terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dilma Rousseff, Joaquim Levy, o crescimento brasileiro e a Petrobras


Jornal do Brasil - Opinião

Os que acreditam que o falatório com respeito à Petrobras, tanto os que defendem quanto os que atacam, resolverá o problema da estatal, se enganam patrioticamente. A crise da Petrobras, a empresa criada por Getulio Vargas com a oposição dos entreguistas, lamentavelmente não é só uma bandeira política brasileira. É sim, hoje, o carro-chefe ou o motor, a alma e o coração do desenvolvimento deste país. 
A crise da Petrobras, na proporção que vem crescendo, será a maior crise já enfrentada por um país do continente latinoamericano da história contemporânea. 
Um país com 200 milhões de habitantes, em que a Petrobras representa 60% dos investimentos, se a empresa vier a ter problema de não poder investir, ou de sanções que abalem a sua vida, isso representará a morte do país.
Não se esqueçam que o investimento atinge todos os segmentos de mão de obra qualificada e de mão de obra desqualificada. A atuação nas plataformas, na produção de petroleiros, os investimentos no gás, no pré-sal, na exploração e produção, no refino, na comercialização, no transporte, na petroquímica, na distribuição de derivados, na energia elétrica, no gás-química e nos biocombustíveis são os verdadeiros responsáveis pelo crescimento de carteira assinada dos trabalhadores brasileiros. A estatal emprega nada menos que 81 mil funcionários no Brasil e no exterior. Nos grandes municípios e estados em que a Petrobras realiza investimentos neste momento de crise, quase todos estão suspensos.
O desemprego já é assustador. O número de demissões pode chegar a 100 mil até março, segundo expectativa do setor.
Até agora, a Camargo Corrêa e a Engevix já demitiram mais de 3 mil trabalhadores. Na Iesa, as demissões atingiram mil operários. A OAS demitiu mil operários e 60 funcionários administrativos. Já na Queiroz Galvão, o número de demissões chega a quase 1,5 mil. A Odebrecht demitiu 380 funcionários até agora. Entre os que perderam seus empregos estão ainda terceirizados e subcontratados.
Os verdadeiros responsáveis pela corrupção na Petrobras não podem estar alheios à ação judicial que os fundos de investimento estão fazendo contra a empresa. Essas empreiteiras, bancos e outros acionistas devem ser solidários a esses processos bilionários. O Brasil e os brasileiros não podem ficar calados com esse assalto que querem fazer ao caixa da Petrobras. A estatal não foi roubada por seus acionistas, mas sim saqueada e roubada por inescrupulosos e criminosos representantes do governo - partidos e cota pessoal de dirigentes - com a participação maior no saque dos empreiteiros. 
O estranho é que a SEC americana (Securities and Exchange Commission), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil, esteja agindo apenas contra a Petrobras, e não esteja agindo também  contra bancos, empreiteiras que são os grandes privilegiados do roubo. 
Os brasileiros esperam que as autoridades internacionais e a Justiça brasileira ajam imediatamente, já que existe o processo da Operação Lava Jato, onde dez funcionários da Petrobras estão presos, e quase três vezes mais empresários saqueadores estão atrás das grades. Isso mostra para a justiça americana e para o mundo que os processos não podem correr só contra a Petrobras, mas sim, e principalmente, contra seus assaltantes externos.

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