sábado, 19 de julho de 2014

A MAIS BONITA LINHA DE BONDES

ALTO DA BOA VISTA

Seria a mais bonita linha de bonde do mundo se ainda estivesse rodando. O mundo possui uma grande variedade de belas linhas de bonde, incluindo a de Santa Tereza e o trenzinho do Corcovado, que continuam rodando no Rio de Janeiro.

A linha do Alto da Boa Vista desapareceu, mas é lembrada por uma beleza e importância histórica. Ela foi a primeira linha eletrífica construída na América Latina e foi a última a ser fechada.

Desde os anos 1860, tentativas foram feitas para escalar as montanhas ao redor do Rio de Janeiro, com cremalheiras, funiculares e bonde aéreo.

Em 1870 uma estrada foi proposta a partir do final do bonde, puxado a cavalos na Tijuca (que foi a primeira linha de bonde, aberta em 1859) a um parque na altura de 385m, chamado de Alto da Boa Vista. O projeto não foi implementado, mas em 1890, outra companhia conseguiu uma franquia para construir uma linha elétrica ao longo do mesmo caminho e construiu sua usina elétrica em pequeno rio, ao final da Rua Conde de Bonfim.

Hoje, a usina elétrica não mais existe, mas essa área do Rio é ainda chamada de Usina. A Cia Estrada de Ferro da Tijuca (CEFT) instalou trilhos e fiação ao longo de uma via sinuosa de 5 km da Usina ao Alto da Boa Vista, e encomendou 12 vagões da Cia. John Stephenson, em Nova York, que chegaram ao Rio em 1891.

Mas a CEFT ficou sem dinheiro, encontrou problemas de engenharia nas subidas mais íngremes e parou a construção por sete anos.

A fotografia abaixo foi tirada quando a operação na linha finalmente começou em 1898.

Fotografia de outro vagão da Stephenson, semelhante ao modelo, construído em Nova York para a Companhia Jardim Botânico de Bondes, cuja construção começou mais tarde, mas iniciou operações em 1892, sendo a primeira no continente a operar uma linha elétrica. Observe a inscrição "Companhia E. de F. Da Tijuca" no painel traseiro.
Uma visão rara de um vagão da Stephenson no topo da montanha, no terminal do Alto da Boa Vista, por volta de 1905. Esse local hoje é chamado de Praça Afonso Viseu.

Em 1903 a CEFT foi vendida para a Cia de Bondes São Cristóvão, que pintou os carros de amarelo. Subir a montanha em um vagão aberto para o clima mais frio do Alto da Boa Vista tornou-se um passatempo favorito para os cariocas e turistas que visitaram o Rio durante os 60 anos seguintes.

A maioria dos bondes do Rio desapareceu por volta de 1960.
A Diretoria de Transportes da Cia. de Transportes Coletivos do novo Estado do Rio, para celebrar o 400º aniversário da cidade, em 1965, reconstruiu 10 vagões abertos como modelos fechados aerodinâmicos, numerados de 1 a 10, para um serviço especial na linha do Alto da Boa Vista, esperando atrair turistas.

Os veículos tinham traseira única e andavam somente em uma direção, de modo que exigiam a construção de arcos de retorno.
Da Usina, o bonde começava uma subida espetacular ao longo da Av. Edison Passos (antiga Av. Tijuca) e da Estrada Velha da Tijuca (estrada original). A linha de 5 km era inteiramente com desvio.

No alto, os trilhos alcançam as serras cariocas. Haviam elevadas inclinações e muitas curvas em S. Cerca da metade do caminho, a linha passava da Estrada Velha da Tijuca para a Rua Muçu.
O novo retorno do bonde ficava na Rua Boa Vista, na Estrada do Açude, vários quarteirões além do terminal original de 1891.


A estrada do bonde do Alto da Boa Vista foi avariada por uma tempestade em janeiro de 1966 e fechada por quatro meses. Como outros depósitos de bondes na cidade foram fechados, uma nova garagem para os carros do Alto da Boa Vista foi construída atrás do retorno e a linha foi restaurada em sua forma final, no Natal de 1966.
Os bondes iam somente da Usina serra acima até o Alto da Boa Vista - uma linha de bondes isolada e independente nos arredores da cidade - exatamente como a Estrada de Ferro da Tijuca havia estabelecido em 1891!

Outra tempestade em janeiro de 1967 fechou a linha novamente. Reaberta em março, funcionou com dois carros por vários meses.
Fechou e reabriu, e rodava intermitentemente, e por fim, declarada permanentemente abandonada em 21 de dezembro de 1967.

Os ônibus serviam à mesma via e chegavam a novos distritos mais distantes e por isso os turistas resistiam a uma longa viagem à Usina para tomar um bonde que poderia não operar e, de todo o modo, preferiam andar em um trem aberto e não em um fechado. Em 1968, os trilhos ao longo da via foram removidos e os bondes destruídos.

Restou ao carioca, e a quem utilizou os bondes, a lembrança de reviver um pouco do antigo Rio de Janeiro, num agradável passeio, repleto de belas paisagens.

Fonte: Velhos amigos

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