quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Bombeiros do Méier concorrem a prêmio internacional por resgate na Linha Amarela

Vencedor será escolhido por votação popular na internet, que termina no domingo.

POR 14/10/2014


Bom trabalho. Equipe do Méier que efetuou o resgate das vítimas em janeiro - Angelo Antônio Duarte / Agência O Globo

RIO — Esta não é só uma história de um resgate bem sucedido nem só de um trabalho executado com profissionalismo. É uma história de altruísmo, que representa a essência de quem se propõe a ser bombeiro. É assim que veem o tenente-coronel Demétrio Saldanha, o tenente Henrique de Oliveira, a tenente Patrícia Bragança e o segundo-tenente Igor Calixto, junto com outros 18 bombeiros do Méier, sobre o trabalho de salvamento das vítimas do desabamento da passarela na Linha Amarela, que caiu em janeiro deste ano após um caminhão com a caçamba levantada bater em sua estrutura. Pela dificuldade no trabalho, a equipe disputa o "Conrad Dietrich Magirus Award", uma votação pela internet que elege o melhor salvamento entre as corporções de todo o mundo em 2014.

A eleição, que termina domingo, é realizada no site da Magirus. A página dos Bombeiros também têm um link para a votação.

BOMBEIROS FORAM VOLUNTÁRIOS NO RESGATE
No quartel do Méier, como na maioria, a troca de turno ocorre às 8h. No dia 18 de janeiro, uma terça-feira, o tenente Henrique chegou para assumir o trabalho debaixo de uma das temperaturas mais altas do ano. Como sempre, assumiu o posto checando as viaturas, conferindo os materiais de salvamento e distribuindo os serviços do dia.

A tenente Patrícia, que também assumia o serviço no início da manhã, tinha a ordem para levar a ambulância até uma oficina. Precisava arrumar o freio de mão do veículo. Isso antes de ir ouvir o telefone tocar às 8h53. Enfermeira e voluntariosa, esperou o término do chamado e se colocou à disposição.

O segundo-tenente Calixto tinha acabado de largar o serviço do dia anterior, mas fez jus ao dito que "soldado no quartel quer trabalho" e se dispôs a formar a equipe, que inicialmente era composta por cinco viaturas: duas ambulâncias, uma de combate a incêndio, uma de salvamento e uma picape de deslocamento rápido.
— A informação que tínhamos era de que um caminhão havia batido na passarela. Não sabíamos do desabamento. Fomos preparados para um grande acidente, mas não imaginávamos o tamanho da tragédia — explica o tenente-coronel Demétrio, que comanda a unidade do Méier e que coordenou os trabalhos no dia.

O primeiro contato visual foi feito pelo tenente Henrique, que imediatamente informou a situação ao comandante. A cena que viu era composta por três vítimas dentro de um Fiat Palio, pelo caminhoneiro ferido, por um homem se afogando no rio ao lado da Linha Amarela, duas mulheres que caíram da passarela, por um motociclista e por um taxista esmagado pela passarela. Ao todo, foram nove vítimas com quatro sobreviventes.
Imediatamente, os bombeiros do Méier receberam o reforço de dois helicópteros e seis viaturas, vindos de quartéis de São Cristóvão, Ramos e da Barra da Tijuca.
— Tem dias que você acorda e tudo dá certo. Aquele dia tínhamos uma equipe treinada, o melhor equipamento e a proteção divina — enfatiza o comandante Demétrio, destacando a perfeição técnica e os sete minutos que levaram para chegar ao acidente.
Para a tenente Patrícia, o trabalho foi além da técnica para se concentrar apenas no salvamento e não no sofrimento das vítimas. Ela sente que cumpriu o dever como ser humano, mesmo com o falecimento de cinco vítimas.

Sucesso. Bombeiros chegaram em sete minutos e salvaram quatro vidas - Guilherme Pinto/28-01-2014 / Agência O Globo

— Uma vida salva faz a diferença. Gostaríamos de salvar todos, mas o importante é salvar. A gente não controla isso [quem vive ou morre]. Antes salvar quatro do que nenhuma — enfatiza.
Após o salvamento, o segundo-tenente Calixto garante que a equipe se sente mais confiante e preparada para grandes acidentes:
— Quando acontece algo ruim, de grande proporção, tudo que acontece depois fica mais fácil.

ELEIÇÃO TERMINA NO DOMINGO
Os quatro militares concordam que o trabalho na Linha Amarela foi o melhor e maior salvamento feito em suas carreiras. Foram condecorados e homenageados pelo alto comando do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro e receberam avaliação positiva por parte dos especialistas em salvamento.
Por tudo isso, o segundo-tenente Calixto não exitou em inscrever o trabalho para concorrer ao "Conrad Dietrich Magirus Award", contra outros dez resgates feitos na França, Irã, Itália, Áustria , Romênia e Espanha.

Se ficarem entre os três melhores, vão conhecer a fábrica da Magirus, na Alemanha. O campeão da votação poderá levar dez membros para conhecer a estrutura dos bombeiros de Nova Iorque.
A votação na internet termina domingo. Quem quiser promover o trabalho brasileiro pode entrar no site dos Bombeiros e clicar no link da eleição.

O site da votação é em inglês, mas o caminho é relativamente fácil. Basta rolar a página para baixo, clicar na caixa que diz “Cast your vote” e escolher os dizeres “Walkway falls due to collision with truck". Depois é só preencher o nome e e-mail para, finalmente, clicar em “Submit vote”.


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