domingo, 31 de maio de 2015

A Cuba que Obama não conhece


Por Carlos I.S. Azambuja

Jornais de hoje, 29/5/2015): EUA tiram Cuba da lista de terrorismo
Informação é do Departamento de Estado americano.
Retirada elimina obstáculo na volta das relações diplomáticas entre países.

Comentário de Valbelo a respeito de uma matéria sobre Cuba publicada na Internet:
“Fuzilados: 5.621. Assassinados extrajudicialmente: 1.163. Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081. Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258. Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14.160. Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país: 77.824. Civis mortos em ataques químicos em Mavinga, Angola: 5.000. Guerrilheiros da Unita mortos em combate contra tropas cubanas: 9.380. Total: 115.127 (não inclui mortes causadas por atividades subversivas no exterior)”.

Em 1960, numa reunião da OEA realizada em Montevidéu, o Ministro do Planejamento de Cuba, Che Guevara, disse que em uma década Cuba superaria a renda
 per capita dos EUA.

Cuba era, na época, o terceiro país mais rico da América Latina. Hoje, é o terceiro mais pobre e seus cidadãos são os que têm a pior alimentação.

Sobre isso, recorde-se que em 1994 cerca de 75 mil pessoas contraíram a doença neurite ótica e periférica, que é ocasionada por desnutrição crônica.

Hoje, a Ilha produz menos açucar do que em 1919 e os 11 milhões de cubanos que vivem em Cuba criam menos riqueza que o milhão de exilados radicados em Miami. Em toda a história do continente nenhum país jamais empobreceu de forma tão intensa e brutal como Cuba sob o socialismo.

Nunca o país dependeu mais da solidariedade de seus vizinhos da América Latina e Caribe.

Embora as pessoas sejam impedidas de deixar o país, cerca de 20% da população já vive nos EUA, enquanto centenas de milhares continuam tentando emigrar para a Flórida de forma legal ou ilegal, em qualquer tipo de transporte.

A maior fonte de receita do Estado cubano são as remessas dos exilados – cerca de 800 milhões de dólares anuais -, o aluguel de médicos (Programa Mais Médicos), bem como as doações de medicamentos (cerca de 60 milhões). E nos anos 80 e 90, os seqüestros, no Brasil, de Abilio Diniz, Luiz Salles, Beltran Martinez, Geraldo Alonso Filho e Washington Olivetto. Em todos eles foram encontradas as digitais dos Serviços de Inteligência cubanos.

Sobre as famosas conquistas da Revolução é forçoso reconhecer que os cubanos têm hoje uma instrução melhor do que em 1958, que não existem analfabetos, porém com uma diferença importante: os técnicos e profissionais vivem miseravelmente. Um médico recebe um salário equivalente a 20 dólares por mês e um engenheiro o equivalente a 15 dólares.

Em Cuba vivem, portanto, os únicos cidadãos do planeta para os quais a instrução não abre caminho para uma vida melhor. Quanto mais se instruem, pior vivem. São, portanto, os indigentes mais bem instruídos do mundo. Essa é uma das principais conquistas da Revolução: a nivelação por baixo.

É certo que a assistência médica é muito ampla. Mas, de que adianta um serviço de saúde pública sem medicamentos e com equipamentos inutilizados por faltas de peças de reposição?

Não se diga que isso é culpa do embargo econômico, pois nos hospitais onde os clientes – principalmente estrangeiros – podem pagar em dólar ou aqueles utilizados pela burocracia que dirige o partido e o Estado são encontrados medicamentos de última geração, norte-americanos, alemães e suíços.

Mas, disso tudo resta alguma coisa. Resta o discurso da dignidade, da solidariedade e da especial categoria moral que a revolução impôs aos cubanos.

No entanto, será que poderá ser considerada digna uma criatura que não pode ler o que deseja, que não pode exprimir suas idéias, eleger seus governantes, escolher seus amigos ou viajar para onde deseja?

Tudo isso lembra a anedota do cachorro russo que apareceu passeando nas ruas de Paris. Ele era muito bem tratado em Moscou, mas  às vezes sentia vontade de latir.

Carlos I.S. Azambuja é Historiador.

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