domingo, 26 de abril de 2015

As respostas que eu não tenho



Vou tentar responder uma pergunta que mais de uma pessoa já me fez.

Tive que buscar na memória. Eu servia na Base de Brasília ainda na época de piloto do Collor, depois veio o Itamar, FHC.

Ainda no gov Collor chamava-me a atenção mobilização discreta mas constante de militantes do PT.

Eu os encontrava nos shoppings da cidade. Nos teatros de quadras durante apresentações vespertinas e dominicais. Nos bares por grupos de teatro mambembe. Nas peças, nas músicas. Eles distribuíam panfletos com poesias, com pensamentos, etc. Eles ainda não tinham acesso a tanto dinheiro como tiveram nos governos recentes. Soube, depois, de alguns colegas de faculdade que acabaram por aderir, de tanto convencimento, e forte, que eles contribuíam, do próprio bolso, para a proliferação das mensagens petistas.

Ação! Eles tinham ação, pró-ação.
Ouvia pronunciamentos positivos sobre o Pt e um futuro governo Lula de professores, colegas, pessoas que não conhecia em aniversários infantis, de jovens, em casamentos, nas peladas de futebol no fim de semana, nos churrascos. Nos clubes, da Aeronáutica, no Exército, do Congresso, da Unb, da CEF, do Sin dos Jornalistas, no CEASA.

Quando viajava, com o passar dos anos, já com FHC no poder, eu via cantores em bares fazendo, em suas músicas, apologia ao "caos" que a sociedade enfrentava no governo FHC. Eram músicos, eram garçons, estudantes. Ouvi críticas a economia de FHC de engenheiros, dentistas, médicos, contadores, advogados, religiosos, pastores.

Quando viajava ao Rio para visitar meus país eles procuravam falar alto nos ônibus, no trem, no  metro.

Pouco a pouco lia nos jornais os sindicatos aderindo a centrais que estavam se articulando em torno de uma futura candidatura de Lula.

Vim para o Recife para comandar uma unidade aérea e passei a ver dentro dos quarteis mais modernos saindo do armário e falando mal do governo FHC. Em Boa Viagem e nos shoppings eu via pessoas em carros chiques cruzando com outras e esticando o polegar e o indicador perfazendo um L de Lula.

Eles chegaram ao poder saindo do armário, descendo dos muros e arrumando uma forma de reverberar o que viam, como viam, seus posicionamentos políticos, errados ou certos, mas eles não deixavam de falar.

Até entre minhas famílias e reuniões de amigos falava-se na esperança de Lula corrigir "tudo o que está errado aí".

Com tanta pressão surpreendeu-me o PSDB indicar o antipático Serra para competir com Lula. Após esta indicação comentei com meus subordinados: Preparem-se, o PT ganhará e teremos tempos muito difícies no médio prazo. Eu não tinha bola de cristal, apenas sabia ler as notícias e acompanhar os eventos, não errei da mesma forma que tenho certeza do que virá em poucos meses.

Em fim, dos anos Collor até a retumbante vitória de Lula, seus acólitos e simpatizantes TRABALHARAM DURO!! Saíram do armário, desceram do muro, convenceram várias pessoas que conheci, eventualmente ou de perto, mas convenceram. 

E agora? Muitos dos que vi com o L invertido hoje estão calados, quietos.
O curioso é que não só não vejo parentes ou conhecidos em festas ou churrascos sem mais falar em política como evitam falar em política. Pior, não querem conversar sobre os assuntos que mais os afligem: segurança, crise de energia, falta de água, desemprego, baixo rendimento de empregados, alta de juros etc etc...não querem falar. Simplesmente não querem falar. O pior para mim é pessoas dizerem que tem fé que Deus ou Jesus irão ajudar o país, que a fé neles irá nos tirar do caos. Francamente, francamente...Por que eu não houvia isto dos simpatizantes petistas e seus acólitos?



