sábado, 15 de novembro de 2014

Ex-diretor recebeu alerta sobre risco de comprometer Dilma

12 Novembro 2014 

Meses antes de Operação Lava Jato ser deflagrada, e-mail enviado a Costa chamava atenção para ‘desmandos’ na gestão da Petrobrás

Por Ricardo Brandt e Fausto Macedo

Em janeiro, dois meses antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás recebeu um alerta, via e-mail, de que os “desmandos” na estatal – especialmente nos negócios ligados às refinarias de Abreu e Lima, em Pernambuco, e de Pasadena, nos EUA – poderiam comprometer o Palácio do Planalto e transformar a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em alvo de ações judiciais.
“As notórias fragilidades e má administração da Petrobrás, sempre abafada pelo governo federal, colocam (em risco) diretamente a atual presidente da República e ex-presidente do C.A. (Conselho de Administração) da petroleira Dilma Rousseff (…) e o ex-presidente Lula e seu protegido Sérgio Gabrielli”, informa o texto do e-mail de 13 de janeiro enviado a Costa, suspeito de comandar um esquema de desvios da estatal que abastecia o caixa de partidos da base aliada.
Ele fechou um acordo de delação premiada no qual se comprometeu a dizer o que sabe em troca de redução de pena.
O e-mail recebido pelo agora delator da Lava Jato mira, basicamente, a gestão de José Sergio Gabrielli no comando da Petrobrás. O petista presidiu a estatal de 2005 a 2012, período em que Costa foi diretor de Abastecimento.
O documento em duas folhas menciona ainda prejuízos à “blindagem financeira que hoje existe nas finanças da petroleira” e fraude contábil nos balanços anuais da estatal. “Ou seja existe um risco, muito grande, de a presidente da República do Brasil ser acionada judicialmente por vários desmandos que causaram, vem causando e ainda poderão causar no futuro enormes e significativos prejuízos aos investidores da Petrobrás”.
O e-mail foi identificado na quebra do sigilo telemático da empresa Costa Global, aberta pelo ex-diretor de Abastecimento em 2012 e que era usada para receber propina para partidos e políticos. O texto, em forma de relatório informal, partiu de alguém que se identifica como “jiconceicao”. Os investigadores ainda não conseguiram identificar o autor, que, segundo informações preliminares, escreveu o relatório a pedido de Costa.
Conexão. O conteúdo do e-mail cita três obras da Petrobrás que são alvo de investigações: além das refinarias de Abreu e Lima e Pasadena, menciona o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
No texto, o autor diz que “a possibilidade de denúncias no âmbito internacional, sobre as condições de segurança e boas ao meio ambiente das unidades operacionais” da Petrobrás poderão colocar em risco não só a imagem da estatal no mercado como “toda a blindagem financeira existente”.
No documento, o remetente escreve: “Investidores da Petrobrás, principalmente os internacionais, acreditam que as administrações Gabrielli não resistem às várias ações que deverão ser propostas nas câmaras de arbitragem internacionais (principalmente Paris e Londres).”
“Também estão em risco as empresas de auditorias que, durante este período de administração do senhor Gabrielli, forneceram pareceres sem as ressalvas necessárias nos balanços patrimoniais anuais por eles auditados”, conclui o texto do e-mail.
Gabrielli não respondeu aos pedidos de entrevista. Ele já negou, em outra ocasião, envolvimento com ilícitos. A Petrobrás também não quis comentar o caso.
ABAIXO, TRECHO DO E-MAIL APREENDIDO PELA PF NA COSTA GLOBAL


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