domingo, 29 de março de 2015

Dos protestos nascerão novos partidos?


A pergunta que dá título a este post poderia ser outra: como canalizar insatisfações? Se 75% dos brasileiros rejeitam os partidos políticos existentes – e de diferentes modos manifestam isto nas ruas —, a solução seria criar outros partidos ou entidades que funcionem em moldes diferentes dos atuais?
Na Espanha a insatisfação generalizada com os partidos políticos tradicionais levou à criação de novos movimentos, um deles o Podemos, que se auto-classifica como uma “iniciativa cidadã” —  http://podemos.info/
Em seu site, o Podemos, que acabou de participar com relativo sucesso de eleições na Andaluzia (fez cerca de 15% dos votos), se diz contra a corrupção e que quer reformar a política com “participação” e “unidade popular”. O Podemos defende: Mais democracia, sendo que “os governantes devem servir ao povo e não servir-se dele”; “mais direitos” e “mais economia a serviço das pessoas”. E importante: declara não aceitar contribuições financeiras de bancos ou empresas.
Ao menos em seu site, o movimento espanhol parece tocar em um problema de fundo: a submissão da política aos interesses econômicos predominantes. Segundo o Podemos, nesta engrenagem operam os partidos tradicionais e seus modos de fazer a política. O movimento associa isto à corrupção.
No Brasil a crise atual vem expondo de forma clara o vínculo entre grupos econômicos e a política como uma fonte importante da corrupção. O empreiteiro/banco/frigorífico/empresa de ônibus/plano de saúde/agronegócio paga a campanha de TODOS OS PARTIDOS e depois cobra a conta dos governos. Em todos os níveis: federal, estaduais e municipais.
Mas quem de fato assume a anticorrupção nestes termos sistêmicos? E principalmente: não será a política, afinal, a extensão de interesses econômicos, onde quem tem mais manda mais?
Será bom se a mobilização social conseguir quebrar o modus operandi da política brasileira – abrir brechas. Talvez isto não ocorra com a criação de novos partidos, afinal eles já somam 32, mas como fruto do colapso de um sistema representativo que claramente não funciona mais. Antever como e se esta demolição na política ocorrerá é, no momento, coisa para a ficção.


O texto nos apota que não há credibilidade na totalidade dos partidos políticos existentes no Brasil e, nesse diapasão, novos partidos são bem vindos desde que se contraponham a atual conjuntura apresentada e satisfação realmente os ânseios da sociedade. Por certo os existentes apostam no impeachmente como uma forma de evitar uma real possibilidade de Intervenção Constitucional, mas ela se faz necessária, dando assim chance que pessoas idôneas e de bom caráter, em novos partidos alinhados com a sociedade apareçam e façam um futuro diferente.


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