terça-feira, 17 de junho de 2014

Praça não é tão inocente não.


Devido a minha posição de ser contra a desmilitarização das PMs sou chamado de “policiólogo” de adentrar em seara que não entendo, me dão até a patente de coronel; o que não sou. Sou praça, subtenente, com 15 anos nesta graduação. Não me permitiram ascender nem por aprovação em concurso nem por merecimento, mesmo tendo conceito 80, que é o máximo que se pode ter e possuidor de elogios incontáveis, até de Brasília.

Mas sou general, general de minha vida e me interponho contra toda e qualquer ilegalidade praticada contra minha pessoa.

Pois bem, dizem serem oficiais os maiores interessados na desmilitarização, que são covardes abusivos e exploradores do efetivo. O que discordo, estas praticas são inerentes aos oficiais de incompetência comprovada e, que só prosperam satisfazendo interesses políticos inseridos na vida da polícia militar, os desprovidos de caráter. Os competentes, de caráter idôneo, de posição pró Corporação, estão alijados de qualquer ação.

Então, praças se dizem vitimas de oficiais para apoiarem uma desmilitarização, como se isso fosse a possibilidade de sua “vingança”. Esquecem que a “polícia desmilitarizada” não vai surgir de um passe de mágica, sem hierarquia e sem um regramento disciplinar e sem abusos. Os desprovidos de caráter serão os mesmos.

Não só os oficiais são desprovidos de caráter, praças também são no trato com seus iguais. Se ocorrer um litígio entre oficial e praça tendo um praça presenciado o abuso cometido por oficial, não se iluda. Se inquirido em procedimento apuratório, esta testemunha praça, dirá simplesmente que nada viu nem ouviu, mesmo estando presente no ambiente onde ocorreu o fato delituoso. Ou seja, deixará o oficial impune e seu igual sujeito a uma punição. A culpa é do militarismo?

Nas unidades é constante as reclamações sobre a comida servida, mas não se comenta sobre os desvios de gêneros e as licitações com alimentos sem qualidade. No BPChq, por exemplo, onde são servidas cerca de 700 refeições diárias, não há pratos suficientes para a demanda. Os 100 pratos que disponiveis limpos são colocados para iniciar as refeições, logo acabam e são lavados quando alguém, um praça, se dispõe a lavar para que continuem a se servir. Há higiene? Há educação? Há constância no serviço? Para resolver isso é preciso que o MP, com mandado judicial, adentre no quartel, sem aviso, para flagrar como a coisa acontece. Garanto que terão matéria para muitos processos. Mas é culpa do militarismo?

O policial que trabalha no rancho capricha no tempero e na aparência da refeição servida no refeitório dos oficiais, mas, é na comida servida aos praças que pode lhe render a economia que ele precisa para garantir o provimento de sua família. Observe os talheres, observe os pratos. São lavados com capricho? Deviam ser, pois, são praças servindo seu igual, também praças.

A larva aparece na refeição do praça, mas na dos oficiais duvido que isso aconteça. Para lá, os gêneros têm outro tratamento, as verduras são limpas de fato. Mas na dos praças, em maior quantidade, o praça que faz esse serviço vai "prevaricar", quer se "adiantar". A culpa é do militarismo?

Experimente entrar no banheiro usado pelo efetivo das cozinhas do quartel. Deviam ser impecáveis, dotados de higienização impecável e especial, já que quem o usa, manuseará alimentos. Vai se surpreender.

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro possui pessoal para lidar com Direitos dos PMs em caso de abusos ou ilegalidade. Mas pode acabar sendo extinto por falta de procura. Se a Defensoria Pública mantém este serviço, é porque vê que há muitas arbitrariedades, mas falta interesse em denunciá-las. Claro, falta interesse e coragem.

O dinheiro para prover a comida nas Unidades, com a economia, era também usado para outras despesas, como a manutenção de viaturas. Hoje isso não acontece, deveria sobrar para refeições de qualidade. Esta contabilidade se desenvolve na P/4 das unidades, onde certamente trabalham praças confeccionando toda a documentação contábil. Se manuseiam esta documentação, sabem se há desvios. Então a culpa é do militarismo?

Se o oficial comete abusos contra seus inferiores, estes inferiores também o fazem no trato com a sociedade e até com seus iguais. É culpa do militarismo?

Esse deveria ser o foco dos Policiais Militares, não o fortalecimento dos inimigos da Nação com o apoio a desmilitarização. Pelo menos agora, com a democracia fragilizada.



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