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papel  picado caiam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento.” (O DIA – Rio de Janeiro – 2 de abril de 1964)
ESCORAÇADO

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legitima vontade popular o senhor João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o senhor João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.” (Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de abril de 1964)
RESSURGE A DEMOCRACIA

“Vive a Nação dias gloriosos. Por que souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições [...]. Como dizíamos, mo editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a âncora dos agitadores, , o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legitimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.” (O GLOBO – Rio de Janeiro – 4 de abril de 1964)
“Milhares de pessoas compareceram ontem, às solenidades que marcaram a posse do Marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República [...]. O ato de posse do Presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentimento democrático, tal o apoio que obteve.” (Correio Braziliense – Brasília – 16 de abril de 1964)

“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as forças Armadas. Cerca de 50 pessoas em Marcha Cívica do Agradecimento.” (A Razão – Santa Maria – 17 de abril de 1964)
“Sabíamos todos que estávamos na lista negra dos apátridas – que se eles consumassem seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos.. Uma razia (Incursão feita em território inimigo para aprisionamento de tropas, Fig. Devastação, assolação.) de sangue vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade” (O Cruzeiro Extra – 10 de abril de 1964 – Edição Histórica da Revolução – “Saber ganhar” – David Nasser)

“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples deposição do Presidente Atentar contra a Federação é crime de lesa pátria. Aqui acusamos o senhor João Goulart de crime de lesa pátria. Jogou-se na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada.” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de abril de 1964)
“[...] cuja subversão além de bloquear os dispositivos de segurança de todo o hemisfério, lançaria nas garras do totalitarismo vermelho, a maior população latina do mundo [...]” (Folha da Tarde – 31 de março de 1964 – Do editorial: A grande ameaça)

“o Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta” (Correio da Manhã – São Paulo – 31 de março de 1964 – Do editorial: Basta!)
“Quem quisesse preparar um Brasil nitidamente comunista não agiria de maneira tão fulminante quanto a do senhor João Goulart a partir do comício de 13 de março [...]” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 31 de março de 1964)

“Só há uma coisa a dizer ao senhor João Goulart: Saia! (Correio da Manhã – Rio de Janeiro – 1º de abril de 1964)
“Minas desta vez está conosco [...] dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a Nação jamais se vergará às suas imposições.” (O Estado de São Paulo – São Paulo – 1º de abril de 1964, sob o título “São Paulo repete 32”)

“[...] atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso... As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na íntegra de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.” (O Globo – Rio de Janeiro – 2 de abril de 1964, sob o titulo “Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”)
“A Revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista.” (O Globo – Rio de Janeiro – 5 de abril de 1964)

“Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos. Os militares não deverão e4nsarilhar suas armas antes de emudecerem as vozes da corrupção e da traição à pátria.” (O Estado de Minas – Minas gerais – 6 de abril de 1964)
“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la” (Jornal do Brasil – Rio de janeiro – 6 de abril de 1964)

“Congresso concorda em aprovar Ato Institucional” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 6 de abril de 1964)
“Partidos asseguram a eleição do General Castelo Branco” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 10 de abril de 1964)

“Rio festeja a posse de Castelo” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 16 de abril de 1964)
“Castelo diminui ritmo de aumento dos militares. Corte propõe aumento aos militares com 50% menos do que a tabela anterior”. (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 21 de abril de 1964)

"Quando o chefe do Executivo se permite, nas praças públicas, fazer a apologia da subversão e incitar as massas contra os poderes da República que lhe estorvam a marcha para o cesarismo, pode-se afirmar que a ditadura, embora não institucionalizada, é uma situação de fato.” (Editorial de O Estado de S. Paulo, 14/03/1964)
“Agora se decidirá se nós conseguiremos superar a terrível crise provocada pela inflação, pelos desajustes sociais, pelo descalabro econômico-financeiro, sem perda de nossas instituições livres ou se, ao contrário, uma ditadura esquerdista se apossará do País, graças principalmente, ao enfraquecimento e progressivo desaparecimento das Forças Armadas...” (O Globo – 31/03/ 1964)

“Aquilo que os inimigos externos nunca conseguiram, começa a ser alcançado por elementos que atuam internamente, ou seja, dentro do próprio País.” (Folha da tarde - 31/03/1964)
“Chegaria o dia em que o Brasil, sem reação e sem luta, se transformaria em mais um Estado Socialista. Ai, todos diriam que desaparecera a legalidade democrática, mas ninguém mais teria como recuperar as pedidas liberdades e franquias, pois já estaria instalado o terror policial e quem sabe? Em funcionamento os pelotões de fuzilamento, segundo o modelo cubano.”

