sexta-feira, 27 de junho de 2014

Imagina na campanha.


Quando a popularidade lhe era risonha e franca, a presidente Dilma Rousseff posava de leoa. A cada escândalo denunciado pela imprensa demitia um ministro e contabilizava o ato como lucro do governo no altar da austeridade.
Tratava o Congresso com indiferença e, a julgar pelas versões da assessoria palaciana sempre pronta a divulgar o quanto ela estava “irritada” com isso ou aquilo, lidava com a equipe na base da aspereza e da impaciência.
Agora, à medida que o sorriso da opinião pública amarela a cabeça da presidente Dilma Rousseff vai baixando e seus joelhos vão dobrando. Faz algum tempo que não se ouve mais falar que tenha ficado irritada com algo ou com alguém.
A mansidão chegou ao auge da submissão agora na fase final de fechamento das coligações concorrentes à Presidência. O PR, que havia sido envolvido em denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, passou a mandar na presidente.
O partido não gostou da substituição de Alfredo Nascimento por César Borges porque o escolhido por Dilma não atendia a contento os interesses dos parlamentares do PR. Dava preferência às questões do ministério.
A presidente achava que estava certo. Mas parou de achar assim que o PR endureceu e disse que não lhe daria os seus 62 segundos de tempo de televisão se ela não providenciasse a troca. Com isso, tirou-se Cesar Borges do caminho do PR.
Acertada a aprovação do apoio de Dilma na convenção de segunda feira, é desesupor que o partido esteja satisfeito com a parte do latifúndio da máquina pública que lhe foi reservado. Para fazer o que? Se antes reclamava atendimento a questões particulares, para atender o interesse público é que não deve ser.
Duvida semelhante paira sobre o empenho (para dizer o mínimo) da cúpula do PT em arrancar á força a aprovação da aliança, sem submeter à questão aos votos dos convencionais para não correr o risco da derrota. O presidente, senador Ciro Nogueira, simplesmente avocou a decisão à Executiva e deixou o recinto sob as vaias e os gritos de “vendido” de seus correligionários.
Ora, quando um acordo com o governo se sobrepõe ao compromisso da direção com o próprio partido que por isso é obrigado a recorrer a Justiça Eleitoral em defesa do direito colegiado de escolher, algo de obscuro há para que se recorra ao “manu militare” (locução latina que significa "através da força militar") como solução de emergência. E esse “algo” tem a digital do Estado.

A semana fechou com a revelação de que a Secretaria de relações Institucionais da Presidência da república pediu ao PMDB a lista dos nomes dos Prefeitos do Rio de Janeiro que estiveram no lançamento do movimento “Aezão”, duas semanas atrás.

                                              Começa com um convite de "almoço"

Esses prefeitos apoiam a candidatura do governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, para o governo do Estado e do senador Aécio Neves para a Presidência. Segundo o Ministro das Relações Institucionais, a ideia é convidar esses prefeitos para conversar. “É do jogo”, disse ele.

Sim, do jogo eleitoral, no qual pela regra não se inclui o Palácio do Planalto. Uma coisa é o assédio partidário sobre prefeitos que tendem a migrar para o adversário. Normal. Disputa de apoio político.

Outra coisa bem diferente é um “convite para almoçar” partindo da Presidência da República, com todo o peso dos instrumentos de poder que isso lhe confere. Sem contar que o mero envio de e-mail ao PMDB com pedido de lista para esse fim já caracteriza um ato de auxilio ao comitê de campanha da candidata a reeleição.


Se isso não se configura abuso e uso indevido do bem público, francamente, fica difícil definir o que seja. E se as coisas já estão assim nessa altura dos acontecimentos, quando a presidente, com todos os reveses, ainda está em primeiro lugar nas pesquisas, é de se imaginar do que será capaz o partido no poder para não correr o risco de perder o poder, quando de fato começar a campanha.
Obs: As imagens e grifo em vermelho não fazem parte do texto original, foram inseridos pelo RVChudo.

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