sábado, 12 de julho de 2014

O fim da Fifa



Jornal do Brasil - Opinião

Países como Itália, Inglaterra e Espanha já perderam todos os pudores e incluem, ou estão prestes a considerar, as receitas produzidas pela prostituição, tráfico, ações mafiosas e contrabando no seu Produto Interno Bruto. No Reino Unido, estima-se que o total do dinheiro marginal signifique um crescimento de 37 bilhões de reais no PIB. Imagine se fosse aqui para usar apenas um verbo tão a gosto do complexo de vira-latas de grande parte de nossa mídia e iludidos formadores de opinião.

Mas nem ingleses, italianos e espanhóis têm primazia neste esdrúxulo procedimento. Mesmo sem contabilizar oficialmente as receitas criminosas no seu PIB, de alguma forma é a Suíça, no continente europeu, a primeira nação onde o dinheiro escuso flui como moeda obtida dentro da legalidade. Além de  parte de seus bancos historicamente cobrirem de sigilo contas bancárias de originadas no submundo, está em Zurique a sede da Federação Internacional de Futebol.
A Copa do Mundo no Brasil serviu para mostrar que  o país tem capacidade de realizar grandes eventos e promover uma alegre e organizada Babel dos tempos modernos ao receber com carinho e conforto nas ruas, aeroportos e hotéis milhares e milhares de estrangeiros.
Mas o evento contribuiu para muito mais do que a demonstração ao mundo de uma admirável festa esportiva. Foi aqui, depois de quatro Copas, que a polícia do Rio de Janeiro e o Ministério Público desfecharam um golpe duríssimo na quadrilha internacional que vendia ingressos desviados da própria Fifa. Fato que, por si só, escancara a competência de agentes policiais brasileiros e que deve agora transferir o sentimento de viralatice para as forças de segurança da França, Coréia/Japão, Alemanha e África do Sul, sedes dos últimos mundiais, onde a bandalheira também correu mais solta do que a bola.
A polícia do Rio pilhou o bando e levou às cordas os maiorais da Fifa, entre eles seu presidente Sepp Blatter. Afinal é um homem chamado Phillippe um dos mentores de todo o esquema fraudulento, como diz o especializado jornalista inglês Andrew Jennings. E quem é Phillippe? Simplesmente sobrinho de Blatter e sócio da empresa Match, vendedora exclusiva de todos os três milhões de ingressos no Brasil.
As ligações entre a Fifa e a Match são tão intestinas que esta última, recentemente, recebeu da instituição dirigida por Blatter um empréstimo de 10 milhões de dólares para dar andamento ao processo de negociação dos ingressos. E quanto de juros a Fifa cobrou? Zero, isso mesmo, zero. E qual era a data do pagamento destes 10 milhões? Janeiro de 2015, quando o butim estivesse encerrado.
Blatter mostra indignação. Quem acredita nela é capaz de acreditar em tudo. Ele é o manda-chuva da entidade que preside, desde 2001, mas já dava as cartas em 1998, como secretário-geral.
A Copa chega ao seu final com todos os méritos para o Brasil fora de campo e humilhação no gramado. Exatamente de maneira inversa das apostas feitas pela imprensa: sucesso em campo e fracasso fora dele. Mas o grande legado que o Brasil deixa ao mundo em especial a americanos e ingleses, que jamais nutriram confiança em Blatter e seus malfeitores, é o desbaratamento desta quadrilha que expõe a todos os continentes que o chamado padrão Fifa não passa de um miasma. E como fede.

Um comentário:

  1. E os brasileiros horários aceitaram calados serem despejados de suas casas para que construíssem estádios, padrão FIFA, mais uma vez dando mordomias de sultões a vagabundos!
    Vamos lá senhores políticos canalhas, agora mostrem o grande retorno, onde estão os empregos e os lucros que a copa ia proporcionar?
    As famílias que foram desapropriadas estão esperando para ser indenizadas, pois muitas estão sem lugar de morar!
    Vamos lá senhores torcedores fanáticos da seleção, que tal torcer para que a justiça não deixe estes seus conterrâneos abandonados a própria sorte!
    A FiFa e os políticos canalhas que não investiram em copa lucraram.
    E o trabalhador que teve seus impostos e até o FGTS investido na construção dos estádios estão sem moradias e abandonados a própria sorte.
    Seja torcedor ou não, logo todos brasileiros terão é mais contas da copa para pagar! Por isso, digo que deveríamos mudar o slogan da bandeira Nacional! Ao invés de Ordem e progresso; deveria ser: Ordens aos humildes e progresso aos canalhas!
    E enquanto não tiver fim a lei de imunidade e o foru privilegiado, só mudam as moscas, a merda continuara sendo sempre a mesma!

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