terça-feira, 10 de junho de 2014

Sou realista, fui usado. Me sinto um idiota.


Hoje, avaliando o escândalo na compra e manutenção das viaturas PMERJ, não posso negar, estou arrasado. Sim, arrasado por acreditar que me empenhei ao máximo para colocar uma frota de sucata rodando no patrulhamento, me humilhando pelo comércio pedindo ajuda na manutenção das viaturas. Queria que minha Unidade cumprisse sua missão.


Viaturas de minha época, acervo do CMM/PMERJ





Tínhamos profissionais em manutenção, o que não tínhamos era dinheiro e ferramental. O arame fazia parte de nosso arsenal, muito útil para substituir um parafuso ou um engate que nunca chegava. Fui encarregado de manutenir viaturas por um bom tempo, desde meu ingresso até as ultimas unidades em que servi.

A verba para movimentar o batalhão sempre foi oriunda da Caixa de Economias, isto é, da economia feita com as etapas de rancho. O dinheiro economizado com refeições de baixa qualidade era revertido para a Caixa de Economias da Corporação que repassava uma parte as Unidades. Com este dinheiro, a administração se munia de suas necessidades, incluindo a manutenção das viaturas.

Quando o Estado adquiria viaturas novas, era uma festa. Uma festa política. Os jornais noticiavam a compra de 50 viaturas, elas desfilavam pela cidade em carreata com sirene e luzes piscando, sendo propagado até com a frase “as luzes da cidade”. Mas na hora da divisão, duas ou três para cada unidade operacional. Continuava tudo na mesma.

Sou sabedor que uma viatura nova trabalha dois anos sem manutenção corretiva, mesmo com a precária manutenção à época. O gasto era necessário com as mais antigas. Algumas por falta de reposição de peças de suspensão, começavam a se partir, ai, era o famoso “bacalhau”. Um pedaço de chapa soldado reforçando o peito da viatura, garantindo assim que ela não se desmanchasse na rua. Bateria? Nem pensar, me tornei um “expert” em ressuscitar baterias mortas. Pneu? O maior fornecedor eram os ferro velhos.

Enquanto isso, comandante gastando verbas que faltavam na manutenção em formaturas de um curso sem qualidade, em coquetéis para a sociedade, em cafés comunitários, mas, nenhum documento ao EMG relatando as dificuldades do policiamento pela falta de viatura. Ele não queria expor sua incompetência e seu real interesse naquele comando. Depois se candidatou a cargo eletivo, graças a Deus que a sociedade não o elegeu.


Portanto, quando vejo as matéria sobre o escândalo na compra e manutenção de  viaturas PMERJ, me sinto usado. Dinheiro sempre houve para uma frota de qualidade, mas, não havia o aval de um governador corrupto que viu a possibilidade de desvios de verbas. Naquela época, com as sucatas ambulantes, se me fosse direcionado um décimo do que é pago para manutenir uma viatura nova, eu poria toda minha frota de sucata para rodar dignamente. Mas notem, na nova era, viatura ao completar dois anos, deve ser descartada, justamente quando vai começar causar gastos com manutenção corretiva.


3 comentários:

  1. ou se unem ou continuarão a penar.
    sgt bm jesus

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  2. Jesus um grade abraço!!! 1/2 DBM ramos

    chudo bela matéria. já coloquei no face.


    JUNTOS SOMOS FORTES!!!

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  3. A CIDADE MARAVILHOSA SEMPRE SOFREU COM A CORRUPÇÃO. MOREI NO RIO NA DÉCADA DE 80 E ME LEMBRO DE VER VIATURAS FUSCA E CHEVETTE RODANDO SEM A MÍNIMA CONDIÇÃO. MILITARES CARIOCAS SÃO GUERREIROS POIS ALÉM DE ENFRENTAR A BANDIDAGEM ENFRENTAM TAMBÉM OS DESMANDOS DE POLÍTICOS E COMANDANTES CORRUPTOS. MAS TUDO INDICA QUE ESSAS COISAS ERRADAS ESTÃO PARA ACABAR, ESTAMOS VENDO POLÍTICOS SENDO PRESOS. VELHAS RAPOSAS SENDO ESTIRPADAS DO FUNCIONALISMO PÚBLICO. É SÓ UMA QUESTAO DE TEMPO PRA TUDO SE AJEITAR.

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