segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Petrobras: supersalário de diretores custa 46% a mais em 2014

Remuneração individual prevista é de R$ 2,3 milhões, em média, neste ano; em 2013, maior vencimento atingiu R$ 1,9 milhão.

                             Graça Foster, presidente da Petrobras e diretora internacional da companhia

As ações e o lucro vêm despencando há anos, o endividamento tem subido, diversos contratos estão sob suspeita e os diretores da Petrobras custarão à empresa, em média, 46% a mais do que em 2013 cada um, segundo as previsões mais recentes da companhia tabuladas pelo iG.
No total, a estatal pagará R$ 17,2 milhões à sua diretoria neste ano. Como a Petrobras informa que terá "7,67" diretores em 2014 – a empresa diz que o número quebrado decorre do fato de o número de membros corresponder "à média anual do número de membros de cada órgão apurado mensalmente" – a remuneração média por diretor é de R$ 2,25 milhões. Em 2013, o gasto total foi de R$ 11 milhões e a média individual, de R$ 1,54 milhão.
Os valores incluem tudo o que é pago para remunerar cada diretor  – de bonificações a contribuições previdenciárias. Se considerado apenas o salário, o aumento individual é de 14%.
Os dados foram disponibilizados pela Petrobras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que obriga as empresas de capital aberto a divulgarem, desde 2011, o quanto gastam com os conselhos de administração e fiscal e com a diretoria – órgão que concentra, normalmente, os supersalários das companhias.
A Petrobras ressalta que os montantes de 2014 são projetados, afirma que os reajustes nos honorários mensais é de 7,67%, e diz estar impedida por lei de divulgar os salários individuais de seus diretores.
A empresa ainda sugere - mas não deixa claro - que os valores de 2014 são referentes ao período de março de 2014 a abril de 2015, enquanto os de 2011 a 2013 referem-se aos períodos de janeiro a dezembro de cada ano. 
O aumento na remuneração da diretoria da Petrobras decorre principalmente da elevação da participação no resultado. O valor distribuído aos integrantes do grupo somará R$ 2 milhões em 2014, ante R$ 606 mil em 2013. A companhia não esclareceu detalhadamente quais sãos os critérios que definem essas participação.
Essa quantia, assim como o bônus de R$ 615 mil (ligeiramente inferior aos R$ 631 mil de 2013), é variável. Mas, mesmo que os diretores recebam apenas a parcela fixa – que independe do desempenho da companhia – seus vencimentos (incluindo contribuições previdenciárias e ao FGTS) crescerão 25% ante o total de 2013, bem acima da inflação de 5,9% apurada naquele ano.
Isso acontece porque aproximadamente 78% da remuneração dos diretores é fixa – ou seja, independe de critérios de desempenho estabelecidos pela empresa. Esse percentual já foi maior: em 2011, era de 85%.
Sinais negativos desde 2011

Desde 2011, primeiro dado disponível, os gastos totais da Petrobras com seus diretores subiu 41% – um aumento individual de 60% em média. Nesse período, diversos indicadores econômico-financeiros da empresa pioraram.
As ações, que estavam cotadas a R$ 22,97 (ordinárias) e R$ 27,27 (preferenciais) no início de 2011, fecharam o pregão da última sexta-feira (14) em R$ 12,48 e R$ 13,28. O lucro líquido despencou de R$ 10,9 bilhões para R$ 5 bilhões, na comparação entre o 2º trimestre daquele ano e o mesmo período de 2014.
O endividamento total, que no meio de 2011 estava em R$ 128 bilhões, atingiu R$ 307 bilhões em junho deste ano. Parte decorre da elevação dos investimentos da empresa, que saltaram de R$ 9 bilhões para R$ 16 bilhões no período. Mas o crescimento dessa rubrica perdeu fôlego de 2013 para cá.
Para um analista que acompanha de perto a Petrobras, o desempenho ruim dos papéis da companhia está relacionado não só aos humores do investidor de curto prazo, mas também às decisões do comando da empresa.
Os supersalários da Petrobras
R$ 17.223.245,07ÉoquantoreceberáadiretoriadaPetrobrasem2014
R$ 2.245.533,91Éoquantocustará,emmédia,cadadiretor

Supersalários ainda são caixa-preta no Brasil
Embora obrigue as empresas a declararem o quanto pagam aos seus órgãos de direção, e quais as remunerações máximas e mínimas, a legislação brasileira não exige detalhamento individual – diferentemente do que ocorre em outros mercados.
"Inclusive na própria África do Sul, que é um país em desenvolvimento como o nosso, a divulgação é individual", diz Luiz Martha, do IBGC. "É uma prática saudável porque permite ao acionista avaliar se os executivos e conselheiros estão recebendo uma remuneração compatível com o resultado que estão entregando. Senão fica uma caixa-preta."
Martha ressalta, inclusive, que tem havido um ligeiro aumento no número de empresas que recorrem a uma decisão judicial de 2010 para não divulgar as remunerações máximas pagas aos seus administradores.
A Petrobras não o faz e, em 2013, informou que a maior remuneração da diretoria foi de R$ 1,9 milhão.

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