O que houve?
Amigos eu não sei. O que mais me surpreende é não tínhamos na época nem um décimo da quantidade de linhas de celular que temos hoje. Para se ter uma idéia, uma linha de telefone residencial em Brasília tínhamos que buscar "escritórios autorizados" pela telefônica oficial. Em três "escritórios" que fui atrás de linhas (eu era piloto e instrutor do helicóptero do Collor e não havia telefones celulares na época e a Prefeitura não disponibilizava telefones nas residências de capitães...tirando os pêxe, é claro, assim tinha que me virar para alugar uma linha telefônica. E nos "escritórios" havia simpatizantes do PT nos convencendo ou "acidentalemente" conversando alto para que outros ouvissem.

Assim, havia pouquíssimo acesso à informação e os petistas e seus simpatizantes não paravam de proliferar as benesses de um futuro governo petistas. O que houve?
Hoje temos mais de 240 milhões de linhas de celular, apenas linhas de celular, sem falar em fixos. O acesso à internet é da ordem de mais de 72% dos usuários. Para quem não tem celular, há notícias em SMS  a vinte centavos...ou seja, acesso a notícia sem precisar de internet baratíssimo. O que houve?

Então, à época, eles catequizavam pessoas acerca de um caos que não se via e convenciam. Hoje as pessoas real e positivamente sentem-se acuadas em ônibus, em engarrafamentos, nas saídas de seus prédios. As filas de reclamações em empresas de água, abastecimento, de energia elétrica etc não param de crescer. O caos está visível, incomodando e quase não se conversa.

Não havia Facebook à disposição dos simpatizantes e catequizadores do PT. Imaginem se houvesse acesso àquela mídia. A vitória de Lula seria esmagadora em primeiro turno e se bobeasse, ele seria indicado para secretário geral da ONU de tanto voto pelo ladrão que a catequeze iria conquistar.

Hoje temos internet, temos o Facebook e que que vemos em profusão: Mensagens de pensamento positivo espiritual, animais, crianças, animais, crianças, platitudes, bobagens, bobagens, animais, crianças, Jesus, pieguismo, coitadismo, louvores a Deus, louvores alhures...e a ação que me faz invejar os petistas?

Eu pertencia a um egroup do Administradores.com.br... Acredito que alguns dentre os meus amigos também. Ali eu via médicos criticando a saúde pública, via psicólogos criticando a pressão no local de trabalho, o estresse causado pela falta e investimentos em melhoria da qualidade de vida, via veterinários, contadores e economistas falando de índices. Quando Armínio Fraga veio do escritório de Nova Iorque do investidor Warren Buffet, houve uma comoção na lista de emails. Até de madrugada alguém postava. SEMPRE alguém trazia algo que lhe era de contato imediato e postava tentando converter os demais. Ressalto, não havia nem de longe, o caos que nos aflige e nos acua hoje...MAS ELES SE MANIFESTAVAM.

Então, amigos, eu não tenho respostas para tudo. Temo, até, estar falando muita bobagem em searas que apenas tenho conhecimento por leitura na internet. Onde estariam os economistas, os advogados, os psicólogos, os professores, os educadores, os pilotos, os empresários, enfim, todos que hoje há na lista que, todos, sem exceção, pediram para aderir? O que houve de diferente? O que fazia os simpatizantes petistas saírem do armário e exporem suas opiniões, sem muitos recursos da máquina pública que eles ainda não tinham acesso? Hoje eles tem o acesso e o poder da propaganda, sobretudo em uma sociedade que não gosta de ler e por isso é facilmente manipulada. Eles são praticamente imbatíveis, sobretudo frente a anomia dos bons, dos que reclamam mas preferem não se manifestar. 

Bem, este tipo de resposta eu não tenho. Muito menos rezar e ocupar Deus e Jesus Cristo para resolver uma crítica situação que é de nossa responsabilidade, somente nossa.

Estamos com mais de 110 na lista e eu agradeço aos menos de dez que tem contribuído. Não sei se este baixo percentual comparativo irá nos liderar para alguma mudança. Tenho a impressão que não.

Enfim...

Por Jefferson W. dos Santos (EPCAr 75)
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