sábado, 14 de junho de 2014

Estações misturadas

13/06/2014
Jornal do Brasil
Mistura de estações
Quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo, a ideia é de que a euforia tivesse vida longa e que o governo estivesse agora sendo tão festejado quanto a seleção que ontem entrou em campo para derrotar a Croácia por 3 X 1.
A intenção era recolher dividendos políticos. A realidade, contudo, não permitiu o cumprimento dos desígnios e o que se vê é o governo perdendo a confiança da população devido a deterioração da economia , que assume uma dimensão superlativa justamente pela realização da Copa com seus gastos e atrasos.

Não é o resultado de campo que vai determinar o resultado das eleições, embora a ineficácia fora dele tenha contribuído bastante para que se consolidasse a percepção de que a capacidade do governo de "realizar" não correspondia aos fatos.
Sem muito a fazer para inverter a tendência de queda na intenção de votos e no aumento da rejeição nas pesquisas, a presidente Dilma Roussef tenta nitidamente tirar algum partido da Copa. Faz uma manobra para virar o jogo e dizer que as coisas são ao contrário do que na verdade são.
Diz a presidente que nem na ditadura se misturava o futebol com a política. Não é verdade. O ditador da vez que se referia Dilma, em 1970, Garrastazu Médici, misturava sim. O que não havia era espaço para contestações, em manifestações. Não havia sequer eleições.
Agora ninguém está misturando nada com nada. O que há é uma insatisfação completa com os serviços públicos, a ação de vândalos e a incapacidade do poder público, em todas as esferas, de responder de maneira adequada. Isso em relação a junho de 2013.

As promessas da ocasião ficaram pelo meio do caminho ou eram inexequíveis (Constituinte exclusiva para reforma política, por exemplo) e a baderna correu solta até espantar os manifestantes de boa fé das ruas.
Em 2014, os protestos voltaram com outro perfil: as categorias profissionais e movimentos, alguns politicamente instrumentalizados, que procuraram tirar proveito da visibilidade do Mundial para obter vantagens dos governos, alguns com sucesso.
Mas não há nisso uma linha de ligação direta com os jogos propriamente ditos, a não ser aquela que a própria presidente estabelece quando atribui as criticas aos gastos e atrasos - o chamado mau humor geral - aos opositores do governo..
Dilma os qualifica de "pessimistas" e determina que foram "derrotados". Eram também assim chamados os que alertavam para a condução errática da economia enquanto o governo previa crescimento irreal do PIB e dizia que o aumento dos preços não era motivo de preocupação. Se alguma tese saiu derrotada ai não foi a dos que estavam sendo apenas realistas.
Agora a presidente faz uma manobra em que tenta confundir os críticos à incompetência governamental com maus brasileiros que torcem pela derrota da Seleção. Foi esse o recado de seu ultimo pronunciamento em cadeia de rádio e televisão.
Impossibilitada de colher os louros de uma organização à altura das promessas feitas sete anos atrás pelo antecessor, Lula da Silva, Dilma opta por criminalizar o senso critico da população em relação aos deveres do poder público e a consciência de que a realização da Copa do Mundo no Brasil não é uma dádiva merecedora de gratidão eterna.
Se alguém está misturando estações - de propósito e convenientemente com sinal trocado - é a própria presidente, que vai a televisão dizer que há uma campanha contra a Copa que, na verdade, é uma campanha contra o governo. Só faltou dizer explicitamente, porque implicitamente deu a entender, que quem ão vota nela não gosta do Brasil. Por esse raciocínio, sua queda nas pesquisas é grave crime de lesa pátria.
Tudo fantasia, fruto de manipulação marqueteira. Na batata, como se dizia antigamente, agora todo mundo vai torcer. E, em outubro, votar como bem entender.
ESTADÃO
E o povo entende como deverá votar. Esse povo que compareceu ao estádio é sim privilegiado, pode fazer o que a grande maioria fez e não foi ouvida. Não foi ouvida por não ter os recursos necessários para estar presente na "festa popular". A Copa é para poucos que podem pagar, mas, estes manifestaram o sentimento de todos ao gritar a pleno pulmão o "Dilma vai tomar no "C".

Um comentário:

  1. Kifuri, vai tomar no cu você e esses jornalistas. Essa merda de governos faz uma merda de copa na condição que o país se encontra, arma essa roubalheira toda e divide os lucros com a FIFA e vc quer o que, que o povo bata palmas? Vão tomar no cú quem chamou a torcida de mal educada. Maior ofensa essa porcaria de governantes fazem com nossos filhos e com todos nós.

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