sexta-feira, 27 de março de 2015

Cartunista retira charge sobre Gladiadores do Altar do ar após pressão judicial da Universal


O cartunista paulista Vitor Teixeira é o centro de uma polêmica que coloca em debate a liberdade de expressão no Brasil e que reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa após o recente episódio francês do massacre em Charlie Hebdo — tomando, é claro, as devidas proporções.

Por conta de uma charge (imagem acima) que criticava a formação do polêmico grupo 
Gladiadores do Altar, da Igreja Universal. A igreja entrou com notificação extrajudicial na qual pedia a retirada do ar da página do cartunista no Facebook. Após negociação, ele deletou apenas a imagem e seguiu com seu trabalho no local.

“Eles [Universal] me mandaram  uma notificação na qual pediam para eu deletar a página. Acontece que ali está meu trabalho e, sem ela, eu não tenho como trabalhar. Então sugeri apenas que a imagem fosse retirada e eles topara”, afirma Vitor em entrevista ao Yahoo.

A situação, porém, abriu precedente para a discussão sobre a censura. O cartunista nega que tenha se sentido censurado, preferindo usar a palavra “pressionado”. Vitor cita que, por conta do poder financeiro e midiático da Universal, sentiu-se pressionado a retirar a charge, que ele faz questão de apontar como uma crítica apenas aos Gladiadores e não à Universal ou qualquer um de seus fiéis.

“Acredito que cada indivíduo tem o direito de ter sua fé e acreditar no que quiser, minha crítica nunca foi contra isso, é específica ao grupo”, afirma ele. “Sempre deixo claro que minha intenção é essa, de criticar o grupo e, agora, com toda essa repercussão, falar sobre liberdade de expressão”.

Logo que a charge foi retirada do ar, internautas manifestaram seu descontentamento com a atitude da Universal e compararam o caso com o massacre da revista Charlie Hebdo, na França, que foi invadida por extremistas muçulmanos por conta de uma charge satírica feita com o profeta Maomé. 

Nova charge por protesto


A reação do cartunista, porém, envolveu nova charge — que segue no ar. Nela, mostra duas mão algemadas e novamente o símbolo da Universal. Para ele, a forma de mostrar que a discussão sobre liberdade de expressão precisa evoluir muito no Brasil.

“A primeira charge era uma crítica específica, nunca ao grupo todo, aos fiéis. Já a segunda é a minha forma de protesto, de mostrar que é uma questão delicada no país”, diz ele.

A Universal se manifestou oficialmente apenas por nota, na qual disse que não aceitará qualquer tipo de ataque contra ela. Após o casos e tornar público, porém, Vitor disse acreditar que a igreja não gostou da repercussão.

“Depois de tudo me mandaram um e-mail com linguagem totalmente jurídica, que eu tive que mandar ‘traduzir’. E nele, por assim dizer, senti que havia um ressentimento pelo fato de eu ter tornado a história pública”, completa o cartunista.



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