quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

E assim, começa uma insatisfação geral.


Jornal do Brasil

A população da pacata cidade de Itaboraí, no Leste Fluminense, chegou a sonhar com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em plena atividade e trazendo para a região um desenvolvimento econômico jamais vislumbrado. Mas no decorrer da operação Lava Jato, da Polícia Federal, o projeto se transformou em pesadelo para o governo municipal, que agora lida com uma infraestrutura urbana inchada em função do empreendimento na cidade. Nos próximos dias, a prefeitura local vai solicitar o apoio do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para reforçar o efetivo de policiais militares na região, visando evitar um possível aumento da violência em decorrência da crise do desemprego no Comperj.

Apesar de a prefeitura não ter dados oficiais em torno do empreendimento, o prefeito Helil Cardoso (PMDB) estima que o número de moradores empregados nas obras é insignificante, No entanto, grande parte do contingente de funcionários demitidos pelas empreiteiras que compõem os consórcios do Comperj não retorna às suas cidades de origem, buscando no município alternativas de emprego. "E a cidade não tem demanda para absorver estes operários, tampouco profissionais da construção industrial", ressalta. O cenário no Comperj compromete, na avaliação de Cardoso, o desenvolvimento urbano e econômico de Itaboraí. "A demora na conclusão da obra traz grandes impactos à cidade, como o aumento na demanda por serviços essenciais de saúde, educação e transporte, além de danos à infraestrutura viária, entre outros", comenta o prefeito. 

               Trabalhadores demitidos e com salários atrasados pelas empreiteiras fazem manifestação no Rio

A receita fiscal de Itaboraí também deve sentir os efeitos drásticos das demissões no Comperj. Pelas previsões de Cardoso, a "crise das empreiteiras" deve refletir na arrecadação do ISS (Imposto Sobre Serviço) proveniente do empreendimento a partir de março. Dos R$ 20,9 milhões arrecadados atualmente pela prefeitura, R$ 18 milhões vêm do Comperj. As estimativas do prefeito são pessimistas e aponta para uma queda de 50% na receita. "Por conta disso, houve um contingenciamento de 20%, mantendo na íntegra os investimentos em saúde e educação, e cortando gastos com outros serviços como telefonia móvel e fixa, serviços de postagem, viagens, gastos de combustível e locação de bens e imóveis", disse ele.
Outra medida prevista para os próximos dias diz respeito à segurança. Cardozo vai solicitar ao governador Luiz Fernando Pezão o aumento do efetivo de policiais militares na cidade, visando evitar que a atual crise de desemprego no Comperj resulte no aumento da violência. Segundo ele, a prefeitura também está atenta ao aumento da economia informal. 
Para tentar amenizar os efeitos das demissões na cidade, a prefeitura de Itaboraí tem tomado medidas visando o aumento da arrecadação municipal, por meio de ações de incentivo e agilização do processo de abertura de novos empreendimentos na cidade. A políticas de incentivo fiscal que eram praticadas antes do anúncio do Comperj foram revistas, levando em conta a nova realidade de Itaboraí.
                                 Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí
Helil Cardoso conta que logo ao assumir o cargo, no ano de 2013, buscou informações sobre os prazos do Comperj e observou que em 2010 houve uma reformulação no projeto, minimizando o complexo na construção de uma refinaria para processar 165.000 barris diários para principalmente produzir derivados do petróleo. Segundo ele, a mudança reduziu as perspectivas de empregos na região. "Entretanto, o fato de termos uma refinaria no município, não tirava a esperança de dias melhores, pois a petroquímica sempre dependerá de uma planta de refino", salientou.
Na época, Itaboraí ocupava a 62a posição em Índice de Desenvolvimento Humano do Estado do Rio na disputa entre os 92 municípios. A população da cidade, de acordo com os dados do Censo de 2010, é de 218 mil habitantes. 
Apelidado por Cardoso de "Trem de Produção de Derivados", o Comperj exigiu de Itaboraí muito além do que a sua estrutura urbana natural oferecia. A grande demanda de técnicos e operários para os canteiros atraiu pessoas de outras cidades e estados. "Não havia [em Itaboraí] mão de obra local, na qual não chamamos de não qualificada, e sim de não adequada para o tipo de obra, chegando ao fim de 2013, com aproximadamente 26 mil empregados contratados direta e indiretamente", explica o prefeito. Cardoso afirma que a prefeitura acompanha, atualmente, com preocupação os últimos acontecimentos em torno do Comperj, além de cobrar das empresas prestadoras de serviços para a Petrobras o cumprimento das obrigações trabalhistas. 

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