quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A PMERJ e seus gestores atolados na corrupção


Na década de 80, quando de meu ingresso na PMERJ, o efetivo não era dantesco como hoje. O serviço de saúde atendia, não com excelência, mas dava pro gasto.
Descontamos no contra cheque valores referentes ao Fundo de Saúde, que varia conforme o Posto ou Graduação. Sendo que foi considerado um desconto inconstitucional  pelo Órgão Especial do Tribunal de justiça do estado do Rio de Janeiro. Ao Estado, é obrigatória uma contrapartida financeira, com objetivo de custear as despesas de saúde da Corporação.

Os anos se passaram e, hoje, com efetivo triplicado, mais dependentes, inativos e pensionistas, a estrutura de saúde da PMERJ é a mesma de três décadas atrás. Imaginem o sofrimento para se marcar uma consulta preventiva.

Pois bem, o Estado não repassa sua contrapartida, comentando-se que este déficit já chega a R$ 100.000.000,00, o que certamente daria para ampliar consideravelmente a estrutura de saúde da PMERJ.
Uma derrota anunciada

Mas porque os gestores não cobram esta verba?

Além dos últimos noticiários em que Comandos estão seriamente envolvidos em crimes de corrupção diversas, a saúde da PMERJ também é alvo desta ganancia pelo dinheiro alheio.


PM é investigada por fraude em compras de hospitais

A suspeita de um novo megaesquema de corrupção na Polícia Militar está deixando os oficiais de cabelo em pé. Muitos militares já não conseguem dormir direito. Desta vez, o escândalo é na compra de material médico-hospitalar e roupas. Na semana passada, houve uma auditoria em um hospital da corporação em Niterói. Há informações de rombo de mais de R$ 3 milhões em licitação de medicamentos. A investigação aponta ainda para falsificação de assinaturas em documentos para efetuar compras. A inspeção em Niterói é só a ponta do iceberg. Há um processo administrativo no qual a corporação adquiriu, por mais de R$ 4 milhões, 75 mil litros de ácido peracético — usado para esterilizar material cirúrgico que não pode ir para o autoclave. Os grandes hospitais no Rio usam no máximo dois mil litros ao ano. Oficiais prestaram depoimento e outros serão convocados.
CORRUPÇÃO NA PM 1
Houve troca-troca na Diretoria de Logística. O caso é tratado como nitroglicerina pura. Nas últimas duas semanas, a PM ficou atolada em investigações sobre oficiais feitas pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, e promotores do Gaeco, do Ministério Público.
CORRUPÇÃO NA PM 2
Gerências de Enfermagem de dois hospitais gerais de grande porte, um na Zona Sul do Rio e outro em Niterói, afirmam que o ácido perácetico é tratado como produto obsoleto. Na PM, há quem garanta que a compra foi de 75 mil litros, mas que a corporação só recebeu quantidade ínfima.

Investigação aponta que rombo na rede de saúde da PM pode chegar a R$ 10 milhões

 Em paralelo, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, também apura o rombo na área da saúde. Dez contratos estão sendo auditados. 

A Corporação adquiriu por mais de R$ 4 milhões 75 mil litros de ácido peracético, o produto seria para o HCPM no Estácio.
A unidade não tem nem lugar para armazenar a grande quantidade. Para isso, seria necessário a utilização de cinco carros pipas ou 15 mil galões de cinco litros. No entanto, parte ínfima do ácido foi recebido. 

Unidades atendem a cerca de 250 mil 
Pelo menos 250 mil pessoas — entre PMs ativos e inativos e seus dependentes — são atendidos pela rede de saúde da corporação. São dois hospitais, um no Rio, outro, em Niterói, além de policlínicas e centros especializados, como o de fisiatria. Segundo a PM, a prestação de contas é feita ao Tribunal de Contas do Estado. 
A investigação do megaesquema de corrupção é mais um escândalo envolvendo oficiais. Semana passada, o ex-comandante do 17º BPM (Ilha) coronel Dayzer Corpas foi preso acusado de recebimento de propina de traficantes.

Embora hajam Corregedorias para apurar os indícios que certamente houveram, elas se tornam inúteis, inservíveis, imprestáveis e omissas, já que toda iniciativa na apuração, identificação e prisão de acusados parte do Ministério Público.


Antes de se pensar em desmilitarizar, pensemos em independência das Corregedorias, a CIntPMERJ e CGU, para que não subordinadas à Comando ou política, possam agir com isenção para resgatar a qualidade da Corporação e seu comprometimento com seu efetivo. Afinal, viatura com ar condicionado não é tudo para o PM.


2 comentários:

  1. dar poder as clint? lá só tem gente que ja foi, verdadeira insenção só o ministério publico, mesmo assim não vale parente de policiais envolvidos,filhos nada !! se detectado a parte tem direito a vetar. ai funciona. se não vira revanchismo. odio,perseguição como é hj.

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  2. Quando digo independência da CInt e CGU, não falo de seus componentes, falo sobre tirá-las da interferência do comando e política e transferi-las para uma direção independente, até mesmo subordiná-las ao MP.

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