terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Réquiem à cidadania

Mais um texto com a qualidade EPCAr 75, por Jefferson W. dos Santos



Sugestões aos amigos.

Planeje muito bem seus orçamentos domésticos;
Não faça crediário ou financiamento a médio prazo;
Reveja seus hábitos de consumo de energia e combustível;
Busque concentração de locais essenciais ao seu dia a dia. I. e. Academias, compras, mercados, escolas, trabalho. Tente fazer que os três primeiros estejam próximos da escola, casa e trabalho;
Observe o comportamento de pessoas de rua (camelôs, comerciantes informais e pedintes). Se houver aumento, sobretudo em vias de trânsito em velocidade reduzida, antecipe-se e estude rotas alternativas. DESCONSIDERE priorizar o tempo gasto, ao contrário, privilegie a segurança. Há chances de haver bloqueios e arrastões.

Talvez os amigos não estejam se interessando na Venezuela e na Argentina, mas sempre estiveram em melhores condições econômicas que as nossas e o populismo os levou ao caos, assim como o nosso que se avizinha.

Como não vi, nos últimos doze anos, qualquer modificação no comportamento do brasileiro rumo a um maior envolvimento e participação em uma madura governança social, chegamos ao ponto do não retorno. Somente com uma seríssima crise civil sem precedentes, até então em nossa História.

Já ouvi de três pessoas distintas em ocasiões diferentes: “Você dá opiniões sobre o que você não conhece direito”. Sim, de fato, eu lhes dou razão, afinal sou piloto.
Mas aí eu lembro que, na época, eu tinha mais de três mil contatos no Facebook e quase duzentos no mailling list. Tinha contatos de absolutamente TODAS as profissões, até atores famosos, músicos, artistas e palhaços de festas infantis.
E me perguntava: Por que só eu falo? Por que só eu, piloto, tenho que chamar a atenção do problema da falta de suprimentos para tratamento de câncer nos seios, ou falta de próteses para retornar o trabalhador ao posto de trabalho enquanto a presidente libera operações de troca de sexo para menores? Onde estariam os profissionais da área de saúde de minha lista? Por que ninguém opinava? Por que ninguém dava mais detalhes mais coerentes e corretos que os meus? Por que seus silêncios?

Por que eu falava dos riscos ao saneamento das atividades de construção civil, dos lixos das ruas? Eu, piloto? Onde estariam os engenheiros e sanitaristas de minha profusa lista para dar melhores informações? E os advogados para explicar a impossibilidade de um impeachment? Por que eu, piloto, era o único a me expor e levar porrada "in box"? Será esta anomia o comportamento de uma sociedade que quer mudanças?

Por que só eu alertava sobre o apagão de mão-de-obra ou a infeliz escolha de FHC para a “aprovação automática” que gerou, agora, vinte anos após, o apagão de mão de obra e agravou o analfabetismo funcional? Onde estavam os professores, os pedagogos e os educadores de minha lista ou para negar ou para melhor embasar a questão?

E assim vários assuntos específicos que contatos meus conheciam BEM MELHOR, mas optaram e continuam optando pelo topo mais largo do muro e o conforto das sombras. Será que mudaremos assim? Não seríamos nós mesmos a esticar o túnel cuja luz não lembro de ter visto nos últimos vinte anos?

Se o especialista não contribui, apenas recebe e observa em um ambiente, este nosso virtual, onde pouquíssimos o conhecem e ninguém vê seu rosto, há de fato, se esperar que esta pessoa crie coragem e tente mobilizar parentes, vizinhos, amigos, conhecidos, empregados domésticos, quitandeiros, padeiros, etc? Acho improvável, quando não impossível.

Quando me pergunto o que fazer a única ferramenta que conheço que funciona é o CONHECIMENTO. De que forma viria este conhecimento? Por intermédio de contribuições de quem conhece mais do assunto e, gentil e irmanamente, divide seu conhecimento entre os demais facilitando um debate e, sobretudo, formação de uma senhora base de argumentos sólidos para responder perguntas, rebater posições manipuladoras e, sobretudo, demonstrar ao vereador, deputado e senador que você entende de algo que eles, as antas omissas, tentam nos enganar.
Eu SEMPRE respeitei meu subordinado ou aluno que tinha opiniões contrárias às minhas e tinham argumentos, sólidos ou não, mas BUSCAVAM ter argumentos. Eu me sentia VIGIADO na minha liderança e nas minhas aulas. Por que uma anta eleita, que não tem um décimo do conhecimento que eu tenho não iria se sentir assim?

Eu sou pragmático e cartesiano, não poderia ser diferente, afinal foram trinta e cinco anos pilotando aviões e helicópteros.

Assim, meus caros, eu acabo de lhes falar das ações positivas dos petistas e seus acólitos desde a campanha de Collor ao poder. Já venho tentando catequizar amigos e conhecidos passando artigos xerocados (não sabia de informática na época) para ser e refletirem, tirava cópias dos jornais que iam para as autoridades e repassava os artigos aos chefes dos setores. Desde aquela época que tento “desmobilizar” a anomia, o imobilismo e “o silêncio dos bons”.