“Como dissemos muitas vezes, a democracia não deve ser um regime suicida que dê aos seus adversários o direito de trucidá-los, para não incorrer no risco de ferir uma legalidade que esses adversários são os primeiros a desrespeitar.” (O Globo -  31/03/1964)
“...Além de que os lamentáveis acontecimentos foram o resultado de um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo já identificado pela Nação Brasileira como interessado na subversão ger5al do País com características nitidamente comunistas.” (Correio do Povo – 31/03/1964)

“O Presidente da república sente-se bem na ilegalidade. Está nela e ontem nos disse que vai continuar nela, em atitude de desafio à Ordem Constitucional, aos Regulamentos Militares e ao Código Penal Militar. Ele se considera acima da lei. Mas não está. Quanto mais se afunda na ilegalidade, menos forte fica sua autoridade. Não há autoridade fora da lei. E, os apelos feitos ontem à coesão e à unidade dos sargentos e subordinados em favor daquele que, no dizer próprio, sempre esteve ao lado dos sargentos, demonstra que a autoridade presidencial busca o amparo físico para suprir a carência de amparo legal. Pois não se pode mais ter amparo legal quem no exercício da Presidência da República, violando o Código Penal Militar, comparece a uma reunião de sargentos para pronunciar discurso altamente demagógico e de incitamento à divisão das Forças Armadas”. (Jornal do Brasil – 31/03/1964)

“Até que ponto o Presidente da República abusará da paciência da Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de Decretos-Lei, a função do Poder legislativo? Até que ponto contribuirá para preservar o clima de intranqüilidade e insegurança que se verifica presentemente, na classe produtora? Até quando deseja levar o desespero, por meio da inflação e do aumento de custos de vida, a classe média e a classe operária? Até que ponto quer desagregar as Forças Armadas por meio da indisciplina que se torna cada vez mais incontrolável?
“Não é possível continuar mais nesse caos em todos os sentidos e em todos os setores. Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro”
“basta de farsa. Basta de guerra psicológica que o próprio governo desencadeou com o objetivo de convulsionar o País e levar avante sua política continuísta. Basta de demagogia, para que, realmente, se possam fazer as reformas de base”.

“...queremos o respeito à Constituição. Queremos as reformas de base votadas no Congresso. Queremos a intocabilidade das liberdades democráticas. Queremos a realização das eleições em 1965. Se o senhor João Goulart não tem a capacidade para exercer a Presidência da república e resolver os problemas da Nação dentro da legalidade constitucional, não lhe resta outra saída senão entregar o governo ao seu legitimo sucessor”.

“É admissível que o senhor João Goulart termine o seu mandato de acordo com a Constituição. Este grande sacrifício de tolerá-lo até 1966 seria recompensador para a democracia. Mas, para isto o senhor João Goulart terá de desistir de sua política atual, que está perturbando uma nação em desenvolvimento e ameaçando levá-la à guerra civil.”
“A Nação não admite nem golpe nem contra golpe. Quer consolidar o processo democrático para a concretização das reformas essenciais de sua estrutura econômica. Mas não admite que seja o próprio Executivo, por interesses inconfessáveis, que desencadeie a luta contra o Congresso, censure o rádio, ameace a imprensa e, com ela, todos os de manifestações do pensamento, abrindo o caminho para a ditadura. Os poderes Legislativo e Judiciário, as classes armadas, as forças democráticas devem estar alertas e vigilantes e prontos para combater todos aqueles que atentarem contra o regime.

O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora basta!”(Correio da manhã – 31/03/1964)
Fora

“A Nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do governo. Chegou ao limite a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o governo ao seu legitimo sucessor. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!
Durante dois anos, o Brasil agüentou um governo que paralisou o seu desenvolvimento econômico, primando pela completa omissão o que determinou a completa desordem e a completa anarquia no campo administrativo e financeiro.

Quando o Sr. Goulart saiu de seu período de omissão foi para comandar a guerra psicológica e criar o clima de intranqüilidade e insegurança que teve o seu auge na total indisciplina que se verificou nas forças Armadas.
Isso significou e significa um crime de alta traição contra o regime, contra a república que ele jurou defender...

...O Sr. João Goulart não pode permanecer na presidência da república, não só porque se mostrou incapaz de exercê-la como também conspirou contra ela como se verificou pelos seus últimos pronunciamentos e seus últimos atos.
“... A Nação, a democracia e a liberdade estão em perigo. O povo saberá defendê-las. Nós continuaremos a defendê-la.” (Correio da Manhã – 01/04/1964)

“Atualmente, no presente governo, que ainda se diz democrata, a ideologia marxista e mesmo a militância comunista indisfarçada constituem recomendação especial aos olhos do governo. Como se já estivéssemos em pleno regime marxista-leninista, com  que sonham os que desejam incluir sua pátria no grande império soviético, às ordens do Kremlin” (Diário de Noticiais – 01/04/1964)
“Quem estimula a indisciplina de marujos e fuzileiros e depois os transforma em bandidos e em seguida em pobres diabos pilhados em flagrante?

A partir de 13 de março o Sr. João Goulart tem injuriado muitos, em muito pouco tempo. Agora, ao que tudo indica, já lhe resta muito pouco tempo para injuriar quem quer que seja.” (Jornal do Brasil – 01/04/1964)
“No dia 19 de março de 1964, uma das maiores demonstrações populares, a Marcha da Família com Deus pela liberdade, percorreu as ruas de São Paulo. Maria Paula Caetano da Silva, uma das fundadoras da União Cívica Feminina, foi a principal organizadora da passeata. A marcha partiu em direção à Catedral da Sé, com cerca de um milhão de pessoas. A manifestação foi uma resposta da população civil ao restabelecimento da ordem e dos valores cívicos ameaçados.

A marcha foi uma reação à baderna que estava tomando conta do País. Não podíamos deixar as coisas continuarem do jeito que estavam, sob o risco de os comunistas tomarem o poder”, dizia Maria Paula, uma das organizadoras do movimento.

 

 

 

 

 

 

Um comentário:

  1. E o bando de petralhas insiste em deturpar a verdadeira história

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