quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Novos ministros anunciam fim de direitos trabalhistas e redução nos reajustes do salário mínimo

Da Redação     Foto: Agência Brasil

Confirmados como futuros ministros do novo governo Dilma, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) anunciam pela mídia que vão fazer varredura em direitos trabalhistas e minguar ainda mais possíveis ganhos nos reajustes do salário mínimo, além de acelerar cortes na área social. Os dois são hábeis agentes de banqueiros e estão preparados para aplicar o que na prática seria a politica econômica de Aécio Neves caso tivesse sido eleito. Nessa mesma linha, a ruralista Kátia Abreu indica que quer transformar de vez o Ministério da Agricultura num balcão do agronegócio. 

Medidas

Na área econômica, todo o arrocho anunciado vem embalado na forma de "ajuste fiscal" e "equilíbrio das contas públicas". Em outras palavras, juros mais altos, cortes no setor social (sobretudo na Saúde e Educação), e criação de mais impostos e elevação dos preços em "balizadores da economia", como gasolina e energia elétrica. No plano do trabalho, ações dos novos ministros são para impedir ganhos reais no salário mínimo e atacar direitos históricos trabalhistas contidos na CLT, como por exemplo diminuição da multa em caso de o trabalhador ser  demitido sem justa causa. Levy e Barbosa querem ainda frear investimentos via BNDES e Caixa Econômica Federal, que são bancos públicos.
 
Na agricultura, medidas apontam para adequar ainda mais o campo para a produção de mercadorias, com o uso em larga escala de agrotóxicos e sementes transgênicas, para elevar lucros dos ruralistas e prejudicar a saúde da população, em particular da classe trabalhadora, que não tem acesso a alimentos orgânicos. Kátia Abreu tem ainda, como uma de suas metas principais, fazer aprovar o PLS 251/2010, de sua autoria, que dá prazo de 15 dias para que governadores cumpram ordens de reintegração de posse de imóveis urbanos e rurais, o que só favorece latifundiários e especuladores imobiliários. E Kátia já declarou também que o governo precisa parar de dar "aumentos generosos" no salário mínimo.
 
Razões
Todas essas medidas anunciadas têm duas razões básicas, já bem conhecidas. A primeira: fazer cada vez mais caixa com o dinheiro arrecadado do povo através de impostos (o chamado superávit primário) para pagar juros da eterna dívida pública junto aos próprios banqueiros que estão por trás da indicação de Levy e Barbosa. Segunda: precarizar direitos trabalhistas, para permitir que esses mesmos banqueiros e os grandes empresários tenham cada vez mais lucros. A  história de que tais medidas são necessárias para "equilibrar o país e controlar a inflação" é apenas a surrada desculpa que sempre dão para tentar justificar ataques à maioria da população.
 
Dilma e o PT, ao se prestarem ao desesserviço de entregar de vez o país nas mãos de banqueiros e ruralistas, invertem uma frase de Collor nas eleições presidenciais de 1989, que dizia: "Vamos deixar a esquerda perplexa e a direita exaltada". Hoje quem está perplexa é a direita, que talvez nem esperasse tanto desse novo governo. E exaltada ficou a esquerda (romântica), em particular a petista, que talvez nem sonhasse que tamanha negociata política pudesse ser feita.
 
Mas há, no entanto, uma parte da esquerda brasileira que não é alianhada com o PT e esse tipo de governo que patrocina. É possível, por conta disso, mobilizar a classe trabalhadora e a juventude para impedir que Dilma e seus novos ministros protagonizem um dos maiores retrocessos nesse país.

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