Ainda naquela campanha, os acólitos petistas com despesas, até, do próprio bolso, tentavam nos empurrar um Lula bicho-papão, arauto das greves e mobilizações: barbudo, cabelos desgrenhados, vestindo-se mal, com uma dicção sofrível, enfim, a antítese de um chefe de Estado. Mas eles se MOBILIZAVAM para vender esse cara para nós.

E o “outro lado”? Apostava no messias caçador de marajás, com promessas vagas, pueris e dificílimas de serem cumpridas ante um orçamento federal já TODO comprometido. Uma quixotesca figura sem QUALQUER apoio do Congresso.

Ante ao natural fracasso o que os lulistas fizeram? (neste ponto sugiro com veemência a leitura do excelente livro “O Lulismo no Poder” de Merval Pereira). Eles, sistematicamente, intensificaram seus trabalhos DE CAMPO.

E os demais, o que fizeram? O melhor que sabem fazer; buscaram topos mais largos sobre o muro para dali, JAMAIS, terem que sair. Continuaram com seu idiossincrático comportamento de faltar a reuniões de condomínios, contrataram procuradores e despachantes, votaram e votam errado e viram as costas para a democracia.

Ante ao previsível fracasso do messias caçador de marajás eles ampliaram sua base de catequizadores. E quanto aos demais, os “bons mergulhados em seu inexorável silêncio”?
Será que ir às ruas funcionaria? Eu não lembro, tirando o Fora Collor, de qualquer movimento de rua que tenha tirado o sono de qualquer parlamentar. Eu os transportei em épocas críticas, com passeatas concomitantes no Rio e em São Paulo e eles conversando platitudes nas salas de embarque, com piadas até. Não via ninguém ligado na televisão da sala, sempre ligada. Enfim, eu buscava, em vão, qualquer sinal, qualquer ruga de apreensão em suas frontes. Nada, absolutamente nada.

Os noticiários já deram profusas notícias acerca dos “exércitos” petistas e como eles funcionam. Já vimos em um recente movimento cidadãos pueris e inocentes entrando na porrada e ficando por isto mesmo e, nas urnas, o país continuando o mesmo, inclusive com políticos fichas sujas sendo reeleitos na maior tranquilidade.

Respostas, não as tenho. Também pudera, quem conhece e entende mais do que eu prefere o anonimato. Eu, de fato, não consigo imaginar de onde virá a chamada “conscientização” da sociedade.

Outra coisa curiosa que observava no Facebook eram pessoas “eu apoio tal movimento”, “dou todo apoio”, etc etc. Eu não sei, mas imagino, que assim falando não faça a menor idéia do que venha a ser esta declaração entre políticos. Muitíssimo longe do pueril e simples “vai fundo porque tô na ala, dô todo apoio...”, quando um político, sobretudo presidente de partido ou de federações de empresas e comércio dizem “apoio” fulano, significa dizer que haverá MUITO, mas MUITO dinheiro envolvido, via de regra não deles, de seus bolsos. Entram em cena os mais de 600 cargos de segundo e de terceiro escalões, nas mãos da presidente que ela, pelo menos em tese, divide proporcionalmente. Assim quando um político diz “vamos apoiar” significa dizer que aquela empresa, ou entidade, ou órgão dará dinheiro, não deles, mas seu e nosso. Então já é hora de se acabar com a inocência e se imunizar da manipulação feita, sobretudo, por jovens e belas jornalistas em “take” na frente do Congresso. É manipulação pura.

Infelizmente o farto acesso às comunicações pegou o cidadão com as calças nas mãos de pouquíssima cultura e informação. O que presenciei durante meu período de Facebook foi praticamente um cogumelo de explosão nuclear subindo estratosfera acima. Reclamava do analfabetismo funcional e do apagão de mão de obra. Mas depois de ver crises gravíssimas ocorrendo no governo e países da vizinhança e no lugar de comentários no Face ou mídias sócias, animaizinhos, cachorrinhos abandonados, mensagens de esperança, fé e espiritualidade, posts sobre inveja, sobre calúnia e tudo o de mais eticamente deplorável que qualquer cidadão pode produzir em termos relacionais disputavam espaço com fofocas sobre artistas e celebridades. Dei-me conta, então, que a base desse perfil de explosão de acesso aos meios de comunicação tinha, na base das pessoas de classes E e D, o analfabetismo funcional e o apagão de mão de obra, e quanto as camadas mais altas, beirando a estratosfera representadas por perfis bem elaborados, posts bem trabalhados e a mensagem final denunciando um iphone ou ipad de última geração caracterizando um razoável poder aquisitivo: Indigência intelectual in natura. Comecei, então, a entender o “silêncio dos bons”: Talvez não estejam, nem de perto, preparados para a sociedade na qual estão inseridos e que agora lhes clama.

Cheguei à conclusão que é melhor falar e atiçar sobre o que conheço, caso contrário, sei que o socorro, ao virar para o lado, dificilmente virá.


Um comentário:

  1. NÃO PODEMOS FICAR DE BRAÇOS CRUZADOS.
    ESTAMOS EM UMA ÉPOCA TALVEZ PIOR QUE EM 1964.
    POIS, NOVAMENTE ESTÃO QUERENDO TRAZER O COMUNISMO PARA O BRASIL. E PARECE MUI SÉRIO.PROCURE SE INFORMAR.
    A ESCOLA , A IGREJA O PREFEITO, O VEREADOR.....

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